O velho assunto dos quiques, comentado ao longo de toda a temporada 2022 pela força e a surpresa com a qual o porpoising apareceu na Fórmula 1 este ano, está de volta. O tópico havia perdido um pouco de força recentemente com a passagem da categoria pelos autódromos europeus, como o Red Bull Ring e o Circuito de Silverstone, que diminuem os quiques dos carros atuais pela lisura das pistas — ao contrário do que acontece em traçados de rua. No entanto, um comentário de Christian Horner novamente botou fogo no assunto.
O chefe da Red Bull, ainda em Le Castellet para a disputa do GP da França vencido por Max Verstappen no último domingo (24), comentou que “há um lobby forte” para que a FIA mude as regras com o campeonato em andamento, “para que certa equipe possa correr com seu carro mais baixo e se beneficiar pelo conceito” — claramente se referindo à Mercedes, que foi a maior prejudicada pela nova mudança.
Como não poderia deixar de ser, Toto Wolff — sua contraparte no time alemão — respondeu. De acordo com o austríaco, Horner está sofrendo com certo tédio por andar na frente e liderar o campeonato, e assim busca assuntos para se entreter na F1. Além disso, o chefão da Mercedes questionou se o britânico realmente não está tentando exercer sua influência.
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“Acho que ele apenas está entediado lá na frente”, debochou Wolff. “Eu não sei ao que ele se refere, porque no fim das contas, todos somos parte do mesmo circo, trabalhamos com os mesmos acionistas. Fazer lobby… Ele não está fazendo? Ele senta em seu escritório e não liga para ninguém?”, questionou.
Com algumas equipes ameaçando até mesmo um processo legal para resolver a situação, Wolff colocou panos quentes na situação e afirmou que não vê a atitude como algo palpável. Segundo ele, caso a mudança aconteça, seria uma forma de fortalecer a proteção à saúde dos pilotos.
“Você se questiona o motivo deles estarem lutando tanto contra”, observou. “Eu li na mídia que não é relevante, que não é uma grande mudança, então porque eles estão lutando tanto que estão ameaçando entrar com um processo? Nenhuma equipe jamais vai processar a FIA se a FIA decidir implementar alguma coisa por questões de segurança. Acho que é apenas pose”, diminuiu.
“Existe um problema crônico nos carros que não vimos aqui [na França], não vimos na Áustria e nem em Silverstone, porque são as pistas mais lisas do ano — mas não foi simplesmente embora”, avaliou. “Os carros são muito rígidos e quicam, e se você perguntar ao piloto, você provavelmente vai ter uma maioria que, questionada anonimamente, vai confirmar isso”, revelou.

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Por fim, Wolff novamente repetiu que a questão precisa ser encarada como uma necessidade de segurança, e não como uma simples mudança de regras para que se tire vantagem. Além disso, o chefão admitiu que é normal ver a equipe que anda na frente tentando bloquear qualquer tipo de mudança na categoria, de forma a se manter como primeira força.
“Acho que houve uma boa discussão entre os pilotos, e também existe um cenário que ninguém fala. Acho que vamos ver até aonde isso vai”, salientou. “Não é um assunto de comprometimento com as regras, é sobre as regras protegerem os pilotos e, se os carros estão muito rígidos e quicam demais, então vamos fazer alguma coisa já”, ressaltou.
“Claramente, quando você está na frente, quer garantir que nada mude”, admitiu o austríaco. “E quando você não está na frente, você quer garantir que muita coisa mude”, encerrou.