- Resumo
- F1 terá seis GPs entre 24 de setembro e 8 de novembro, com sprint em Singapura e 158 pontos disponíveis no período.
- Mercedes chega à reta com 503 pontos, à frente de Ferrari, McLaren e Red Bull, enquanto Williams prepara grande pacote para Baku.
- Trocas de componentes da unidade de potência já provocaram punições em 2026 e podem voltar a pesar na sequência, especialmente entre pilotos que ultrapassarem as alocações regulamentares.
A partir deste fim de semana, no Azerbaijão, a Fórmula 1 dará início a uma das sequências mais intensas da temporada 2026. Com passagens por Baku, Singapura, Malásia, Estados Unidos, México e Brasil, serão duas rodadas triplas com apenas uma semana de descanso entre elas — um total de 158 pontos em jogo que podem selar de vez o título de Andrea Kimi Antonelli ou até sacudir a ordem de forças no Mundial, uma vez que atualizações e punições por troca de motor são esperadas para este período.
Última sprint do ano e chance de match-point para Antonelli
A maratona traz ainda a última corrida sprint do ano, no estreito e sinuoso traçado urbano de Singapura, e, curiosamente, Antonelli só venceu uma até aqui, na Inglaterra. O líder nas estatísticas de 2026 é George Russell, que levou três, enquanto Lando Norris venceu a prova curta de Miami.
Só que Kimi domina os domingos, com oito vitórias em 14 corridas já disputadas na temporada — uma performance que o fez sair de Madri, palco da última etapa do calendário, com 81 pontos de vantagem sobre Russell, segundo colocado (292 × 211). Matematicamente, o primeiro match-point do prodígio da Mercedes pode ser jogado justamente em Singapura. Para isso, Antonelli precisa sair da etapa com pelo menos 151 pontos de vantagem.
Todos contra Antonelli: as atualizações que os rivais preparam
Dentre as quatro equipes que brigam pelo topo da tabela, a McLaren estuda introduzir mais atualizações ao MCL40 em Baku. O chefe, Andrea Stella, no entanto, reconheceu que o circuito do Azerbaijão não é particularmente adequado às características do carro, apontando Malásia, Austin e Brasil como pistas mais favoráveis para que Lando Norris e Oscar Piastri consigam extrair mais do potencial do pacote.
A McLaren é a equipe que mais ofereceu resistência à Mercedes, com Norris vencendo duas corridas (Hungria e Países Baixos) na pista, sem depender de circunstâncias externas. A terceira vitória, aliás, quase veio na Espanha, mas o safety-car virtual no momento inoportuno acabou com a corrida do #1 e colocou justamente Antonelli na liderança da prova.

Do lado da Ferrari, que também acumula duas vitórias no ano (com Lewis Hamilton em Barcelona e com Charles Leclerc em Silverstone), a meta, segundo Frédéric Vasseur, é “pressionar até o fim” do ano, levando pequenas atualizações para cada fim de semana de corrida, alternando componentes mecânicos e aerodinâmicos. Além disso, o desenvolvimento da SF-26 também é uma estratégia de trabalho visando 2027, conforme explicou o dirigente francês em entrevista recente.
A Red Bull, por sua vez, pode ser a primeira das ponteiras a começar a voltar o foco totalmente para 2027. Apesar dos seis pódios de Max Verstappen, o pacote aerodinâmico do RB22 é o mais problemático dos três adversários diretos da Mercedes, o que deixa a equipe muito mais refém das características do circuito do que de uma evolução significativa do carro. Além disso, o Red Bull Ford foi considerado pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA) a unidade de potência referência do grid, deixando-o de fora das concessões segundo as regras do ADUO.
Mercedes ainda guarda ás na manga
Embora com uma vantagem confortável tanto no Mundial de Pilotos quanto no de Construtores, a Mercedes prepara mais um grande pacote de atualizações para Sepang, que vai receber o GP do Bahrein diante da impossibilidade da realização da prova em Sakhir. O clássico circuito da Malásia é conhecido pelas duas longas retas que possui, característica que favorece o motor Mercedes, sobretudo a ótima gestão da bateria da unidade de potência alemã.
Além disso, contrariando todas as expectativas, a Mercedes ganhou o direito de fazer ao menos uma atualização no motor este ano. O novo pacote deve ser introduzido durante a rodada tripla entre os GPs do Azerbaijão, Malásia e Singapura, embora ainda não exista uma data definida para a estreia.

Punições à vista: quem está na berlinda por troca de motor
Este é um ponto delicado e envolve o principal adversário de Antonelli na briga pelo título da F1 2026: Russell. Ele está no limite dos motores a combustão interna (ICE), turbocompressores (TC), sistema de escapamento (EX), bateria e central eletrônica (CE), muito em função dos inúmeros problemas com a unidade de potência nas primeiras provas. A Mercedes, no entanto, escolheu a Itália para pagar a punição de grid de Antonelli, deixando Russell livre para brigar pela vitória.
Só que George não apenas perdeu a corrida, como viu Kimi, que largou em 19º, terminar no lugar mais alto do pódio. Certo de que virar o jogo será praticamente um milagre, Russell agora terá de ver o melhor momento das dez etapas que restam para trocar o motor. A única coisa que espera, portanto, é já ter a versão atualizada com o ADUO para conter os danos.
A situação é a mesma do lado da Ferrari, com Leclerc. A previsão inicial da Ferrari era guardar a troca para Austin, porém a equipe já considera antecipar a sanção para o Azerbaijão por instalar uma nova unidade de potência. O motivo está relacionado ao acidente sofrido pelo #16 em Monza: a Ferrari inicialmente retirou o motor atualizado que Leclerc utilizava por receio de danos, mas a peça foi salva.
Só que o time de Maranello vai usar o motor da Itália em treinos livres para ter certeza de que não houve danos mais sérios. Com isso, Leclerc deve receber o novo motor em Baku, neste fim de semana, perdendo, no mínimo, dez posições no grid, dependendo do número de componentes novos excedidos.

