O retorno de Sepang ao calendário da Fórmula 1 neste fim de semana traz um inevitável misto de nostalgia — afinal, trata-se de uma das pistas clássicas da era moderna pela desafiadora combinação de freadas fortes com trechos de alta velocidade —, expectativa e também temor, tanto pelas mudanças no regulamento de 2026 quanto pelo risco alto de chuva para os três dias de atividades. A preparação para o fim de semana, portanto, ganha ainda mais peso para as equipes do grid.
Malásia foi a alternativa logística achada pela F1 para amenizar o impacto da impossibilidade de Sakhir receber o GP do Bahrein. Projetado por Hermann Tilke, Sepang apareceu pela primeira vez no calendário em 1999 e em grande estilo: foi a corrida que marcou o retorno de Michael Schumacher à temporada após quebrar a perna no GP da Inglaterra.
O traçado da pista possui 5,5 km de extensão, com 15 curvas que combinam trechos longos de aceleração máxima (com destaque para as duas retas ligadas pelo hairpin), zonas de frenagens fortes e variações entre curvas de baixa, média e alta velocidade. Além disso, a última vez que o asfalto passou por um recapeamento completo foi em 2016. Depois, em 2023, as curvas 7 e 12 receberam novo piso a pedido da Federação Internacional de Motociclismo (FIM), uma vez que a MotoGP também corre por lá, mas ainda é um asfalto considerado altamente abrasivo.
Com relação ao acerto dos carros, Sepang exige principalmente equilíbrio aerodinâmico para que haja rendimento tanto nas sequências mais rápidas (curvas 5, 12 e 13) quanto nas de baixa velocidade (curvas 1, 9 e 15). Um carro estável nas entradas das curvas e com tração eficiente nas saídas dos setores mais lentos faz toda a diferença.
Gestão da bateria: a dor de cabeça das equipes em Sepang
A questão, todavia, é que 2026 oferece um fator diferente: a alta dependência da gestão da bateria. As unidades de potência atuais funcionam com cerca de 50% da força provenientes da parte elétrica, e essa regeneração é feita principalmente nas frenagens.

Só que os pilotos terão de dosar muito bem a administração da bateria para não ficarem sem energia nos trechos de reta, que não são poucos. A aceleração plena, na verdade, também oferece a possibilidade de regeneração de energia através do super clipping, que é quando o MGU-K começa a jogar potência para a bateria em vez do motor de combustão, proporcionando até 350 kW de energia.
O efeito contrário é a perda de velocidade, o que não agrada em nada os pilotos. Além disso, as curvas rápidas também terão de ser feitas em velocidade menor que a esperada justamente para controlar essa energia recuperada.
Calorão e chuva: o que esperar do clima na Malásia
Outro desafio característico da Malásia é o clima. O calor e a alta umidade prometem sensação térmica acima dos 40°C, o que significa que a temperatura do asfalto também será alta — fator que também interfere no comportamento dos pneus.
Quanto ao calor, a FIA passou a emitir alertas para previsões acima dos 30°C, acionando protocolo que deixa à disposição coletes de refrigeração. Em 2023, no Catar, a F1 enfrentou um calor tão extremo por conta da umidade em 70% que vários pilotos chegaram à exaustão. Durante a corrida, Logan Sargeant teve um quadro de desidratação intensa e decidiu abandonar; Esteban Ocon vomitou duas vezes enquanto pilotava; Lance Stroll chegou a ter pequenos apagões ao volante e Fernando Alonso deixou o cockpit com queimadura nas costas. Fora os que resistiram, porém muito longe das condições físicas ideais.

A Pirelli vai levar para Sepang a gama intermediária, C2, C3 e C4, porém os intermediários e até os pneus de chuva extrema poderão aparecer ao longo do fim de semana. A F1 desembarca por lá de 2 a 4 de outubro, e esta é uma das épocas mais chuvosas do ano na região pela transição climática e o início das monções de nordeste. As monções são ventos sazonais que mudam de direção de acordo com a época do ano e podem provocar períodos marcantes de chuvas intensas ou de seca extrema.
A F1 sabe bem o que as monções do Sudeste Asiático são capazes de provocar. Em 2001, uma chuva torrencial caiu ainda na terceira volta da corrida e trouxe o caos, com vários pilotos aquaplanando e saindo da pista. A chuva, no entanto, parou, e a corrida, vencida por Michael Schumacher, terminou já com trechos de pista seca.
Já em 2009, a situação foi bem pior. A típica tempestade tropical alagou a pista de Sepang e provocou bandeira vermelha na volta 32. Os pilotos ficaram nos boxes por horas esperando a chuva passar, porém sem sucesso. E sem luz natural para terminar a prova, Jenson Button foi declarado vencedor, recebendo apenas metade dos pontos, uma vez que a corrida não atingiu 75% das voltas programadas completadas.
A Fórmula 1 volta neste fim de semana, de 2 a 4 de outubro, na Malásia, que recebe o GP do Bahrein. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades em Sepang AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificação e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV.
GP do Bahrein na Malásia de F1: veja os horários no Brasil, Cabo Verde, Portugal, Angola e Moçambique:
Horários no Brasil*
Sexta (2)
- TL1: 01:30
- TL2: 05:00
Sábado (3)
- TL3: 01:30
- Classificação: 05:00
Domingo (4)
- Corrida: 04:00
Horários em Cabo Verde
Sexta (2)
- TL1: 03:30
- TL2: 07:00
Sábado (3)
- TL3: 03:30
- Classificação: 07:00
Domingo (4)
- Corrida: 06:00
Horários em Portugal e Angola
Sexta (2)
- TL1: 05:30
- TL2: 09:00
Sábado (3)
- TL3: 05:30
- Classificação: 09:00
Domingo (4)
- Corrida: 08:00
Horários em Moçambique
Sexta (2)
- TL1: 06:30
- TL2: 10:00
Sábado (3)
- TL3: 06:30
- Classificação: 10:00
Domingo (4)
- Corrida: 09:00
*Horários de Brasília