A Ferrari voou e impressionou no primeiro dia de treinos no Circuito das Américas, onde a Fórmula 1 está para a 18ª etapa de 2026. A performance em classificação ficou evidente na liderança das duas sessões e mostrou que a escuderia, especialmente com Charles Leclerc, tem potencial suficiente para entrar na briga pela pole. A equipe italiana desembarcou nos Estados Unidos com o último grande pacote de atualizações da temporada e parece ter acertado o tom — apesar da distância entre a dupla na tabela de tempos. Mas é importante pontuar também que os resultados desta sexta-feira (23) não refletem necessariamente a ordem de forças em Austin. O grid está mais equilibrado do que parece. Os quatro primeiros times do Mundial estão muito próximos, o que empresta uma sensação de imprevisibilidade não só para o sábado, mas principalmente para o domingo.
Diante desse cenário, a Ferrari surge como a primeira referência. Leclerc liderou os dois treinos livres, com um desempenho notável na volta única. É preciso dizer ainda que o monegasco utilizou o conjunto total de novidades da escuderia vermelha. A ideia foi refinar o acerto, ao mesmo tempo em que procurava acumular dados sobre a degradação dos pneus — algo crítico em Austin —, além da avaliação das peças novas. O destaque da performance esteve no setor central do circuito e nos trechos de média e baixa velocidade. A SF-26 ainda perde rendimento em reta, mas os engenheiros parecem ter encontrado uma maneira de minimizar. O problema maior esteve no comportamento dos pneus macios. Ótimos em um único giro, mas preocupantes em um stint mais longo, com maior carga de combustível. Ainda assim, os vermelhos têm um ritmo de corrida bastante consistente.
Ainda assim, o desempenho geral deixou a impressão que a esquadra chefiada por Frédéric Vasseur tem mais a oferecer. O novo pacote incluiu quatro itens: corpo do assoalho, placas do assoalho, entrada dos sidepods e difusor. Segundo a equipe, as mudanças buscam aumentar a carga aerodinâmica gerada pelo assoalho, melhorar a estabilidade do fluxo de ar em direção à traseira e otimizar a eficiência do difusor. São soluções importantes para um traçado como o de Austin, com tantas mudanças de direção e curvas de diferentes raios. Leclerc, de fato, se sentiu mais à vontade, enquanto Lewis Hamilton enfrentou mais dificuldades — o heptacampeão terminou o dia em quarto, 0s6 atrás do companheiro de garagem, mas só andou com as novidades à tarde.
“A sensação no carro foi muito boa. Nossas atualizações funcionaram como esperado, mas não devemos nos deixar levar por expectativas excessivamente altas para amanhã, já que acredito que nossos concorrentes ainda têm potencial a explorar”, apontou Charles, que fechou o segundo treino com o tempo de 1min35s291, apenas 0s042 à frente de Andrea Kimi Antonelli, o segundo colocado. “Antonelli e Verstappen já parecem muito fortes e, certamente, estarão entre os primeiros na classificação. Vamos manter o foco e ver o que o sábado nos reserva”, completou.
A visão do monegasco tem fundamento. De fato, a Ferrari tem potencial, mas a Red Bull e a Mercedes também oferecem enorme resistência. Max Verstappen concluiu a sexta-feira com a terceira melhor marca, quase 0s2 pior que Leclerc. Mas a performance em um stint mais longo foi expressiva. Assim como os italianos, o tetracampeão também testou as atualizações do carro taurino, sobretudo o acerto em cima de um asfalto muito ondulado. As irregularidades do piso do Circuito das Américas representam o maior desafio ao RB22. Ainda assim, Max foi capaz de fazer a diferença nas retas e ainda imprimiu um forte ritmo com o carro em condições de prova, particularmente em cima dos compostos macios.

“O fato de a pista ser tão irregular torna tudo ainda mais difícil. Tentamos encontrar um bom ritmo e equilíbrio para o carro. Trabalhamos nisso entre os dois primeiros treinos livres. Ainda há alguns ajustes a fazer, mas não foi um começo ruim de fim de semana”, avaliou Verstappen ao final do TL2.
