Os anos de Red Bull definitivamente marcaram a vida de Sergio Pérez. Prestes a retornar ao grid da Fórmula 1 em 2026 com a Cadillac, o mexicano falou mais uma vez sobre a passagem pela equipe austríaca e admitiu que ser companheiro de equipe de Max Verstappen lá “é o pior trabalho que existe” na principal categoria do automobilismo mundial.
A constatação de Pérez é baseada em algo que, segundo o piloto, foi admitido pelo antigo chefe, Christian Horner. Ele contou no podcast Oso Trava que assim que chegou ao time, em 2021, ouviu do britânico que se tratava de um projeto “criado para Max”, o que sempre deixava o ambiente sobrecarregado.
“A equipe reclamava de tudo. Na Red Bull, sempre havia uma questão”, declarou Checo. “Se era mais rápido, era um problema e criava um ambiente muito tenso; se era mais lento que Max, também era um problema. Eu entendia o local em que estava inserido e, em vez de reclamar, tentei tirar o máximo proveito dele”, salientou.
“Sabia no que estava me metendo na Red Bull. Quando conversei pela primeira vez com Horner, ele me disse: ‘Vamos correr com dois carros porque precisamos de dois no grid, mas este projeto foi criado para Max, que é o nosso talento'”, revelou.

Em 2023, ano que marcou uma das maiores eras de domínio vistas na Fórmula 1, com a Red Bull vencendo 21 das 22 corridas, Pérez acumulou quedas no Q1 da classificação em sequência e passou a reclamar publicamente do fato de o carro ser pensado para o estilo de pilotagem de Verstappen.
“Eu estava na melhor equipe, mas era uma equipe muito complicada”, admitiu. “Ser companheiro de equipe de Max já é muito difícil, mas ser companheiro de Max na Red Bull é o pior trabalho que se pode ter na Fórmula 1”, disparou.
Pérez ainda ficou mais um ano até rescindir contrato ao final de 2024. Ele deu lugar a Liam Lawson, que durou na posição apenas duas corridas. Depois foi a vez de Yuki Tsunoda dividir as garagens taurinas com Verstappen. Checo recordou a última conversa que teve com Horner, quando ele ainda era chefe da Red Bull.
“Disse a ele: ‘O que você vai fazer quando não der certo com Liam?’, e ele respondeu: ‘Bem, tem Yuki.’ E então retruquei: ‘E o que fará quando também não der certo com Yuki?’ ele disse ‘Temos muitos pilotos’, então disse que teriam de usar todos. ‘Eu sei'”, concluiu.
Tsunoda ficou até o término da temporada 2025, porém foi dispensado pela Red Bull. Em 2026, Isack Hadjar, fruto do programa de pilotos do time, será o companheiro de equipe de Verstappen. O francês foi um dos destaques entre os novatos que subiram da F2 no ano passado e é visto como a grande promessa do time dos energéticos.
Mas a Red Bull de 2026 será bem diferente da que Pérez enfrentou. Horner foi dispensado na metade da temporada passada, dando vez a Laurent Mekies, enquanto Helmut Marko, que costumava não poupar críticas a Pérez, deixou o posto de consultor ao final de 2025.
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