George Russell acredita ter encontrado uma explicação para parte da diferença que Andrea Kimi Antonelli construiu dentro da Mercedes na temporada 2026 da Fórmula 1. Para o britânico, as características da nova geração de carros e pneus favorecem determinados estilos de pilotagem — e o do companheiro se encaixa melhor nas exigências atuais.
A diferença voltou a ficar evidente no GP da Espanha. Russell chegou a liderar o TL1 em Madri e mostrou velocidade durante a classificação, mas sofreu novamente com o superaquecimento dos pneus traseiros.
Na última tentativa do Q3, estava apenas cerca de 0s1 atrás de Antonelli ao final dos dois primeiros setores. No trecho final, entretanto, perdeu aproximadamente mais 0s2. Terminou somente em sexto no grid, enquanto Kimi ficou na primeira fila.
“Foi uma temporada estranha quando você olha para a competitividade de [Oscar] Piastri contra Lando [Norris] no ano passado, Charles [Leclerc] contra Lewis [Hamilton] e até o domínio de Max [Verstappen] sobre todos os companheiros na era anterior”, afirmou Russell.
“Neste ano, eu, Charles e Oscar estamos sofrendo muito mais em comparação aos nossos companheiros. E os companheiros de Max estão substancialmente mais próximos dele do que qualquer um esteve nos últimos seis anos. Acho que todos nós temos estilos de pilotagem bastante semelhantes”, continuou.
Para Russell, o outro grupo também apresenta características em comum.
“Os pilotos que estão indo muito bem neste ano — Kimi, Lewis e Lando — têm estilos bastante semelhantes. Então, para mim, está bem claro que, com este carro e estes pneus, existe uma tendência”, explicou.

A diferença entre Russell e Antonelli não surgiu em Madri. Ao longo da temporada, o dono do #63 já havia reconhecido que sua maneira natural de conduzir o carro não estava funcionando tão bem com a geração 2026 quanto nos anos anteriores.
Russell tradicionalmente trabalha com uma pilotagem mais progressiva na entrada das curvas, privilegiando estabilidade e velocidade carregada durante o contorno. Antonelli tende a ser mais agressivo na rotação do carro, encurtando a curva e fazendo movimentos mais incisivos na entrada.
O próprio italiano já explicou que procura reduzir ao máximo o intervalo entre a frenagem e a rotação, exigindo bastante do carro no momento de apontá-lo para a saída.
Russell, por outro lado, passou parte da temporada tentando entender até que ponto precisava modificar características que funcionaram durante praticamente toda a carreira.
Agora, acredita que o comportamento de outros pilotos reforça a hipótese de que existe uma relação entre estilo e desempenho com os carros atuais.
Madri ofereceu um exemplo particularmente claro. Russell começou o fim de semana liderando o primeiro treino livre, mas caiu para quinto no TL2 e sexto no TL3. Na classificação, chegou a ser o mais rápido do Q1, porém não conseguiu manter o mesmo rendimento conforme aumentou o ritmo. O problema principal foi a temperatura dos pneus.
“Simplesmente levei tudo ao limite”, explicou Russell depois da classificação. “Na minha última volta, os pneus estavam muito quentes.”
O terceiro setor do Madring reúne uma sequência de curvas de aproximadamente 90°, justamente quando os pneus traseiros do Mercedes já estavam acima da janela ideal.
A consequência apareceu no cronômetro: depois de acompanhar Antonelli durante os dois primeiros setores, Russell perdeu terreno justamente no final da volta. A corrida manteve a diferença.
Antonelli aproveitou o período de safety-car virtual, assumiu a liderança e venceu o GP da Espanha, chegando à oitava vitória da temporada. Russell terminou em quinto, quase 30s atrás do companheiro, embora os dois tenham seguido estratégias diferentes.
Toto Wolff reconheceu depois da prova que a Mercedes precisa encontrar maneiras de extrair novamente o potencial de Russell.
“Está claramente dentro dele”, afirmou o chefe da equipe. “Precisamos trabalhar juntos para destravar isso.”
O problema de adaptação ganhou peso também pela situação do Mundial. Antonelli deixou Madri com 292 pontos e ampliou para 81 a vantagem sobre Russell, segundo colocado com 211. O italiano venceu oito das primeiras 14 etapas da temporada.
Russell, por sua vez, já admitiu que considera muito difícil recuperar a diferença na disputa pelo título.
A Mercedes evita tratar o campeonato como definido. Wolff destacou nesta semana que os problemas de confiabilidade do W17 ainda preocupam a equipe e lembrou que tanto Antonelli quanto Russell já perderam pontos por falhas durante a temporada.
Para Russell, porém, a questão atual vai além dos resultados. O britânico tenta adaptar características construídas ao longo da carreira a uma geração de carros que, na avaliação dele, beneficia justamente a maneira como Antonelli pilota.
A Fórmula 1 volta às pistas entre 24 e 26 de setembro para o GP do Azerbaijão, 15ª etapa da temporada 2026.
F1 hoje: perguntas frequentes
Quem lidera o Mundial de F1 2026?
Andrea Kimi Antonelli lidera o Mundial de Pilotos da F1 2026. Após vencer o GP da Espanha em Madri, o piloto da Mercedes chegou a 292 pontos e abriu 81 de vantagem sobre George Russell, segundo colocado. Antonelli soma oito vitórias na temporada.
Quando é a próxima corrida da F1 2026?
A próxima corrida é o GP do Azerbaijão, em Baku, entre 24 e 26 de setembro. Diferentemente do habitual, a corrida será realizada no sábado, 26 de setembro, e não no domingo. A largada está marcada para 11h (horário de Brasília).
Por que Russell está perdendo terreno para Antonelli na F1 2026?
Russell acredita que seu estilo natural de pilotagem se adapta pior às características dos carros e pneus de 2026. O britânico sofre especialmente com a utilização e o superaquecimento dos pneus, enquanto considera que o estilo de Antonelli funciona melhor com a geração atual. Depois do GP da Espanha, Antonelli lidera o Mundial com 81 pontos de vantagem sobre Russell.