A sexta-feira (21) da Fórmula 1 nos Países Baixos mostrou que a 12ª etapa da temporada 2026 tem tudo para ser das mais equilibradas. Embora a pole-position da prova curta tenha ficado com a Mercedes, que lidera o Mundial de Construtores com folga, McLaren e Ferrari marcaram forte presença nessa briga, com os pilotos do top-4 separados por menos de 0s1.
Desta vez, porém, o responsável por colocar as Flechas de Prata no topo foi George Russell, que entendeu melhor do que os rivais como lidar com os pneus macios na parte final. Andrea Kimi Antonelli, por sua vez, cometeu um erro no SQ1 e viu o assoalho sofrer danos, o que acabou com as esperanças de superar o companheiro de equipe em Zandvoort.
Se quiser fazer isso, agora terá pela frente Lando Norris, Charles Leclerc e Oscar Piastri — uma tarefa nada simples no apertado traçado neerlandês. Enquanto isso, lá atrás, a Aston Martin, por mais bizarro que possa parecer em um primeiro momento, sofreu com o “excesso de potência” da nova unidade de potência da Honda. Será que tem solução?
Diante disso, o GRANDE PRÊMIO lista cinco pontos da sexta-feira da Fórmula 1 nos Países Baixos.
Russell finalmente veio para a briga?
Ainda é cedo para dizer que George Russell vai se manter na briga entre os ponteiros ao longo de todo o fim de semana, mas o início da jornada pelos Países Baixos não poderia ter sido melhor para ele. Com o crescimento de Ferrari e McLaren, que lideraram as primeiras duas fases da classificação, era difícil apostar na pole-position do britânico. No entanto, além do ótimo trabalho da Mercedes com a estratégia de entrega de energia por parte da unidade de potência, o piloto obviamente possui os próprios méritos em ser o que teve mais capacidade de extrair performance dos pneus macios, obrigatórios apenas no SQ3.
Em uma pista que exige tanto da borracha, isso definitivamente fez a diferença. Até porque foi no detalhe: anotou 1min11s567 e terminou somente 0s099 na frente de Oscar Piastri, o quarto colocado — Lando Norris e Charles Leclerc, o segundo e o terceiro, ficaram a menos de 0s06. Cenário que o ajuda a ganhar ainda mais confiança, visto que Andrea Kimi Antonelli, que passeou pela brita ainda no SQ1 e passou a conviver com danos no assoalho a partir de então, terminou apenas em quinto.
Se Russell é alguém que se apega a números, vai gostar dessa estatística: nas duas sprints em que largou da pole até aqui em 2026, na China e no Canadá, conquistou a vitória. E convenhamos que a missão é teoricamente mais fácil na travada pista de Zandvoort. Para isso, porém, vai precisar largar bem, algo que não aconteceu na última vez, na Hungria, quando ficou parado e despencou no grid. De qualquer forma, o curto trajeto de 199 metros entre o primeiro colchete até a curva 1 é mais um fator que joga a favor dele. Se ainda sonha com o título, não pode mais cometer erros.

A ameaça papaia
Se George Russell lidou bem com a troca do composto médio para o macio na fase final da classificação, Lando Norris e Oscar Piastri admitiram que tiveram mais dificuldades. Claro que largar da pole-position seria maravilhoso e aumentaria muito as chances de saírem com a vitória, mas a derrota por centésimos está longe de ser uma má notícia para os papaias. E nem eles encaram desta forma. Como o chefe Andrea Stella destacou, a equipe “começou de onde parou” na Hungria, quando subiram no degrau mais alto do pódio com o britânico do #1.
Com o objetivo de incomodar ainda mais a Mercedes, líder do Mundial de Construtores com certa folga, o time de Woking desembarcou em Zandvoort com melhorias na tampa do motor, entrada de ar dos freios traseiros e, talvez a principal delas, a asa traseira, que conta com um design para lá de curioso, com endplates mais onduladas. A ideia é ajudar a controlar melhor o fluxo de ar que sai da região dos pneus e, consequentemente, reduzir ou administrar o impacto dessa turbulência no vórtice gerado na ponta da asa.
A verdade é que a McLaren de 2026 está cada vez mais parecida com aquela equipe dos anos anteriores, que se tornou bicampeã: carro sólido e atualizações que funcionam quase que imediatamente. O GP da Hungria não foi apenas um caso isolado, os laranjinhas realmente descobriram o melhor caminho de desenvolvimento do MCL40. E desvendar a unidade de potência da Mercedes, um dos problemas há alguns meses, não tem sido mais um grande desafio.

