Lando Norris saiu do GP do Bahrein como um dos grandes derrotados da F1. Com o melhor carro da categoria, o britânico não conseguiu fazer sombra ao companheiro, Oscar Piastri, que dominou a classificação e a corrida, enquanto o #4 sofreu para largar em sexto e terminar em terceiro, ainda atrás de George Russell. No entanto, Andrea Stella, chefe da McLaren, defendeu o “estilo mais próprio” do piloto e admitiu que o desenvolvimento do MCL39 deixou a pilotagem um pouco mais desconfortável para Norris.

Logo após a classificação no autódromo de Sakhir, Norris deixou evidente o descontentamento com o sexto lugar no grid de largada e disparou: “parecia que nunca pilotei um Fórmula 1″. O britânico ainda prosseguiu e disse estar decepcionando a McLaren por não ter ficado próximo a Piastri.

O chefe da McLaren saiu em defesa de Norris e traçou um paralelo com multicampeões da F1. Stella destacou que até mesmo os grandes nomes da categoria reclamavam quando o carro não correspondia. Mas indicou que o britânico tem “um estilo mais próprio” nessa comunicação.

“Quando falamos sobre força em um esporte profissional, nenhum atleta ou piloto — mesmo os mais dominadores, pois vi diversos múltiplos campeões da F1 —, nunca teve alguém em uma condição de querer fazer algo, mas o carro não correspondia, ficar completamente confortável”, falou o chefe da McLaren.

Andrea Stella e Zak Brown (Foto: Reprodução)

“É uma situação desconfortável, mas a maneira como Lando tem lidado com isso, de um ponto de vista significativo, é a mesma de outros campeões que vi no passado. Se tem alguma diferença, penso que Lando tem um estilo mais próprio”, completou Stella.

O chefe da McLaren indicou que Norris tem uma postura mais coletiva nesse sentido, pois observa primeiro para si antes de apontar para a equipe. O dirigente comentou que já viu muito piloto vociferar contra o time no primeiro sinal de problema.

“Já vi campeões passados apontarem o problema para outros lugares. Aqui tem algo importante, algo que admiro em Lando, e que me faz sentir muito privilegiado e sortudo como chefe de equipe, pois ele tende a absorver e colocar a culpa em si mesmo. Tira o peso das costas da equipe, como se dissesse: ‘pessoal, não foi culpa de vocês, foi minha’, mas isso não é algo totalmente verdadeiro, porque sabemos que algumas mudanças no carro deixaram a vida do Lando um pouco mais difícil”, comentou o chefe da McLaren.

“Existem alguns pilotos que apontam o dedo para a equipe assim que surge um problema, como se fosse culpa deles. Isso não é saudável, não é algo sobre o qual se constrói [um time]”, continuou Stella.

Oscar Piastri dominou Lando Norris no Bahrein (Foto: AFP)

Stella finalizou com um comentário sobre a gestão do próprio piloto. Lembrando dos tempos com Michael Schumacher na Ferrari, o chefe da McLaren lembrou que desde aquela época já havia um entorno para cada competidor, indicando ser o mesmo com Norris.

“Ao redor do piloto, existe uma equipe, o estafe, e todos nós tentamos contribuir. Às vezes com uma palavra, às vezes com uma conversa, às vezes é um processo ou uma abordagem. É necessário considerar a gestão do piloto como parte da administração de um time de F1. Para ser sincero, não é nada extraordinário o que estou falando aqui. Desde meus primeiros dias de F1, já percebia, especialmente com Michael Schumacher, o quanto de trabalho acontecia ao redor do piloto para otimizar o desempenho. Um negócio dentro do próprio negócio”, finalizou.

Fórmula 1 volta neste fim de semana, de 18 a 20 de abril, em Jedá, palco do GP da Arábia Saudita, quinta etapa da temporada 2025.

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