CEO da Cadillac, Dan Towriss afirmou que Graeme Lowdon já sabia que a troca de comando na equipe de Fórmula 1 aconteceria em algum momento e explicou a razão de ter sido agora, quando a categoria se prepara para o retorno das férias. Além disso, o dirigente negou que os resultados nas pistas tiveram qualquer impacto na decisão, que, de acordo com ele, não foi tomada de maneira mútua.
A escuderia norte-americana pegou a todos de surpresa nesta quarta-feira (12) ao anunciar Marcin Budkowski como novo chefe do time. O engenheiro polonês possui um currículo recheado no esporte a motor, com passagens por Ferrari, McLaren, Alpine e até pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA), tudo isso nos últimos 23 anos de carreira.
“Graeme e eu conversamos nesta manhã. Nesse sentido, é uma conversa muito recente. Mas não existe uma maneira fácil de fazer essa transição dentro da F1. Consegue imaginar como seria deprimente fazer um tour pela fábrica ou ter essas conversas? A partir desse momento, torna-se desestabilizador, então é importante respeitar as atribuições da liderança que está no comando naquele momento”, começou Towriss em conversa com o portal neerlandês GPblog.
“Isso acaba encurtando o processo de tomada de decisões, o cronograma e a forma como essas coisas se desenrolam. Faz com que tudo pareça mais abrupto do que seria de outra maneira, mas essa é a natureza da F1 e foi assim que precisou acontecer”, acrescentou, antes de explicar o motivo de a troca ter sido efetuada ainda no meio da temporada, com pelo menos 11 corridas pela frente.
“Estamos neste ponto de inflexão com a chegada das férias de verão. É importante lembrar a todos que começamos esta equipe do zero. E agora, olhando para a fase de desenvolvimento, existe uma oportunidade real de construir algo novo, que sempre foi nossa ambição. E acho que a mudança na liderança se encaixa nisso”, pontuou.
“Graeme e eu estamos construindo esta equipe há quase quatro anos. Então, sempre quisemos ter um plano para levá-la até este ponto e, depois, realmente passar o bastão para outra pessoa e colocar em andamento uma série de coisas para esta próxima fase de desenvolvimento. Por isso, este é o momento perfeito para fazer essa mudança, enquanto entramos na segunda metade da nossa primeira temporada, ou temporada inaugural, e também começamos a pensar em desenvolver o carro de 2027”, seguiu.

Recentemente, em entrevista à revista francesa AutoHebdo, Lowdon falou com orgulho da estrutura da Cadillac e até revelou que a equipe vai construir uma nova fábrica em Fishers, subúrbio de Indianápolis, com área aproximada de 42 mil metros quadrados. Embora a sensação fosse a de que o britânico realmente contasse com uma permanência mais longa no cargo, Towriss apontou que o ex-chefe sempre soube que deixaria a função uma hora ou outra.
“Graeme e eu sempre conversamos sobre como haveria uma transição em algum momento. Essa decisão cabia a mim. Então, acredito que existe uma janela de oportunidade muito estreita quando olhamos para o que estamos construindo e para a oportunidade de criar algo novo e inovador. Foi o momento certo, levando em conta as circunstâncias existentes tanto dentro do esporte quanto dentro da equipe. Portanto, este é o momento e o lugar certos para dar esse passo daqui para frente”, cravou.
Na sequência, negou que a falta de resultados por parte de Sergio Pérez e Valtteri Bottas tenha impactado na decisão. A bordo do MAC-26, que sofreu sérios problemas de confiabilidade até aqui, principalmente com freios e suspensões, a dupla não foi capaz de somar sequer 1 ponto em 11 corridas, o que deixou a equipe na última colocação do Mundial de Construtores.
“O momento para essa mudança chegou antes do que se esperava. Mas não diria que isso aconteceu por causa do desempenho ou das dificuldades das últimas semanas. Trata-se realmente de ter uma visão clara do que estamos construindo para o futuro, do ritmo de progresso e de garantir que isso esteja alinhado com as ambições dos proprietários. Foi uma decisão minha. Não foi uma decisão mútua. O processo começou há alguns meses, quando passamos a analisar qual seria a próxima fase da Cadillac, qual seria o momento certo, como isso se desenrolaria e quais seriam as capacidades das diferentes pessoas disponíveis no mercado”, destacou.

“Não acho justo dizer que ele estava aqui em uma função interina. Isso realmente é uma questão de desempenho e de como as coisas evoluíram. E essas certamente serão conversas que ficarão entre Graeme e eu, sobre onde estávamos alinhados e onde não estávamos. O que posso dizer é que tenho imenso respeito por tudo o que foi realizado. Graeme e eu passamos por muita coisa juntos; este não foi um período interino para mim nem para Graeme. Foram quase quatro anos de planejamento, construção e realização de todas as etapas”, encerrou o CEO da Cadillac.
A Fórmula 1 está de férias. A categoria retoma as atividades da temporada 2026 de 21 a 23 de agosto, com o GP dos Países Baixos, em Zandvoort.