E a Ferrari, hein?
A Ferrari enfrentou uma sexta-feira de sentimentos mistos. Charles Leclerc se entendeu muito bem com a SF-26 desde os primeiros momentos e se colocou como o mais rápido da dupla nas três fases da classificação sprint: a diferença em relação a Lewis Hamilton foi de 0s140 no SQ1, 0s255 no SQ2 e incríveis 0s569 no SQ3. Como resultado da “melhor volta do ano”, como ele mesmo destacou, brigou até o fim pela pole-position, perdendo a briga para George Russell por detalhes.
Por outro lado, o heptacampeão mundial disse que ajustes feitos entre o treino livre e a atividade que definiu o grid de largada “mudaram completamente” o carro. Mas, sinceramente, nada com o que o time de Maranello deva se preocupar. Ainda que tenha sido no treino livre, o britânico mostrou que há potencial para mais, embora precise parar de cometer alguns erros.
Importante destacar que a Ferrari levou mais atualizações para Zandvoort, com alterações no assoalho, difusor e também na beam wing — tudo com o objetivo de aumentar a carga aerodinâmica. Com o bom desempenho em curvas que os italianos possuem desde o início da temporada, eles serão uma pedra nos sapatos de Mercedes e McLaren ao longo de todo o fim de semana.

Novo contrato, velhas reclamações
De contrato recém-renovado com a Red Bull, Max Verstappen reconheceu que o RB22 melhorou entre o treino livre e a classificação sprint, mas deixou claro que os taurinos seguem “um passo atrás” das rivais. Ao longo da sexta-feira, o tetracampeão mundial voltou a reclamar das reduções de marcha e problemas de equilíbrio, principalmente no eixo traseiro. Não é segredo que o carro possui uma janela muito estreita de funcionamento, situação que fica ainda mais complicada devido à falta de aderência da pista em Zandvoort e também às fortes rajadas de vento.
Vale lembrar que o lesionado Isack Hadjar é ausência nesse fim de semana. Liam Lawson foi responsável por assumir a vaga do francês e poderia muito bem ter ido além do 11º lugar, é verdade, mas também não dá para condená-lo. Com apenas um treino livre à disposição, o neozelandês nem teve muito tempo para se adaptar ao carro. Sem dúvidas deve evoluir nas próximas atividades.
Mas e Yuki Tsunoda? Também não perdeu a oportunidade. Esquecido pela Red Bull, o japonês recebeu a oportunidade de mostrar para as equipes do grid que ainda tem valor. Se será o suficiente para ingressar em algum outro projeto só o tempo dirá, mas até aqui entregou o que a Racing Bulls esperava.

Um passo de cada vez
Se a Aston Martin sofreu com a falta de força do motor Honda na primeira metade da temporada, o problema agora parece ser exatamente o oposto. De acordo com Fernando Alonso, a última posição no grid da sprint aconteceu muito por causa do “excesso de potência” da nova unidade — algo que, sinceramente, já era esperado. Isso porque a fabricante japonesa alterou profundamente o processo de combustão, o que afeta também a resposta do propulsor, principalmente nas frenagens.
No fim das contas, esse é um caminho que os esmeraldinos terão de trilhar. O fato de o fim de semana ser no formato sprint complica um pouco mais, visto que a equipe só teve mesmo um treino livre para coletar dados do novo motor, que ainda vai precisar de ajustes finos ao longo das próximas etapas.
Esse cenário, inclusive, assemelha-se muito àquele vivido pela Audi no início da temporada, que só melhorou mesmo a partir da primeira atualização do ADUO na Catalunha. Desde então, Gabriel Bortoleto e Nico Hülkenberg se tornaram muito mais competitivos, pois o carro se tornou mais previsível. Ou seja, a sexta-feira estranha da Aston Martin não é o fim do mundo.

O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades do GP dos Países Baixos, 12ª etapa da temporada 2026, AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificações e corridas em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV. Além da cobertura completa, o GRANDE PRÊMIO está in loco com o repórter Leonid Kliuev.
GP dos Países Baixos de F1: veja os horários em Brasil, Cabo Verde, Portugal, Angola e Moçambique:
Horários no Brasil*
- Corrida sprint: 07:00
- Classificação: 11:00
- Corrida: 10:00
Horários em Cabo Verde
- Corrida sprint: 09:00
- Classificação: 13:00
- Corrida: 12:00
Horários em Portugal e Angola
- Corrida sprint: 11:00
- Classificação: 15:00
- Corrida: 14:00
Horários em Moçambique
- Corrida sprint: 12:00
- Classificação: 16:00
- Corrida: 15:00
*Horário de Brasília