Nos últimos anos, o circuito da Hungria se tornou uma zona de conforto para a McLaren. Ainda que pesem as irritantes regras papaias em edições recentes da corrida em Budapeste, a esquadra chefiada por Andrea Stella sempre encontrou um jeito de dominar a singularidade do traçado magiar, para vencer e anular os rivais. O carro laranja praticamente era feito para esse ambiente. Mas 2026 alterou esse cenário. O regulamento novo forçou uma mudança de conceito e obrigou o time inglês a se adaptar prova a prova, em uma temporada de grande oscilação. Só que o sábado (25) mostrou que o Hungaroring ainda parece ser um bom lugar para a McLaren. E Lando Norris foi capaz de resumir isso em uma volta espetacular, abrindo agora uma chance real de vitória.

A pole de Norris até pode parecer uma surpresa, diante do potencial apresentado pela Ferrari e dos problemas recorrentes neste ano, mas o fato é que a McLaren tirou proveito de tudo que podia na Hungria. A começar pelo traçado. É bem verdade que a esquadra britânica não tem mais um carro versátil. Mas também é certo dizer que os engenheiros em Woking trabalharam bem nas novas peças para o circuito húngaro, sobretudo na revisada asa traseira. No entanto, o que fez diferença mesmo parece ter sido uma melhor performance no segundo setor da pista, um pouco mais fluído e com os trechos de maior velocidade. Esse salto de qualidade foi dado, principalmente, no TL3, em que não por acaso foi liderado pelo atual campeão.

“Fizemos algumas melhorias e vimos que estavam funcionando bem. Ganhamos alguns décimos, mas nunca imaginamos que isso seria suficiente para nos colocar na pole-position”, admitiu Stella após a classificação. “Consideramos os sinais encorajadores que o resultado nos trouxe, mas permanecemos realistas. Ainda temos muito trabalho pela frente para nos mantermos consistentemente na posição em que nos encontramos hoje.”

“Sinceramente, amanhã, a Ferrari continua sendo favorita. Mesmo na classificação, nenhuma delas melhorou na segunda tentativa, então acho que deixaram um pouco de desempenho para trás”, cutucou o chefe da McLaren.

De fato, a sensação é um pouco essa mesmo. É que a escuderia italiana se preparou muito bem para a corrida húngara, considerando dois pontos importantes. O primeiro deles é o mais lógico: Budapeste tem um circuito travado em que a potência não é tão exigida. O acerto mecânico/aerodinâmico faz muito mais diferença, e isso tem sido a força dos vermelhos em 2026. O que leva ao segundo elemento: a SF-26 também se dá melhor em traçados seletivos.

No caso deste fim de semana, Maranello tem a melhor performance nas curvas de baixa velocidade, bem como um entendimento que parece natural dos pneus. Por isso, a equipe de Frédéric Vasseur realmente perdeu uma chance de ouro para fazer a primeira fila. A McLaren aproveitou, com o adendo ainda da punição dada a Lewis Hamilton horas demais. A diferença de 0s012 na linha de chegada, entre Hamilton e Norris, dá a dimensão do vacilo.

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Lewis Hamilton e Charles Leclerc viram a chance da primeira fila escapar (Foto: Ferrari)

É que Lewis parecia muito dominante. Fez uma boa volta na primeira tentativa no Q3, mas não foi capaz de reproduzir o mesmo desempenho e ainda se envolveu em um incidente com Oscar Piastri. Enquanto isso, Charles Leclerc também enfrentou problemas no momento derradeiro e admitiu que “nunca esteve no mesmo ritmo” do companheiro de equipe. Foi aí que Lando apareceu e cravou a pole, destituindo a Ferrari da primeira fila. Leclerc ainda larga em segundo neste domingo, enquanto o heptacampeão será o quinto, após a sanção por atrapalhar Piastri, que curiosamente não teve mesmo desempenho de Lando.

Certamente, a disputa ainda está aberta, e os italianos podem se recuperar. Mas não podem mais cometer erros. A punição de Hamilton veio depois de mais uma falha de comunicação, enquanto Vasseur tentou minimizar a situação. A verdade é que a Ferrari tomou decisões estratégias durante a classificação, quando optou por realizar o Q1 com os pneus médios, e isso precisa funcionar.

Então, há um rumo em termos de tática e será fundamental porque o domingo promete um dia bem mais quente e, por consequência, impactante do ponto de vista dos pneus. “Com certeza não fizemos isso aleatoriamente. Quer dizer, não vamos guardar esse jogo para o GP dos Países Baixos. Obviamente, vamos usar esse conjunto amanhã”, sinalizou o chefe ferrarista. Bom dizer que o monegasco apresentou o melhor ritmo de corrida na sexta-feira, com pneus macios.

A briga pela vitória, portanto, parece se resumir realmente entre McLaren e Ferrari. Mas ainda não dá para descartar completamente a Mercedes. Ao menos pelos lados de Andrea Kimi Antonelli. O italiano tomou também uma punição e vai sair em sétimo, mas há uma esperança nos boxes alemães. O líder do campeonato mostrou reação, mesmo em um fim de semana difícil das Flechas de Prata, e tem a segunda melhor marca em termos de desempenho de corrida, embora seja prudente considerar a natureza do circuito húngaro, que dificulta demais as ultrapassagens. De toda a forma, a possibilidade de temperaturas mais altas amanhã também faz a esquadra da estrela sorrir.

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Kimi Antonelli largar em sétimo e é a esperança da Mercedes (Foto: Mercedes)

Por fim, de acordo com a Pirelli, há chances quase iguais de táticas de um ou dois pit-stops, a depender do desgaste e dos jogos de pneus disponíveis de cada time. “Nossas simulações não mostram diferença no tempo total da corrida entre uma estratégia de uma parada e uma de duas paradas na Hungria. A degradação, que foi maior do que o esperado, efetivamente igualou as duas opções, permitindo que as equipes avaliem diferentes cenários dependendo dos jogos de pneus novos”, explicou Dario Marrafuschi, diretor da fornecedora italiana.

“Aqueles que optarem por uma estratégia de uma parada poderão completar a corrida com o composto duro, com a janela de pit-stop entre as voltas 26 e 32. No caso de duas paradas, porém, dado que apenas duas equipes ainda possuem dois jogos novos de pneus macios disponíveis, é mais provável que os stints finais sejam feitos com pneus duros, com janelas de pit-stop entre as voltas 16 e 22 para a primeira visita aos boxes e entre as voltas 40 e 46 para a segunda. Importante colocar que o tráfego e a dificuldade de ultrapassagem continuam sendo fatores-chave e podem levar várias equipes a optar por uma estratégia de uma parada.”

Agora é entender quem vai arriscar mais.

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