A McLaren deixou a sprint do GP de Singapura de Fórmula 1 2026 com apenas um ponto, depois de uma colisão entre Lando Norris e Oscar Piastri na última volta da corrida deste sábado (10). O britânico terminou em oitavo, enquanto o australiano abandonou após atingir o muro na curva 5. O acidente transformou uma oportunidade de pontuação dupla em um novo episódio de tensão interna, levando o chefe da equipe, Andrea Stella, a classificar o contato como “simplesmente inaceitável”.
O resultado foi particularmente frustrante porque os dois pilotos estavam em condições de conquistar pontos importantes. Piastri ocupava a quarta posição, seguido por Norris em quinto, enquanto ambos tentavam se aproximar de Charles Leclerc, que enfrentava dificuldades com os pneus intermediários na pista que secava em Marina Bay. Se mantivessem as posições, a McLaren somaria nove pontos, mas terminou a prova com apenas um.
A colisão aconteceu quando Norris tentou ultrapassar Piastri pelo lado interno da curva 5. O britânico colocou parte do carro ao lado do companheiro, mas encontrou menos espaço do que esperava e tentou recuar da manobra. A roda dianteira esquerda de sua McLaren atingiu a traseira direita do carro do australiano, provocando a rodada dos dois.
Piastri acabou contra a barreira de proteção e não conseguiu continuar, enquanto Norris retomou a corrida e cruzou a linha de chegada em oitavo. A colisão custou oito pontos à McLaren em relação às posições que os pilotos ocupavam antes do incidente, além de provocar danos que exigiram reparos antes da classificação principal.
Stella considera batida inaceitável e cobra pilotos
Andrea Stella não escondeu a insatisfação com o episódio. O chefe da McLaren reconheceu que a equipe não tinha velocidade para disputar a vitória, mas destacou que a possibilidade de somar pontos importantes foi desperdiçada por uma disputa entre os próprios pilotos.
“Ver duas McLaren se tocando daquela maneira é simplesmente inaceitável”, afirmou Stella, que também reforçou a necessidade de colocar os interesses coletivos acima das ambições individuais.
“Vamos discutir isso com nossos pilotos, em particular. Vamos reiterar que o interesse da equipe é muito maior do que qualquer um de nós. Não existe ego, não existe pessoa maior do que o interesse da McLaren na Fórmula 1”, acrescentou.
A reação do dirigente ganha importância porque a McLaren já havia enfrentado dificuldades para administrar as disputas entre Norris e Piastri em temporadas anteriores. A equipe estabeleceu orientações internas, conhecidas como regras papaia, para permitir que os dois disputassem posições sem comprometer os resultados coletivos.
O acidente de Singapura mostrou que essas orientações não eliminam completamente o risco de contato, especialmente quando os pilotos identificam uma oportunidade de ultrapassagem em condições difíceis de pista.
A McLaren já havia anunciado que discutiria o incidente internamente, mas a repercussão ganhou força depois que Norris confirmou ter pedido desculpas ao companheiro e à equipe.

Norris pede desculpas, e FIA divide responsabilidade
Depois da corrida, Norris explicou que considerou possível completar a ultrapassagem. O britânico afirmou que havia encontrado espaço na entrada da curva e acreditava ter direito de disputar a posição, mas reconheceu que o contato não era o resultado desejado.
“Peço desculpas por isso. Obviamente, não queria que acontecesse, mas achei que estava totalmente ao lado dele. Simplesmente fiquei sem espaço no ponto de tangência”, disse Norris pelo rádio.
Posteriormente, o atual campeão mundial confirmou que conversou com Piastri e com os dirigentes da McLaren. O britânico admitiu que nenhum dos envolvidos ficou satisfeito com a situação, mas afirmou que a equipe conseguiu discutir o episódio e seguir em frente.
Piastri também procurou evitar uma escalada pública da controvérsia. O australiano reconheceu que o acidente provocou prejuízos desnecessários e destacou o trabalho adicional exigido dos mecânicos para recuperar os carros.
“Não era uma situação que precisava acontecer. Lando pediu desculpas e seguimos em frente”, afirmou Piastri.
A FIA convocou os dois pilotos depois da sprint e analisou as imagens disponíveis, incluindo as câmeras a bordo. Os comissários concluíram que Norris e Piastri contribuíram para a colisão e que nenhum deles teve responsabilidade predominante, decidindo não aplicar punições.
A decisão dos comissários sobre o acidente entre Norris e Piastri encerrou a investigação esportiva, mas não impediu que a McLaren tratasse o episódio como uma falha de seus pilotos.
McLaren enfrenta novo teste de convivência no GP de Singapura
A colisão também expôs as dificuldades esportivas da McLaren neste momento da temporada. Enquanto Max Verstappen venceu a sprint e conquistou a pole position para a corrida principal, Norris e Piastri não conseguiram acompanhar regularmente o desempenho de Red Bull e Ferrari em Marina Bay.
O resultado da corrida curta ainda permitiu que Verstappen ultrapassasse Norris na classificação do Mundial de Pilotos, ampliando a pressão sobre a equipe britânica em uma fase na qual a recuperação de competitividade se tornou prioridade.
A situação ficou ainda mais delicada porque os dois pilotos voltaram a terminar próximos na classificação principal, garantindo posições consecutivas no grid de domingo. Isso aumenta a possibilidade de uma nova disputa direta durante a corrida, embora Stella tenha deixado claro que a McLaren não pretende aceitar outro contato entre seus carros.
O episódio não significa necessariamente uma ruptura entre Norris e Piastri. Ambos reconheceram o prejuízo, conversaram com a equipe e indicaram que pretendem seguir adiante. Ainda assim, o acidente representa um teste importante para as regras internas da McLaren, justamente quando a equipe precisa aproveitar todas as oportunidades de pontuação.
O GRANDE PRÊMIO acompanha o GP de Singapura neste domingo (11), com largada às 9h de Brasília, AO VIVO E EM TEMPO REAL, além da cobertura em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte.