Se a sensação geral é de que a Mercedes voltou a um patamar de domínio do começo da temporada em Baku, o mesmo pode ser dito sobre George Russell. Lá em março, o inglês se dizia feliz pelo carro da equipe alemã e o desempenho notório em relação aos rivais. Nesta sexta-feira (25), aquele semblante de felicidade do GP da Austrália retornou ao rosto do britânico, graças a uma impressionante pole. George parecia de novo muito confortável no W17 e voou pelas ruas da capital do Azerbaijão. Certamente, a diferença de 0s8 em cima de Charles Leclerc chamou a atenção, mas a estratégia da esquadra prata foi ainda mais marcante. E deve também ressoar neste sábado.
É claro que já havia um enorme favoritismo, porque o traçado de Baku não só se adapta muito bem às demandas das Flechas de Prata, como deixa evidente os pontos fortes do projeto, sobretudo o gerenciamento da bateria. O W17 é uma referência nas retas e navega ainda melhor nos trechos mais lentos do traçado. Só que houve um detalhe a mais nesta sexta.
As temperaturas estavam mais baixas, e isso interferiu no comportamento dos pneus. Por isso, muitas equipes mudaram as estratégias durante a classificação, buscando voltas consecutivas de preparação. Foi o caso também da Mercedes. Russell percorreu mais giros que os concorrentes até encontrar a janela perfeita de funcionamento dos macios. Só aí já obteve uma vantagem considerável, mas o piloto #63 ainda foi capaz de achar um vácuo final.
“Estou tentando compreender melhor esse carro e o que ele precisa”, admitiu Russell após a pole, a quinta da temporada 2026. “Acho que tudo está cada vez mais intuitivo. Estava muito confiante de que podíamos lutar pela pole, mas quando cruzei a linha de chegada e vi a diferença, fiquei surpreso. Sabia que tinha sido uma ótima volta. Também tive um bom vácuo no final, o que provavelmente me deu um décimo e meio ou dois, e tudo correu perfeitamente”, celebrou.
George também revelou a incerteza sobre que tática adotar para driblar a queda de temperatura durante a classificação. “Antes do Q3, não tínhamos certeza de qual seria a estratégia correta: usar dois jogos ou manter o mesmo. Mas eu queria continuar com o que já conhecíamos. Sabia que minha primeira volta não seria a melhor porque ainda tínhamos todo o combustível no carro, então só queria garantir um tempo, porque essa pista exige muita dedicação e você precisa arriscar. Então fiz uma primeira volta de referência e, obviamente, as duas seguintes foram boas o suficiente para conquistar a pole”, completou.
E diante da performance da Mercedes e saltando da pole, Russell é naturalmente favorito à vitória. Mas terá com que se preocupar neste sábado: a concorrência está à espreita, além de Andrea Kimi Antonelli, que bateu durante o Q1 e sai apenas em 16º. Só que como o GP da Itália mostrou, não é prudente duvidar do jovem líder do campeonato.

Mercedes é forte, mas ritmo de corrida da McLaren ameaça
A vantagem expressiva construída por Russell na classificação não deve necessariamente se repetir durante o GP do Azerbaijão. Embora o britânico tenha colocado a Mercedes na pole com 0s837 de frente para Leclerc, os dados de ritmo de corrida apontam para uma disputa muito mais equilibrada em Baku.
Segundo a simulação elaborada pelo site oficial da F1 a partir dos treinos livres, a Mercedes possui o melhor ritmo em longos stints, mas aparece somente 0s05 por volta à frente da McLaren. Red Bull e Ferrari vêm logo depois, respectivamente a 0s30 e 0s34 da referência.
| Posição | Equipe | Diferença projetada |
|---|---|---|
| 1 | Mercedes | — |
| 2 | McLaren | +0s05 |
| 3 | Red Bull | +0s30 |
| 4 | Ferrari | +0s34 |
| 5 | Alpine | +0s99 |
| 6 | Racing Bulls | +1s08 |
| 7 | Audi | +1s20 |
| 8 | Haas | +1s87 |
| 9 | Williams | +1s90 |
| 10 | Cadillac | +2s57 |
| 11 | Aston Martin | +2s87 |
O cenário transforma Oscar Piastri em ameaça direta a Russell. O australiano colocou a McLaren na terceira posição do grid, atrás somente do pole e de Leclerc, e larga pelo lado de dentro da segunda fila.
Na classificação, Russell registrou 1min42s526. Leclerc ficou em segundo com 1min43s363, enquanto Piastri terminou apenas 0s001 atrás do monegasco. A diferença de 0s838 entre Russell e a McLaren, portanto, foi muito maior do que a distância apontada nas simulações de corrida.
O resultado reforça que a Mercedes apresentou vantagem especialmente forte em volta lançada. Antes da classificação, os dados também colocavam a equipe alemã na frente, mas somente 0s25 acima da McLaren. A projeção acabou sendo consideravelmente mais conservadora que a diferença vista no Q3.
Red Bull e Ferrari seguem próximas
A Red Bull ocupa a terceira posição na hierarquia em termos de ritmo de corrida, 0s30 atrás da Mercedes. A Ferrari vem apenas 0s04 depois, o que coloca as duas equipes em uma faixa praticamente idêntica de desempenho nas sequências longas.
Leclerc parte da primeira fila e terá a oportunidade de atacar Russell na largada. O monegasco, porém, precisará administrar uma diferença projetada de 0s34 por volta em relação à Mercedes caso a corrida transcorra sem intervenções.
A Racing Bulls também ganhou terreno na classificação. Isack Hadjar garantiu a quarta posição do grid depois de retornar à Fórmula 1 em Baku, mas a equipe aparece a 1s08 da Mercedes na análise de ritmo de corrida.
Antonelli precisa atravessar o pelotão
A projeção também indica que Andrea Kimi Antonelli possui equipamento para recuperar posições. O líder do campeonato foi eliminado no Q1 depois de tocar o muro na curva 1, enquanto Russell confirmou o potencial do W17 ao conquistar a pole.
Antonelli assumiu a responsabilidade pelo que classificou como um erro “muito desnecessário” na classificação. O italiano destacou que a Mercedes esteve forte durante todo o fim de semana e prometeu recuperar o máximo possível de posições.
A tarefa será condicionada pelo tráfego e pelo gerenciamento da energia elétrica na reta principal. Antonelli também terá de superar carros que apresentam velocidades finais competitivas, mesmo que possuam ritmo médio inferior ao da Mercedes.
Norris vê pódio como “impossível”
Lando Norris também enfrenta uma corrida de recuperação. O britânico errou a freada durante a tentativa decisiva do Q3 e admitiu que preferiu arriscar tudo pela pole em vez de aceitar uma volta conservadora.
Embora a McLaren apareça somente 0s05 atrás da Mercedes em ritmo de corrida, Norris afirmou que a falta de velocidade nas retas deve dificultar as ultrapassagens. O britânico classificou a possibilidade de alcançar o pódio como “impossível” diante dessa limitação.
Importante colocar aqui que as simulações são produzidas com base nas sequências completadas durante os treinos e sofrem influência de carga de combustível, composto dos pneus, tráfego e quantidade de voltas. Os números indicam a tendência de desempenho, mas não representam uma previsão exata do resultado.

Evolução da pista e a estratégia de corrida
Um dos fatores que mais chamou a atenção em Baku nesta sexta-feira foi a mudança nas condições da pista. Com temperaturas mais baixas e muito vento, as equipes foram forçadas também a mudar a configuração dos carros, especialmente na parte traseira. E apesar do asfalto ainda carecer de aderência, houve uma sutil evolução ao longo do dia, o que também ajudou a limitar a degradação dos pneus. Isso ainda permitiu diferentes estratégias dos pilotos. Muitos optaram por mais de uma volta de preparação, na tentativa de encontrar a janela perfeita dos compostos macios. Russell foi um desses.
“A ausência de degradação significativa permitiu que as equipes buscassem múltiplas voltas consecutivas com o mesmo jogo de pneus macios, beneficiando-se do progresso da pista, da menor quantidade de combustível e das melhores condições de funcionamento dos pneus. Portanto, não foi surpresa que vários pilotos tenham registrado as voltas mais rápidas na terceira tentativa usando o mesmo jogo de pneus”, explicou Dario Marrafuschi, diretor da Pirelli.
Olhando para o sábado, o GP do Azerbaijão deve ser disputado em uma tática de apenas uma parada. O pouco desgaste dos pneus e a perda significativa de tempo nos boxes são pontos importantes nesta decisão. De acordo com a fornecedora italiana, o uso dos compostos médios e macios “parece particularmente eficaz”. Já a opção do pneu duro para o segundo stint “pode se tornar uma alternativa a ser considerada caso ocorra uma entrada do safety-car precoce”.
O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades do GP do Azerbaijão AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificação e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV. Além da cobertura completa, o GRANDE PRÊMIO está in loco com o repórter Leonid Kliuev.
GP do Azerbaijão de F1: veja os horários no Brasil, Cabo Verde, Portugal, Angola e Moçambique:
Horários no Brasil*
Sábado (26)
- Corrida: 08:00
Horários em Cabo Verde
Sábado (26)
- Corrida: 10:00
Horários em Portugal e Angola
Sábado (26)
- Corrida: 12:00
Horários em Moçambique
Sábado (26)
- Corrida: 13:00
*Horários de Brasília
F1 hoje: perguntas frequentes
Que horas é a corrida do GP do Azerbaijão de F1 2026?
A corrida será realizada neste sábado, 26 de setembro, às 8h, no horário de Brasília.
Por que o GP do Azerbaijão acontece no sábado?
A programação foi antecipada para respeitar o Dia da Memória do Azerbaijão, celebrado no domingo, 27 de setembro, em homenagem às vítimas da guerra de Nagorno-Karabakh.
Onde assistir ao GP do Azerbaijão de F1 2026?
No Brasil, a corrida terá transmissão pela TV Globo, sportv e F1 TV. A largada acontece às 8h de sábado.
Qual equipe tem o melhor ritmo de corrida em Baku?
A Mercedes lidera a simulação elaborada a partir dos treinos livres. A McLaren aparece somente 0s05 por volta atrás.