Embora pareça com uma margem segura tanto no Mundial de Pilotos quanto no de Construtores, a Mercedes já demonstrou claros sinais de preocupação diante das duas vitórias seguidas de Lando Norris na temporada 2026. Para completar, o líder Andrea Kimi Antonelli vai largar do fundo do grid no GP da Itália, o próximo do calendário, por troca de motor, porém a decisão também esconde uma camada além do fato de Monza ser uma pista capaz de proporcionar uma corrida de recuperação.

A questão gira em torno do ADUO, as Oportunidades Adicionais de Desenvolvimento e Atualização que algumas montadoras receberam em função da mudança no regulamento técnico. Para surpresa de todos, o Red Bull Ford foi eleito a referência, com o motor Mercedes ficando 2% atrás em performance. Essa diferença deu aos alemães, portanto, permissão para promover uma atualização ainda em 2026.

Toto Wolff, no entanto, já surgiu aos microfones da imprensa jurando que a Mercedes não tem dinheiro para investir em grandes atualizações até o final do ano — fala, inclusive, refutada pelo chefe da McLaren, Andrea Stella, uma vez que há margem no teto de gastos aprovada pelas equipes devido aos ajustes que o regulamento sofrerá até 2028.

Independentemente de haver dinheiro ou não, Wolff afirmou em junho, na ocasião do GP da Áustria, que não havia planos para atualizar o motor de acordo com as concessões. “Colocamos apenas unidades de potência novas. Com isso, tem-se menor quilometragem e um pouco mais de emoção. Mas não houve nenhuma atualização, e, no momento, não há nenhuma atualização planejada”, disse ao comentar as trocas feitas nos motores de George Russell e Antonelli no Red Bull Ring.

Só que a guerra de desenvolvimento pode fazer a Mercedes mudar os planos, uma vez que a Ferrari levará para Monza a segunda atualização permitida em 2026 no motor por ter ficado 4% atrás da Red Bull em performance. De acordo com o Motorsport Itália, existe a chance de o quinto propulsor a ser usado por Kimi na Itália trazer atualizações dentro das regras do ADUO, “apresentando revisões que vão além do gerenciamento da turbina principal”.

Toto Wolff diz que não tem dinheiro, mas Mercedes guarda ás na manga (Foto: AFP)

A Mercedes também prepara um grande pacote de atualizações para a etapa da Malásia, que acontecerá entre os GPs do Azerbaijão e de Singapura, que, aliado ao novo motor, representaria a cartada final das Flechas de Prata em 2026.

Agora, se isso de fato acontecer, há também o outro lado da moeda, pois a Mercedes fornece motores justamente para a McLaren, ou seja: a versão atualizada também estaria disponível para as clientes.

Quanto à Ferrari, a publicação italiana diz que Monza será a cartada decisiva, uma vez que será introduzida na SF-26 a segunda especificação do motor sob as regras do ADUO. A expectativa é que a unidade de potência, aliada ao novo combustível da fornecedora Shell, gere cerca de 15 cv e potência extras. A primeira atualização do motor, levada para a Áustria, já proporcionou um ganho de 7 cv.

O GP da Itália, portanto, promete não apenas trazer respostas sobre a disputa entre Mercedes, Ferrari e McLaren, como consolidar a ordem de forças até o final do ano.

A Fórmula 1 volta de 4 a 6 de setembro em Monza, palco do GP da Itália, 13ª etapa da temporada 2026.