Max Verstappen começou como quem não quer nada, minimizou suas chances, hesitou, mas depois do que fez nos EUA não deu mais. E ele próprio foi obrigado a concordar: o campeonato está aberto e existe, sim, uma chance real de partir em busca do penta. Uma oportunidade que o neerlandês também não parece querer desperdiçar. A performance foi tão contundente em Austin que causou um grande rebuliço nas garagens da McLaren, que, mais uma vez, sentiu o golpe e, mesmo que disfarce agora, sabe que será preciso responder com a mesma força ou terá de encarar uma das maiores reviravoltas — talvez a maior — que este esporte já viu. E será um vexame.

O fato é que a Red Bull foi capaz de promover um crescimento técnico primoroso desde que a Fórmula 1 voltou das férias. Para se ter uma ideia desse desempenho, a última vitória da McLaren aconteceu nos Países Baixos, no fim de agosto. Oscar Piastri venceu em Zandvoort, Verstappen foi segundo e Lando Norris abandonou — ali, poderia ter sido a arrancada do australiano. Naquele momento, Max amargava uma desvantagem de 104 pontos para o líder Piastri. Só que, nas quatro corridas seguintes, nenhum piloto da equipe laranja conseguiu chegar à frente do neerlandês. Foram três vitórias (Itália, Azerbaijão e EUA), além da sprint deste sábado e de um segundo lugar em Singapura. Isso quer dizer que o piloto #1 somou 101 tentos de 108 possíveis neste período. Enquanto isso, Piastri obteve 37 pontos. Norris foi um pouco melhor e conquistou 57 tentos.

Mas não dá para dizer que, durante toda essa fase, a McLaren tenha perdido terreno do ponto de vista técnico. A questão é que os taurinos alcançaram a performance dos ingleses, e isso pegou a todos de surpresa.

▶️ Inscreva-se nos dois canais do GRANDE PRÊMIO no YouTube: GP | GP2
▶️ LEIA TAMBÉM: 5 coisas que aprendemos com o GP dos Estados Unidos da Fórmula 1 2025

A diferença de momento é de 40 pontos, restando cinco corridas, sendo duas etapas com sprint. Ou seja, estão em jogo 141 tentos. Ainda é um cenário complicado para Verstappen. Ele não depende apenas de si para chegar à taça e, embora a matemática seja implacável, a Fórmula 1 sempre dá um jeito de preparar algumas armadilhas. Mas algo é certo: a meteórica ascensão da Red Bull aliada ao extremo talento do neerlandês têm potencial para desencadear um final de campeonato bem mais brutal do que aquele que se vislumbrava até as férias do verão europeu.

Porque a McLaren também enfrenta os próprios demônios. Se tecnicamente não há com que se preocupar — afinal, mesmo sem grandes atualizações, o MCL39 segue sendo um carro rápido e equilibrado —, a parte mental carece de ajuda, bem como uma gestão melhor dos dois pilotos. Claramente, Piastri sente a pressão das demandas de uma disputa de título. A espiral de horror em que se encontra é uma prova disso. Desde que aceitou a troca de posições em Monza, o ritmo nunca mais voltou a ser o mesmo.

O australiano viveu um GP do Azerbaijão desastroso, depois, em Singapura, se viu em mais uma polêmica com o companheiro de equipe, após um toque logo nos primeiros metros da corrida. Exigiu que a McLaren tomasse uma providência, mas nada realmente aconteceu. Aí veio a largada tumultuada da sprint em Austin, que culminou no abandono duplo dos papaias. E, finalmente, no GP dos EUA deste domingo (19) não passou da quinta colocação. A verdade é que Oscar precisa se livrar desse círculo tenebroso e, como ele mesmo disse, retomar a confiança da primeira parte de temporada. Obviamente, ter um Verstappen no papel de caçador em nada ajuda.

Lando Norris também é o retrato de uma McLaren nocauteada em Austin (Foto: AFP)

Do outro lado da garagem, está Norris. E é um fato que o inglês atravessa um momento de menor pressão — talvez o período menos turbulento de toda a temporada. Porque, de certa forma, tem conseguido capitalizar em cima das mazelas do companheiro de equipe e corre por fora. Ainda assim, não é capaz de sobressair, promover algo realmente extraordinário. No meio disso tudo, a própria McLaren, no papel do chefe Andrea Stella, continua apática e tentando conduzir a situação sem viradas bruscas, como se tudo ainda estivesse sob controle. O problema é que Max é especialista em movimentos abruptos, que normalmente acabam em nocautes.

Então, quando diz que há uma chance e que vai brigar por ela, Verstappen está chamando a McLaren para o ringue. E ela não vai poder fingir que não ouviu.

Fórmula 1 volta de 24 a 26 de outubro com o GP da Cidade do México, no Autódromo Hermanos Rodríguez.