Christian Horner revelou que tentou contratar Fernando Alonso e Charles Leclerc para serem companheiros de Max Verstappen na Red Bull em 2025, mas as duas possibilidades acabaram descartadas. Em trecho da autobiografia divulgado nesta quarta-feira (14) pelo site neerlandês NU, o ex-chefe da equipe relatou que Helmut Marko comunicou a resistência à chegada dos pilotos e contou que também conversou com Carlos Sainz antes de ser demitido.
Segundo Horner, a busca por um substituto para Sergio Pérez começou após queda acentuada no desempenho do mexicano em relação às temporadas anteriores. Durante o GP do Japão de 2024, Alonso teria manifestado interesse em dividir a garagem com Verstappen no ano seguinte. A possibilidade, porém, encontrou resistência de pessoas ligadas ao gerenciamento do tetracampeão mundial.
“O desempenho de Sergio Pérez estava irreconhecível em comparação com o piloto que ele havia sido nas temporadas anteriores. Decidi procurar um possível substituto. Durante o GP do Japão, Fernando chegou a dizer que realmente queria correr ao lado de Max na temporada seguinte. Posteriormente, Helmut [Marko], aparentemente em nome da equipe de gerenciamento de Verstappen, deixou claro que não estavam satisfeitos com a ideia”, afirmou.
Alonso não foi a única alternativa considerada pelo britânico. Horner revelou que já havia conversado com o empresário de Leclerc durante o GP do Catar de 2023 e que enxergava no monegasco características capazes de torná-lo um parceiro competitivo para Verstappen.

O ex-dirigente destacou a velocidade de Leclerc em voltas rápidas, sua determinação e a postura em relação à Ferrari. Na avaliação de Horner, o piloto poderia assumir um papel importante caso Pérez continuasse perdendo rendimento.
“Ele era rápido, forte em uma única volta e tinha um caráter determinado. Claro, ele cometia erros de vez em quando, que a Red Bull soube aproveitar, mas, independentemente da situação, ele nunca criticou a Ferrari. Charles era um jogador de equipe e sentia que ele poderia preencher a lacuna caso Sergio ficasse para trás. Além disso, ele parecia frustrado na Ferrari. Alguém na Red Bull decidiu que essa não era a decisão certa”, relatou.
Horner não identificou quem tomou a decisão de descartar Leclerc, mas fez questão de afastar a hipótese de que Verstappen tivesse sido o responsável. Segundo o britânico, o holandês demonstrava confiança suficiente para dividir a garagem com qualquer adversário.

“Pouco depois, Helmut me disse que eu deveria simplesmente esquecer Charles também. Assim como com Fernando, não ia dar certo. Soube imediatamente que essa ordem não partiu de Max”, acrescentou.
Carlos Sainz também apareceu nos planos de Horner antes da demissão
Mesmo depois de não conseguir avançar com Alonso e Leclerc, Horner continuou procurando alternativas para a vaga ao lado de Verstappen. Conforme relato publicado na autobiografia, Carlos Sainz visitou a casa do então chefe da Red Bull na quinta-feira anterior ao GP da Grã-Bretanha de 2025 para conversar sobre uma possível transferência para a temporada de 2026.
O espanhol, que já havia defendido a Red Bull antes de sua passagem por Ferrari e Williams, foi descrito por Horner como um piloto experiente, comprometido com o trabalho coletivo e disposto a se dedicar integralmente à estrutura.

“Ele veio conversar sobre uma possível mudança para a Red Bull em 2026. Ele era um piloto experiente de F1, um jogador de equipe, e sabia que ele se dedicaria ao máximo pela equipe”, ressaltou.
Cinco dias depois da visita, Horner recebeu da direção da Red Bull, em Londres, a informação de que teria de deixar o cargo. A saída encerrou uma passagem de quase duas décadas à frente da equipe, período em que a estrutura conquistou títulos mundiais com Sebastian Vettel e Max Verstappen.
A Fórmula 1 tira uma folga neste fim de semana e retorna entre os dias 23 e 25 de outubro, para a disputa do GP dos Estados Unidos. A etapa de Austin será a 18ª da temporada 2026.