10 anos depois da morte de Jules Bianchi, Charles Leclerc compartilhou as memórias que tem do amigo em um texto no site da Fórmula 1. Em uma crônica publicada com a assinatura do monegasco, ele recorda da amizade com o piloto francês, que faleceu 9 meses depois do grave acidente sofrido no GP do Japão de 2014.
O irmão mais velho de Charles, Lorenzo Leclerc, era melhor amigo de Jules, que virou padrinho da carreira do hoje piloto da Ferrari. O dono do #16 recordou as proximidades das famílias e os primeiros embates na época do kart.
“As primeiras memórias que tenho de Jules não são do piloto, mas da pessoa que conheci, já que vi ele muito mais como humano do que como piloto. Passamos muito tempo juntos crescendo e nossas famílias eram e ainda são ainda muito próximas. Meu irmão mais velho e ele eram melhores amigos. Ele sempre estava por perto”, declarou.
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“Normalmente, rental karts são para adultos, mas o pai dele gerenciava a pista e nos deixava fazer coisas que não eram permitidas. Eu me inspirava nele, então, correr com ele, meu irmão mais velho, o irmão dele mais novo e tantos outros era incrível. Nós nos divertíamos muito. Esperávamos todos saírem e a pista fechar para andar. Depois, ficávamos loucos lá por horas e horas. São as memórias mais especiais da minha vida”, seguiu.
Pela Fórmula 1, Jules disputou 34 corridas entre 2013 e 2014, todas pela equipe Marussia. O nono lugar no GP de Mônaco de 2014 até hoje é lembrado, já que foram os primeiros pontos do time na categoria. Leclerc falou sobre a inspiração que tem na competitividade do piloto francês, e recordou uma situação relacionada à prática de squash.
“Jules era a pessoa mais competitiva que conheci, e sinto que tenho essa competitividade por causa dele. Quando fazíamos as corridas, existia uma competitividade, mas também nas coisas estúpidas que fazíamos em casa. Era do mesmo jeito. Ele ficava muito frustrado se perdesse qualquer coisa”, declarou.
“Ele era muito obcecado em uma maneira que, se não fosse bom o suficiente em algo, você o veria de novo em um, dois ou três meses e ele teria treinado em toda oportunidade. Lembro de jogar squash com ele. Nas primeiras vezes que joguei com ele, já era muito melhor que eu, mas cinco ou seis meses depois, ele organizou um torneio com um dos top-20 do mundo. E ele foi muito bem, o que era impressionante porque ele treinava todo dia para melhorar no squash. É uma característica que sempre admirei”, seguiu.

Bianchi se acidentou durante o GP do Japão de 2014, durante uma verdadeira tormenta que caía em Suzuka. Piloto afiliado da Ferrari, mas que defendia a Marussia, escapou da pista em trecho de aquaplanagem e acertou um trator que recuperava o carro de Adrian Sutil, que tinha saído da pista do mesmo jeito pouco antes. O piloto foi diagnosticado, então, com uma lesão axional difusa e jamais recuperou a consciência. Permaneceu no hospital até a morte, em agosto do ano seguinte.
“Ele nunca, jamais desistiria. E sempre trabalharia para ficar melhor em algo. Em qualquer coisa que fizesse, ele daria o máximo. Espero que Jules seja lembrado como um piloto talentoso, que infelizmente não teve a chance de estar em um time de elite com um carro que pudesse mostrar o talento dele. Existem pessoas que você enxerga além dos olhos e do sorriso o quão boas são. E Jules era uma deles. Esta é provavelmente a coisa mais importante para relembrar dele. O quão humano ele era e o quão dedicado a alcançar seus objetivos”, completou.