Estrategicamente, Baku faz sentido por ser um circuito de rua no qual a longa reta facilita ultrapassagens. O próprio Vasseur havia indicado que a Ferrari avaliava a pista como uma possibilidade para cumprir a punição de Leclerc.
De Baku a Interlagos: o que cada pista guarda para os pilotos
As seis corridas seguintes do calendário trarão praças bastante mistas: pistas de rua, longas retas e também circuitos na altitude, que mexe principalmente no mapeamento dos motores. A maratona começa em Baku e o retão de 2,2 Km, que é o principal ponto de atenção dentro do atual regulamento. Por mais que a Mercedes seja a equipe que melhor trabalha o gerenciamento da bateria, Russell teve problemas em Spa-Francorchamps justamente por ficar sem potência ao final da reta Kemmel, que possui metade da extensão da reta do traçado azeri. Apesar deste trecho desafiador, a parte que pega a região antiga da cidade oferece muitos pontos de regeneração de energia.
Depois de Baku, a parada seguinte é Sepang, que não recebe a F1 desde 2017. E aqui pode residir um problema ainda mais sério que o Azerbaijão, uma vez que o traçado malaio conta não com uma, mas duas longas retas em sequência separadas por um hairpin. Além disso, é um traçado que combina também curvas rápidas, zonas de frenagens fortes, além da característica instabilidade no tempo. E tudo isso pode fornecer uma ordem de forças diferentes, novamente com foco na unidade de potência.
Singapura traz o penúltimo traçado urbano do calendário, e o foco aqui será a classificação, dada a já conhecida dificuldade para ultrapassar. O formato sprint também cria um desafio a mais por deixar as equipes com apenas um treino livre à disposição para acertar o carro. Teoricamente, porém, é um tipo de traçado que pode colocar a Ferrari em evidência pela SF-26 gostar de pistas de curvas de média e baixa velocidade, que exigem mais da eficiência aerodinâmica e não tanto do motor.

Depois de uma necessária semana de descanso, Austin abre a perna americana do calendário, a partir de 23 de outubro. O Circuito das Américas combina curvas de alta velocidade, mudanças de elevação e longas retas. É também uma pista em que a eficiência aerodinâmica e a capacidade de manter os pneus na janela correta podem mudar significativamente a leitura do fim de semana. A etapa também deve marcar a introdução dos últimos pacotes relevantes de atualizações para quem ainda busca melhorias na reta final da temporada.
Dos Estados Unidos, a F1 parte para a altitude do México. O Autódromo Hermanos Rodríguez fica a 2.285 metros acima do nível do mar, um fator crucial na Fórmula 1 porque o ar rarefeito e com menor densidade de moléculas altera drasticamente o comportamento aerodinâmico, o resfriamento e o rendimento do motor. Na prática, é mais uma pista de difícil ultrapassagem e que será preciso entender na sexta-feira o comportamento dos carros para traçar a melhor estratégia.
Por fim, Interlagos encerra a maratona, dessa vez sem a corrida sprint. Ainda que bem menor que a da Cidade do México, a altitude também é um ponto a ser levado em conta por estar a cerca de 800 metros acima do nível do mar. Além disso, é uma pista com trechos de elevação, freadas fortes e curvas mais sinuosas, um traçado old school que combina um pouco de tudo e costuma proporcionar boas corridas. Resta saber como os carros de 2026 vão se comportar na icônica pista.
Perguntas frequentes
Quantos pontos estarão em disputa entre Baku e São Paulo na F1 2026?
Serão 158 pontos: 150 distribuídos pelos seis GPs e mais oito pela sprint de Singapura.
Quais são as seis corridas da sequência?
A maratona começa no Azerbaijão, passa pela Malásia, que receberá a etapa originalmente destinada ao Bahrein, segue para Singapura e depois vai para Estados Unidos, México e São Paulo.
Pilotos podem receber punição por troca de motor nesse período?
Sim. Se um piloto ultrapassar a alocação regulamentar de determinado componente da unidade de potência, recebe punição no grid. A primeira ocorrência rende dez posições e as seguintes, cinco por elemento excedente; punições superiores a 15 posições resultam em largada do fim do grid.
A F1 volta à ação neste fim de semana, de 24 a 26 de setembro, com o GP do Azerbaijão. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades da corrida em Baku AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificação e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV.
GP do Azerbaijão de F1: veja os horários no Brasil, Cabo Verde, Portugal, Angola e Moçambique:
Horários no Brasil*
Quinta-feira (24)
- Treino livre 1: 05:30
- Treino livre 2: 09:00
Sexta-feira (25)
- Treino livre 3: 05:30
- Classificação: 09:00
Sábado (26)
- Corrida: 08:00
Horários em Cabo Verde
Quinta-feira (24)
- Treino livre 1: 07:30
- Treino livre 2: 11:00
Sexta-feira (25)
- Treino livre 3: 07:30
- Classificação: 11:00
Sábado (26)
- Corrida: 10:00
Horários em Portugal e Angola
Quinta-feira (24)
- Treino livre 1: 09:30
- Treino livre 2: 13:00
Sexta-feira (25)
- Treino livre 3: 09:30
- Classificação: 13:00
Sábado (26)
- Corrida: 12:00
Horários em Moçambique
Quinta-feira (24)
- Treino livre 1: 10:30
- Treino livre 2: 14:00
Sexta-feira (25)
- Treino livre 3: 10:30
- Classificação: 14:00
Sábado (26)
- Corrida: 13:00
*Horários de Brasília