A briga pelo título da Fórmula 1 2025 esquentou no primeiro 1/3 do GP de Abu Dhabi deste domingo (7). Max Verstappen não teve das largadas mais brilhantes da carreira e até permitiu pressão, mas segurou com a habilidade conhecida e manteve a dianteira. Atrás dele, porém, a ação da dupla da McLaren foi muito mais movimentada.

Enquanto Verstappen saiu da primeira curva na frente e começou a distanciar, Oscar Piastri viu o senso de urgência apitar. Apesar de ser incomodado por Charles Leclerc nos primeiros metros, deixou o rival da Ferrari para trás e partiu para cima de Lando Norris. Já no miolo da pista de Abu Dhabi, mergulhou por fora para cima do companheiro e tomou a segunda colocação. Detalhe é que, enquanto Max e Lando largaram de pneus médios, Oscar partiu de duros, pronto para um stint mais longo.

Nas voltas seguintes, Norris teve de lidar com a pressão de Leclerc, dono de ótima largada. Em dado momento, na volta sete, até ensejou colocar o carro por fora na curva um, mas não passou. Com o tempo, a força da McLaren começou a se mostrar e permitiu que o líder do campeonato abrisse e deixasse a zona de DRS.

Na marca das 20 voltas, porém, as posições estavam anormais no contexto da corrida por conta do começo da janela de pit-stops. Norris parou antes dos rivais para reagir aos pilotos imediatamente atrás dele, que também entraram, e ocupava o quinto lugar — na frente dele, Esteban Ocon, Yuki Tsunoda, todos sem parar. Já havia passado Andrea Kimi Antonelli, Lance Stroll e Liam Lawson. Gabriel Bortoleto era mais um que havia feito a parada e caiu do sétimo posto que ocupava para um momentâneo 14º.

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Com as posições normalizadas no momento, Norris voltando ao terceiro lugar, o piloto da McLaren será campeão mundial com 423 pontos contra 421 de Verstappen e 410 de Piastri. Mas há muita corrida pela frente.

Além da cobertura tradicional, o GRANDE PRÊMIO está IN LOCO em Yas Marina para acompanhar todas as emoções da etapa com o repórter Leonid Kliuev.

Confira como foram as primeiras 20 voltas do GP de Abu Dhabi:

Oscar Piastri passou Lando Norris (Foto: McLaren)

O belo entardecer em Yas Marina brindou os pilotos com 27°C de temperatura ambiente, asfalto em 30°C e umidade relativa do ar em 57% — alta assim como a expectativa para a decisão, com Verstappen largando na pole e tendo Norris ao lado, na primeira fila. Piastri, por sua vez, ficou com o terceiro lugar e foi, ao lado de Tsunoda, o único do top-10 a escolher um tipo de pneu diferente para a largada: duros contra os médios da maioria.

Em teoria, a aposta era em um primeiro stint longo, a ver como seria o comportamento dos médios em relação ao desgaste. Mas a borracha mais dura também o deixaria em certa desvantagem para brigar pelo segundo lugar contra Norris na largada.

Mas isso caiu por terra logo depois da largada, ainda na primeira volta. Verstappen, claro, apontou o carro para cima de Norris e fechou qualquer tentativa do britânico de achar espaço para disputar a freada da curva 1. Russell, em contrapartida, partiu mal e caiu para sexto, enquanto Leclerc colocou-se em quarto, imediatamente atrás da dupla papaia, só à espreita.

E eis que, no miolo do traçado, Piastri recuperou o posto de forma espetacular, em arrojada manobra por fora. Se havia suspeitas de diferença de performance por conta dos pneus, ao menos Oscar parecia mais inteiro que o colega nos giros iniciais. E, enquanto isso, Verstappen fazia a volta mais rápida e tentava estabelecer margem segura na ponta.

Volta 5, a McLaren tentava passar tranquilidade a Norris ao dizer que o plano A ainda estava de pé. Só que Leclerc crescia no retrovisor do carro #4, e uma ultrapassagem significaria ver o título escorrer por entre os dedos. Charles, então, baixou a distância para 0s4, mas a McLaren conseguia se defender bem no setor 3, impedindo aproximação efetiva para aproveitar o DRS na reta principal.

Enquanto isso, Verstappen levava 2s2 de vantagem sobre Piastri. “Vamos ver se a gente consegue colocá-lo sobre pressão”, dizia a McLaren do piloto papaia, que conseguiu tirar 0s2 em um giro. Do outro lado, porém, Lambiase avisava que o plano era tentar esticar um pouco mais o primeiro pit-stop.

Volta 9, as paradas para os que largaram de pneus macios começaram, com Hamilton e Albon entrando nos pits. O piloto da Ferrari retornou em 18º, enquanto Alex foi para o fim da fila. Até então, Verstappen, Piastri, Norris, Leclerc, Russell, Alonso, Bortoleto, Hadjar, Ocon e Tsunoda eram os dez primeiros colocados.

Enquanto Leclerc tentava manter Norris na zona de DRS para não perdê-lo de vista, Verstappen voltava a abrir 2s2 para Piastri, que levava 1s8 para o companheiro de equipe. Naquele instante, Lando ainda mantinha o desenho necessário para ser campeão por 2 pontos contra Max. E conseguiu escapar do carro #16 quando a vantagem natural da McLaren em administrar os pneus começou a aparecer. Na volta 14, Charles se viu 1s6 atrás de Norris, e a distância passou a aumentar décimo a décimo nos giros que se seguiram.

A previsão da Pirelli era de parada até a volta 26 para quem largou de médios, só que Russell, Hadjar e Bearman resolveram trocar a borracha no giro 15. De certa forma, a performance de Piastri também era um indicativo de que os pneus duros desempenhavam melhor. A questão seria entender se eles aguentariam tantas voltas a mais para eliminar a necessidade de um segundo pit-stop.

A McLaren, então, ensaiou chamar Norris em um blefe à la Ferrari, mas a parada, de fato, veio na volta 17, e Leclerc entrou junto para não deixá-lo escapar. O trabalho dos papaias foi 0s4 melhor que o dos italianos, e Norris retornou ainda à frente em posição que ainda o manteria no virtual pódio.

O detalhe é que as paradas de Norris e Leclerc foram dentro da janela de duas paradas. Paralelo a isso, Verstappen e Piastri seguiam na pista e teriam de levar o carro ao menos até o giro 20 para, teoricamente, levarem o carro até o fim com os pneus duros. Mas independentemente das trocas, Lando começou a abrir caminho entre os carros ainda sem paradas, deixando Leclerc de vez para trás.

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