A Fórmula 1 encontrou mais problemas do que soluções ao desembarcar na Malásia, que aceitou sediar o GP do Bahrein neste fim de semana — a prova barenita acabou sendo cancelada no início da temporada devido aos conflitos no Oriente Médio. Dito isso, o Mundial encontrou em Sepang um circuito não só complicado para o novo regulamento, mas também cheio de outros elementos desafiadores, alguns inesperados. O traçado malaio é daqueles que tem de tudo um pouco: retas, curvas longas e rápidas, trechos de baixa velocidade e um clima altamente instável. Só por isso o cenário já seria divertidamente interessante, mas há ainda um aspecto especial: o asfalto. Que se converteu em uma enorme dor de cabeça para pilotos e equipes, o que explica a sensação de que os resultados desta sexta-feira (2) ainda parecem muito inconclusivos. Mas houve quem procurou entender melhor essa equação. A Red Bull é a equipe que desponta depois dos treinos livres.

Mas antes de detalhar o trabalho dos enérgicos, é importante destrinchar alguns pontos deste primeiro dia de atividades em Sepang. A F1 encontrou uma pista muito suja pela manhã, principalmente em função das modificações e ajustes feitos no traçado recentemente, e isso interferiu diretamente nos níveis de aderência, bem como a notória abrasividade do piso. O cenário foi agravado pelo forte calor e a alta umidade. Os pilotos tiveram dificuldades de extrair desempenho dos pneus médios e macios ao longo do dia também devido à instabilidade do asfalto, que alguns definiram como “áspero demais” e “lixa”. O desgaste acelerado chamou muita a atenção e acendeu o sinal de alerta. Em determinado momento do TL1, Charles Leclerc alertou para uma degradação “insana”.

De fato, a combinação asfalto abrasivo e calor deve pautar todo o fim de semana, mesmo que a chuva se faça presente em alguma hora — se chover, a coisa se complica um pouco mais pela mudança no patamar de aderência. E foi também por causa da previsão de água que os treinos foram mais agitados do que normalmente acontece numa sexta-feira. Especialmente na segunda sessão, com todos temendo a precipitação, todo mundo decidiu ir à pista cedo. A ideia era aproveitar ao máximo o piso seco, na tentativa de coletar dados. No fim das contas, a chuva não apareceu, e isso acabou ajudando as equipes em termos de simulação de corrida e classificação.

Aqui começa o trabalho da Red Bull. A esquadra austríaca optou por uma abordagem um pouco diferente, tendo o pneu médio como norte. Tanto que Max Verstappen foi o mais rápido do dia, mesmo em cima dos compostos de marca amarela e com o registro do TL1. A verdade é que o neerlandês soube como driblar a falta de aderência e se concentrou no acerto geral do RB22. Também essencial dizer que o carro se mostrou rápido nas retas de Sepang e muito equilibrado nas curvas de média velocidade. Os trechos mais lentos ainda parecem um desafio, mas há ali um potencial grande crescimento.

Outro ponto de atenção foi a maneira como os taurinos dividiram as tarefas. Enquanto Isack Hadjar se decidiu ao ritmo de classificação no segundo treino livre, Verstappen ficou na simulação de corrida em ambas as sessões. O francês ficou a 0s099 do tempo de Leclerc, o mais veloz do TL2. Já o tetracampeão mostrou consistência. Max conduziu um ensaio de 13 voltas com os pneus médios, andando na casa de 1min44s8 à tarde, mas já havia também impressionado pela manhã, quando estabeleceu uma excelente sequência de giros com os macios.

F1 2026, BAHREIN, MALÁSIA, TREINOS LIVRES, RED BULL RACING, MAX VERSTAPPEN
Max Verstappen impressionou nesta sexta-feira em Sepang (Foto: Red Bull Content Pool)

“Foi um dia desafiador aqui em Sepang, mas também muito interessante. O calor tornou as coisas muito exigentes tanto para os pilotos quanto para o carro, mas acho que tivemos um bom começo de fim de semana”, disse o chefe da Red Bull, Laurent Mekies. “Na segunda sessão, esperávamos chuva, mas, como ela não apareceu, priorizamos a simulação de corrida com os pneus médios, já que obter dados sobre o comportamento e o desgaste dos pneus será o mais importante para o restante do fim de semana. No fim, isso fez com que ficássemos sem tempo para Max andar com os macios, mas Isack teve essa oportunidade, e isso foi valioso.”

Em termos de desempenho de classificação, a Ferrari foi quem apareceu na frente. Leclerc liderou o TL2 e ficou a somente 0s008 do melhor tempo, registrado por Verstappen ainda pela manhã. A escuderia italiana passou o dia tentando encontrar uma solução para a alta degradação dos pneus e o equilíbrio em termos de temperatura. Houve ainda um trabalho de acerto da SF-26, especialmente em reta. Os engenheiros mexeram nas asas, tentando ampliar a velocidade final, um dos pontos fracos do carro vermelho. Mesmo assim, o time de Maranello foi capaz de apresentar um ritmo de interesse com os pneus macios, principalmente com o monegasco. Só que o desgaste excessivo ainda é uma questão sem resposta clara.