Quem também teve a mesma sensação foi Kimi Antonelli. A Mercedes vive o mesmo dilema das rivais, porque busca interpretar as próprias atualizações. A equipe alemã lançou um pacote robusto na Malásia, mas não obteve o desempenho esperado. Já em Singapura, as novidades funcionaram parcialmente. Agora, em Austin, a ideia é avançar, para entender o que ainda precisa de ajuste.
O líder do campeonato mostrou velocidade ao longo do dia, mas o ritmo de corrida ainda parece insuficiente, diante do que a Ferrari, a Red Bull e a McLaren mostraram — as três estão separadas por apenas 0s07. Já os alemães sustentam uma desvantagem de 0s12. “Tivemos um dia movimentado no Circuito das Américas. O TL1 não foi dos melhores, já que o equilíbrio do carro estava longe do ideal. Conseguimos corrigir isso para o TL2 e demos um bom passo à frente. Agora, vamos analisar os dados durante a noite para ver se conseguimos evoluir mais uma vez. Provavelmente, precisaremos disso para ter confiança de que podemos brigar pela vitória no domingo”, começou Antonelli.
“No geral, foi um dia positivo para nós, considerando o progresso que fizemos com o pacote de atualizações. Conseguimos avançar bastante em Singapura, e é bom ver que essa evolução continua aqui, com George [Russell] e eu utilizando a mesma especificação do carro. Ainda temos trabalho pela frente para garantir que o carro opere de forma consistente na janela ideal de funcionamento, e esse será nosso foco antes do TL3”, completou.

Diante disso, já dá para imaginar uma disputa mais acirrada entre Ferrari, Red Bull e Mercedes pela pole. As três exibiram desempenho muito próximo na volta única, na prepração do pneu macio e na janela de funcionamento. Há uma divisão de forças. Enquanto os vermelhos vão melhor no segundo e no terceiro setores, por exemplo. Os taurinos e as Flechas de Prata tiram a diferença nas retas. Agora, há um ponto que inclui a McLaren no cenário: o ritmo de corrida. Embora a equipe inglesa tenha ficado longe das primeiras colocações da tabela de tempos no TL2, a performance em condição de prova foi bastante chamativa. Norris, que terminou o dia em sétimo, mas de 1s atrás — também por um erro durante a simulação de classificação —, exibiu as melhores marcas durante as voltas com o carro com maior carga de combustível.
Diretor-técnico e projetista-chefe da McLaren, Rob Marshall destacou também o equilíbrio de forças do top-4 e a performance do time em ritmo de corrida, mas admitiu que faltou explorar mais as atualizações do carro laranja. “Estamos relativamente satisfeitos com o desempenho ao longo do dia. O equilíbrio entre as quatro principais equipes está bastante apertado — mais do que os resultados do TL2 sugerem, já que claramente não conseguimos extrair todo o potencial do carro nessa sessão. Nosso ritmo nas simulações de corrida foi bastante positivo, e a série de pequenas atualizações que trouxemos para esta etapa parece estar produzindo os resultados esperados em termos de desempenho.”
“A Ferrari parece muito forte, assim como Max Verstappen, que costuma andar muito bem aqui. A Mercedes também é competitiva. Da nossa parte, vamos tentar aproveitar ao máximo os dados coletados hoje para desafiar essas equipes”, completou.
Portanto, a Fórmula 1 inicia a etapa norte-americana sem uma ordem clara de forças. E isso é mais do que se poderia desejar para a reta final da temporada.
O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades do GP dos Estados Unidos, 18ª etapa da temporada 2026 da Fórmula 1, AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificação e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV.
Horários do GP dos Estados Unidos da F1 2026
O GP dos Estados Unidos acontece de 23 a 25 de outubro, em Austin, com treinos livres, classificação e corrida.
| Dia | Sessão | Brasil | Portugal | Angola | Cabo Verde | Moçambique |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Sábado, 24/10 | Treino livre 3 | 14h30 | 18h30 | 18h30 | 16h30 | 19h30 |
| Sábado, 24/10 | Classificação | 18h | 22h | 22h | 20h | 23h |
| Domingo, 25/10 | Corrida | 17h | 20h | 21h | 19h | 22h |
Horário de Brasília para o Brasil e de Portugal continental e Madeira para Portugal.