Desde que assumiu o comando da Williams em 2023, James Vowles soube que levaria tempo até ver a equipe novamente competitiva na Fórmula 1 por causa da estrutura obsoleta das instalações da fábrica em Grove versus as limitações de orçamento. Passados três anos, algumas coisas mudaram, mas o britânico afirmou que a mudança de regulamento em 2026 expôs que a infraestrutura atual ainda está longe o ideal.
Vowles admitiu, contudo, que o déficit de desempenho contra as rivais diretas no pelotão intermediário pegou todos de surpresa. “A dimensão do nosso retrocesso me surpreendeu, caso contrário, teria sido claro ao comunicar isso, mas aconteceu”, disse em entrevista ao site oficial da F1.
“Nosso papel agora é fazer um balanço, corrigir os problemas e seguir em frente. É simples assim. Estou confiante de que, assim como no ano passado, vamos dar um passo à frente. Não tenho a menor dúvida disso”, garantiu, ainda que tenha reconhecido que o choque de realidade foi necessário.
“Precisávamos passar por isso”, continuou o dirigente. “Não estamos em nível de brigar pelo campeonato. Tenho dito isso há três anos e continuo dizendo hoje. Não estamos. Quem dera estivéssemos. Você fica exposto nessas grandes mudanças de regulamento. Precisamos de uma estrutura de suporte — equipe, sistemas, processos, hardware — que impeça retrocessos quando o jogo muda, como acontece com um novo regulamento”, salientou.
Depois, ao ser questionado sobre as lições tiradas do período à frente do time de Grove, Vowles chamou a responsabilidade. “Aprendi que algumas dessas coisas levam um pouco mais de tempo do que eu gostaria. Não somos mais guiados apenas por planilhas de Excel, o que é ótimo, mas ainda somos antiquados em termos de sistemas, processos e métodos de trabalho”, confessou.
“Às vezes, é preciso levar esses ‘tapas na cara’ para garantir que está promovendo mudanças suficientes e com a rapidez necessária. Não somos a única equipe no grid [nessa situação]. Se observarmos alguns comentários feitos por certas pessoas, veremos que existe um grupo de quatro equipes de ponta que possuem esses sistemas e estruturas, e depois há as outras”, completou.

Vowles, então, voltou a colocar o teto de gastos no centro do debate por impedir que as equipes menores invistam em mais recursos para serem capazes de trabalhar no desenvolvimento do carro. E elencou o desafio que tem sido para a Williams fazer o mesmo, por exemplo, que a Aston Martin, ao trazer um carro quase novo na Hungria.
“O teto orçamentário foi a melhor coisa que já surgiu — mantenho essa opinião —, mas ele também acabou consolidando algumas dessas ineficiências. Agora, temos de nos esforçar muito para eliminá-las, ao mesmo tempo em que precisamos produzir um carro para ir à pista e atualizá-lo”, explicou.
“Tomamos decisões ousadas sobre o que faríamos com alguns sistemas que simplesmente não estavam funcionando. Descartar sistemas fundamentais no meio da temporada… garanto que não há outra equipe no grid tentando fazer isso. Também estamos tentando criar um chassi totalmente novo no meio da temporada. Isso costumava ser comum, mas não é mais. É um desafio enorme”, concluiu.
A Williams tem 11 pontos no Mundial de Construtores, mas não pontua desde o GP de Mônaco, o sexto da temporada 2026.
A Fórmula 1 está de férias. A categoria retoma as atividades da temporada 2026 de 21 a 23 de agosto, com o GP dos Países Baixos, em Zandvoort.
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