“É muito difícil. Primeiro porque, nas últimas cinco ou seis corridas, é a primeira vez que estamos mais focados no desgaste [dos pneus] do que em qualquer outra coisa. As condições são extremas, está muito quente e, para todo mundo, é praticamente uma pista nova. Isso significa que temos muito trabalho pela frente e muito a melhorar”, afirmou Frédéric Vasseur. “Além disso, a pista estava com pouca aderência. Provavelmente vai melhorar. Isso significa que precisamos antecipar tudo para estarmos prontos para amanhã”, seguiu.

F1 2026, BAHREIN, MALÁSIA, TREINOS LIVRES, FERRARI, CHARLES LECLERC
Charles Leclerc liderou o TL2 e colocou a Ferrari em evidência (Foto: Ferrari)

Enquanto Red Bull e Ferrari surgiram em programas técnicos mais específicos e, ainda assim, apresentaram um ritmo até próximo, a McLaren é quem aparece na sequência. Como as demais, os papaias também sofreram com a falta de aderência da pista malaia, mas se concentraram mais em entender o próprio carro, especialmente após o pacote de novidades introduzido na semana passada, em Baku. Mas Norris foi capaz de colocar o carro laranja na terceira posição da tabela do TL1, apenas 0s137 atrás de Leclerc. O ritmo de classificação parece muito forte, de fato, enquanto o desempenho em condições de corrida foi menos impressionante, mas, ainda assim, próximo dos adversários.

Randy Singh, diretor da McLaren, reconheceu que o dia foi mais complexo do que o pensado inicialmente, mesmo em uma pista tão singular. “O asfalto tinha menos aderência do que esperávamos, estava áspero, e isso nos pegou de surpresa”, admitiu. Ainda assim, a equipe inglesa entende que houve um progresso entre as duas sessões do dia. No geral, o time aparece em terceiro no ranking das simulações de corrida, apenas 0s1 pior que Red Bull e Ferrari, segundo a análise da Fórmula 1.

“Estamos sofrendo mais do que gostaríamos, mas fizemos alguns progressos rumo ao TL2. Ainda temos bastante coisa para resolver se quisermos ser competitivos, mas vamos analisar os dados esta noite e ver o que podemos fazer para o TL3 e classificação de amanhã”, completou Lando.

Por fim, ainda é essencial falar da Mercedes. A líder do campeonato decidiu estrear na Malásia um pacote robusto de atualizações, que passou do assoalho à suspensão traseira. A ideia dos engenheiros foi ampliar o equilíbrio e o fluxo de ar, além de trabalha melhor a pressão aerodinâmica, principalmente em curvas longas e de alta velocidade. Como se sabe, as retas são o ponto forte do conjunto alemão, empurrado pelo ótimo gerenciamento de energia, mas faltava ainda um pouco de estabilidade em alguns trechos. Até por isso, a esquadra viveu uma sexta-feira mais discreta, focada em compreender todas as novidades. Isso talvez explique a sétima e a oitava posições na tabela de tempos, com George Russell à frente de Antonelli — ambos separados por apenas 0s040, mas quase 0s5 atrás de Leclerc.

F1 2026, BAHREIN, MALÁSIA, TREINOS LIVRES, MERCEDES, KIMI ANTONELLI
A Mercedes levou um pacotão de atualizações e tenta assumir o favoritismo de novo (Foto: Mercedes)

É certo também dizer que nenhum dos dois pilotos simulou voltas rápidas. O trabalho ficou concentrado somente na performance em corrida e no melhor entendimento dos pneus. Chefe de equipe interino da Mercedes em Sepang, Bradley Lord detalhou o desempenho geral do time. “Nenhum dos dois pilotos marcou tempo de volta com os pneus macios, então isso provavelmente explica por que eles ficaram um pouco mais abaixo na tabela. Mas, ainda assim, tem sido provavelmente uma das nossas sextas-feiras mais difíceis da temporada até agora. E o cenário competitivo parece muito mais com o que foi na Hungria do que, talvez, com o fim de semana passado em Baku”, reconheceu.

“O feedback [sobre atualizações] dos pilotos tem sido positivo . Eles conseguem sentir mais pressão aerodinâmica nas curvas de alta velocidade e esse tipo de coisa. Temos de acertar o carro nos pontos em que a atualização faça a diferença. Já em termos de ritmo, os stints longos foram muito próximos. Provavelmente Verstappen está em uma categoria própria no grid, tanto no TL1 quanto no TL2 com os pneus diferentes, mas parece uma disputa muito próxima logo atrás dele. Estamos nessa briga e, com algumas melhorias, podemos dar um passo à frente a partir disso”, acrescentou.

De fato, há um equilíbrio de forças, com a Mercedes, curiosamente, como o quarto lugar do ranking. Mas é também essencial colocar na balança que a sexta-feira foi menos convicente, porque a pista mudou muito ao longo do dia e a degradação desempenhou um papel crucial. O sábado deve revelar mais sobre a ordem real das equipes, mas com foco na classificação. E aí existe apenas uma ressalva: a chuva. Naturalmente, a pista molhada muda o cenário todo.

O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades do GP do Bahrein, em Sepang, AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificação e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV.

GP do Bahrein na Malásia de F1: veja os horários no Brasil, Cabo Verde, Portugal, Angola e Moçambique:

Horários no Brasil*

Sábado (3)

Domingo (4)

Horários em Cabo Verde

Sexta (2)

Sábado (3)

Domingo (4)

Horários em Portugal e Angola

Sexta (2)

Sábado (3)

Domingo (4)

Horários em Moçambique

Sexta (2)

Sábado (3)

Domingo (4)

*Horários de Brasília