Se havia ainda qualquer traço de dúvida sobre as qualidades e o talento de Andrea Kimi Antonelli na Fórmula 1, isso acabou no domingo (6). O piloto de 20 anos transformou o que parecia um duro infortúnio em uma exibição poderosa, e tudo com uma naturalidade adolescente, poucas vezes vista neste esporte. É bem verdade que o italiano tem nas mãos o melhor carro do grid, mas é igualmente certo dizer que nem sempre isso basta. Há exemplos no grid atual, inclusive. O caso é que Kimi rompeu uma barreira importante ao vencer da maneira que venceu. Porque provou de uma vez por todas do que é feito e que o título mundial de 2026 ficará em muito boas mãos.
Antonelli já sabia que teria de largar do fim do grid antes mesmo do fim de semana começar em Monza. Um revés doloroso de aceitar na corrida de casa, mas necessário diante dos desafios do campeonato. E embora a corrida de recuperação tenha sido espetacular — saindo de 19º para a vitória, contra um adversário com o mesmo carro —, o que chamou a atenção foi a forma como Antonelli encarou a etapa italiana por completo. O fato de ser obrigado a largar do fundo do pelotão, em função da troca do motor, teve zero influência sobre a pilotagem e a mentalidade. Kimi não se queixou e nem abandonou a agressividade, algo que se tornou uma marca nesta ainda curta trajetória na F1. Encarou tudo com uma leveza peculiar, mas que também tem sido constante neste ano.
Talvez tenha sido Toto Wolff quem melhor resumiu essa postura. “Já faz um tempo que observo os pilotos”, disse o chefão da Mercedes aos jornalistas. “Níveis de energia, mentalidade, padrão de comportamento. Sabia que a missão de Kimi era vencer a corrida. Conversei com o pai dele ontem e ele teve a mesma sensação. Há momentos em que, vendo como um fim de semana se desenrola, sessão após sessão, você sente que algo especial pode estar a caminho.”
Estava mesmo — e isso não se aplica somente ao GP da Itália, diga-se. Talvez a calma que Antonelli consegue demonstrar seja o que realmente faltava para completar a figura desse inesperado personagem que tomou a temporada de assalto e que agora parece inevitável. A realidade é que Kimi já vem há algum tempo se preparando para esse momento.
Por isso, é importante também entender que não foi uma recuperação óbvia em Monza. A Mercedes precisou mudar a estratégia — afinal, a ideia antes da prova era de que o italiano pudesse chegar ao top-3, talvez um pódio, a depender das circunstâncias. O problema é que nem a própria equipe esperava uma performance tão avassaladora, e isso mudou todo o cenário. Foi necessário arriscar e alterar a tática, também com uma pequena ajuda da sorte — aquela de campeão.
Tudo porque Russell, com o mesmo equipamento e largando na frente, parecia favoritaço. Só que o inglês não foi capaz de abrir a vantagem imaginada na ponta, o que abriu uma chance ao dono do carro #12. É que Kimi tirou proveito de tudo que surgiu à frente, com a voracidade de quem quer a taça do mundo de verdade. Quase um resumo do que tem sido a temporada dos dois pilotos da Mercedes.
Depois do apagar das luzes, o italiano fechou a primeira volta em 13º, mas subiu uma posição pouco antes da bandeira vermelha causada por Charles Leclerc. Na nova largada, Kimi partiu para o ataque, superando com facilidade os adversários da frente, inclusive os mais fortes, como McLaren, Ferrari e Red Bull. Na volta 18, assumiu a liderança, depois de ultrapassar Max Verstappen e Russell. A partir daí, a corrida passou a acompanhar uma disputa acirrada entre a dupla da Mercedes, e a briga foi tão próxima que a equipe tentou, via rádio, acalmar os ânimos, mas sem sucesso.

Apesar das diferentes escolhas de pneus — Antonelli de médios após a paralisação e Russell de duros —, os duelos e as trocas de posição entre eles se prolongou até o safety-car virtual, causado por Lance Stroll, no giro 28. Ali, a equipe alemã decidiu dividir as táticas e parou apenas o italiano, que voltou com pneus médios, na quinta posição. De novo, escalou o pelotão e alcançou George rapidamente. Uma nova guerra se instaurou e, apesar de uma escapada de pista no fim — provando que ainda peca pela inexperiência —, Antonelli levou a melhor.
“Com a bandeira vermelha, eu já estava em 12º lugar. E aí eu soube que tinha uma chance”, reconheceu o líder do campeonato.
A oportunidade que não desperdiçou se transformou em uma exibição histórica e que vai povoar o imaginário do fã, especialmente do italiano, por muitos anos ainda. Porque Antonelli não só tomou o lugar da Ferrari em Monza neste domingo, mas também conquistou a F1 de vez. O título é uma questão de tempo, realmente.
A corrida de campeão que fez diante de uma torcida que se dividiu entre ele e a icônica marca de Maranello apenas acelera esse fato. Mas também é essencial colocar aqui que Antonelli fechou um ciclo importante para o ano que vive em 2026, como bem disse o chefe da Mercedes.
Daquele menino que estampou a Parabolica em 2024, quando teve a chance de guiar um F1 em um treino livre, curiosamente no lugar de Russell, surgiu um piloto que aprende rápido e que entendeu que às vezes é preciso domar o próprio ímpeto. “Existe a questão de saber se ele é capaz de amadurecer, de manter a personalidade que tem, humilde, com muita introspecção e autocrítica, para se desenvolver. E só o futuro dirá se ele é como alguns pilotos antes dele, um talento completo.”
Toto tem razão. Mas, por ora, Antonelli já é o que se espera dele. E isso é muito.
A F1 retorna neste fim de semana, entre os dias 11 e 13 de setembro, com o GP da Espanha na nova pista urbana de Madri. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades da 14ª etapa da temporada 2026, AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificação e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV.
GP da Espanha de F1: veja os horários no Brasil, Cabo Verde, Portugal, Angola e Moçambique:
Horários no Brasil*
- Treino livre 1: 08:30
- Treino livre 2: 12:00
- Treino livre 3: 07:30
- Classificação: 11:00
- Corrida: 10:00
Horários em Portugal e Angola
- Treino livre 1: 12:30
- Treino livre 2: 16:00
- Treino livre 3: 11:30
- Classificação: 15:00
- Corrida: 14:00
Horários em Cabo Verde
- Treino livre 1: 10:30
- Treino livre 2: 14:00
- Treino livre 3: 09:30
- Classificação: 13:00
- Corrida: 12:00
Horários em Moçambique
- Treino livre 1: 13:30
- Treino livre 2: 17:00
- Treino livre 3: 12:30
- Classificação: 16:00
- Corrida: 15:00
*Horários de Brasília