- Verstappen chegou a ficar 88 pontos atrás do segundo colocado após o GP da Hungria de 2025 e terminou a temporada como vice-campeão.
- Na base histórica analisada, nenhum outro futuro vice-campeão apresentou déficit absoluto maior.
- Considerando a pontuação de uma vitória em cada temporada, Heinz-Harald Frentzen lidera a comparação, com 3,60 vitórias equivalentes, contra 3,52 de Verstappen.
Max Verstappen protagonizou uma das maiores recuperações da história recente da Fórmula 1 em 2025. Após o GP da Hungria, o neerlandês tinha 187 pontos, contra 275 de Lando Norris, então segundo colocado no Mundial de Pilotos. A diferença era de 88 pontos, com dez etapas ainda por disputar. No fim da temporada, Verstappen terminou como vice-campeão, atrás de Norris.
Uma reconstrução das classificações da Fórmula 1 entre 1950 e 2025, feita a partir da base RaceData, aponta que essa foi a maior desvantagem absoluta registrada por um piloto que terminou o campeonato na segunda posição. O levantamento considera a distância para quem ocupava o segundo lugar em cada etapa — e não necessariamente para o mesmo adversário durante toda a temporada.
O resultado coloca a campanha de Verstappen em uma perspectiva histórica. A comparação, porém, exige uma ressalva: a pontuação da Fórmula 1 mudou diversas vezes ao longo de mais de sete décadas, o que torna necessário separar a diferença absoluta de pontos de uma medida que leve em conta o valor de uma vitória em cada época.
Verstappen supera os números absolutos, mas Frentzen lidera a comparação proporcional
O levantamento reúne temporadas em que pilotos conseguiram reverter desvantagens expressivas antes de terminar o Mundial como vice-campeões. Na base analisada, Fernando Alonso aparece com um déficit de 38 pontos em 2010, enquanto Heinz-Harald Frentzen ficou 36 pontos atrás do segundo colocado em 1997.
A lista também inclui Jenson Button, que chegou a ficar 30 pontos atrás do segundo colocado em 2011, e Lando Norris, com desvantagem de 27 pontos em 2024. Esses números se referem ao déficit máximo identificado durante a temporada em relação ao piloto que ocupava a segunda posição naquele momento.
Maiores déficits absolutos identificados entre futuros vice-campeões da F1, segundo a base RaceData:
| Temporada | Piloto | Déficit máximo | GP em que ocorreu |
|---|---|---|---|
| 2025 | Max Verstappen | 88 pontos | Hungria |
| 2010 | Fernando Alonso | 38 pontos | Bélgica |
| 1997 | Heinz-Harald Frentzen | 36 pontos | Áustria |
| 2011 | Jenson Button | 30 pontos | Alemanha |
| 2024 | Lando Norris | 27 pontos | Japão |
| 1970 | Jacky Ickx | 21 pontos | Grã-Bretanha |
| 2013 | Fernando Alonso | 20 pontos | Bahrein |
| 2002 | Rubens Barrichello | 17 pontos | Espanha |
Fonte: base RaceData utilizada no levantamento. Os dados históricos ainda precisam de conferência independente com as classificações oficiais.
A diferença de 88 pontos de Verstappen é expressiva em termos absolutos, mas não basta para estabelecer qual recuperação teve maior dimensão em relação às regras de cada época. Em 2025, uma vitória na F1 valia 25 pontos. Em 1997, o vencedor recebia dez.
Para contextualizar essa diferença, a investigação divide o déficit máximo pelo valor de uma vitória na temporada correspondente. A conta não mede a probabilidade de recuperação nem elimina todas as diferenças entre os campeonatos, mas permite comparar as desvantagens em uma escala comum.
Nesse recorte, Frentzen aparece à frente de Verstappen. O alemão teve um déficit de 36 pontos em 1997, equivalente a 3,60 vitórias. Já os 88 pontos de Verstappen em 2025 correspondem a 3,52 vitórias.
A diferença entre os dois indicadores é pequena, mas evidencia por que os rankings precisam ser apresentados separadamente: Verstappen lidera a lista em pontos absolutos, enquanto Frentzen ocupa a primeira posição na comparação baseada no valor de uma vitória.
E a disputa pelo vice-campeonato em 2026?

A situação de Verstappen em 2026 oferece outro ponto de comparação, mas não representa uma recuperação concluída. De acordo com a classificação após o GP de Singapura utilizada no dossiê, o piloto da Red Bull ocupava a quarta posição, com 221 pontos.
George Russell aparecia em segundo, com 238, enquanto Lewis Hamilton estava em terceiro, com 229. Verstappen tinha, portanto, 17 pontos a menos que Russell e nove a menos que Hamilton.
A diferença de 17 pontos para o segundo colocado é menor do que a desvantagem de 88 pontos registrada após a Hungria de 2025. Isso, isoladamente, não permite projetar o resultado do campeonato. O desfecho depende dos pontos ainda disponíveis e dos resultados dos concorrentes nas etapas seguintes.
Também é importante não confundir o déficit observado em Singapura com a maior desvantagem de Verstappen ao longo de toda a temporada de 2026. O dado de 17 pontos corresponde àquele momento específico do campeonato; determinar o déficit máximo exigiria reconstruir a classificação etapa por etapa.
A comparação histórica, portanto, ajuda a dimensionar o que Verstappen conseguiu em 2025, mas não antecipa se o neerlandês voltará a terminar o ano como vice-campeão em 2026.
Perguntas frequentes
Quantos pontos Max Verstappen recuperou para terminar vice-campeão da F1 em 2025?
Após o GP da Hungria de 2025, Verstappen tinha 187 pontos, contra 275 de Lando Norris. O déficit era de 88 pontos, com dez etapas restantes. Verstappen terminou o campeonato na segunda posição.
Qual piloto supera Verstappen na comparação proporcional de recuperações?
Heinz-Harald Frentzen, em 1997. Seu déficit de 36 pontos equivalia a 3,60 vitórias, considerando os dez pontos atribuídos ao vencedor naquela temporada. Os 88 pontos de Verstappen em 2025 correspondiam a 3,52 vitórias, já que uma vitória valia 25 pontos.
Quantos pontos Verstappen tinha de desvantagem para o segundo colocado em 2026 após Singapura?
Na classificação utilizada pelo levantamento, Verstappen tinha 221 pontos e ocupava o quarto lugar, 17 atrás de George Russell, segundo colocado com 238. Esse número representa a diferença após Singapura, não necessariamente a maior desvantagem do piloto durante a temporada.