A rodada dupla do eP de Xangai novamente rendeu momentos memoráveis na Fórmula E, em especial no último domingo (5). Em fim de semana com programação adiantada pelo temor da chuva, ela veio mesmo assim e coroou vitórias de Pascal Wehrlein, o novo líder do campeonato, e Lucas Di Grassi, que levou o pior carro do grid à primeira posição na temporada de despedida da categoria.
E foi, assim como Sanya, uma etapa daquelas para os líderes do campeonato. Wehrlein se deu bem, com 40 pontos entre os dois dias, e António Félix da Costa (quarto) chegou em segundo no sábado. Mas o fato é que quase todos saíram no prejuízo, com destaques negativos para Edoardo Mortara, que zerou, Mitch Evans e Oliver Rowland — que fizeram quatro e cinco pontos, respectivamente.
O neozelandês, então líder do Mundial, nem sequer pôde participar da segunda corrida devido a um problema técnico no carro e viu a ponta passar a Wehrlein, que abriu nove pontos logo de cara. Ao menos, o prejuízo dos outros evitou que os danos fossem ainda piores.
Por outro lado, Felipe Drugovich mostrou ritmo mais uma vez, foi ao top-10 nos dois dias e somou 23 pontos no total, colocando-se à beira do top-10 no Mundial de Pilotos. Mas o principal mesmo veio na classificação de domingo, em que o brasileiro desbancou o favorito Wehrlein e conquistou a primeira pole na categoria.
Com tantos acontecimentos nas etapas 11 e 12 da Fórmula E, o GRANDE PRÊMIO separou cinco lições deixadas pelo eP de Xangai. Confira!

Di Grassi terá adeus bem mais doce do que sonhava
Com o pior carro do grid e largando em 19º, a vitória de Lucas Di Grassi foi obviamente o feito mais inacreditável na temporada — e em alguns anos de Fórmula E. Com aposentadoria marcada para o fim da temporada, o brasileiro certamente alimentava esperanças de vencer uma última vez, mas a realidade sempre foi clara: a chance era ínfima, com um carro muito deficiente em relação aos demais.
Com uma estratégia ousada e gerenciando bateria como um veterano, Di Grassi escalou o pelotão, executou as voltas finais com perfeição e conquistou um resultado inimaginável para a realidade da Lola Yamaha. Agora, sinceramente, não falta mais nada. Lucas vai desfrutar ainda mais das rodadas finais, sem esquecer o gosto de quem deu uma última demonstração de brilhantismo em condições completamente adversas. Um adeus bem mais que digno, afinal de contas.
Wehrlein é força inevitável na Fórmula E
Não importa o que aconteça no campeonato, a sensação é de que Pascal Wehrlein sempre estará lá. Sublime no sábado, o alemão anotou a pole de forma dominante e controlou uma corrida caótica para vencer de forma imponente e encerrar uma seca incômoda de pontos. No domingo, voltou a apresentar alto nível, só foi parado por Drugovich na semifinal da classificação e voltou ao top-5 mais uma vez.
O belo fim de semana, combinado ao pesadelo dos concorrentes, colocou Pascal novamente na liderança do Mundial — e de forma merecida, dado o caos vivido por Evans. Mesmo encarando uma fase complicada no meio do campeonato, o alemão se manteve frio e executou grande fim de semana para voltar à carga com tudo e mostrar que será um fator até o fim na briga pelo título. Rápido em todas as condições, frio e calculista, Wehrlein dá motivos de sobra para ser temido.

Drugovich faz 1ª pole e anima em sequência forte
Depois de conquistar os primeiros pontos, ir ao primeiro pódio e se mostrar no ritmo de Dennis, Felipe Drugovich alcançou uma nova marca em Xangai: a primeira pole na Fórmula E. E de forma imponente, com vitórias sobre Wehrlein e Taylor Barnard — que vinham com muita força — nos duelos e um resultado incontestável. A corrida não foi tão boa, mas o ritmo foi bom até a pista secar e quebrar o acerto escolhido pela Andretti.
Pontuando frequentemente desde Berlim, Drugovich parece bem mais adaptado e acompanha o ritmo de Dennis como nenhum outro no passado da Andretti. Isso parece ter dado um impulso à própria equipe, que se apresentou bem mais uma vez e acabou levando azar na corrida de domingo: apostou na chuva, mas o tempo abriu. De qualquer forma, Felipe sai com novo resultado positivo e mira o top-10 do campeonato na reta final.
Ticktum vê corda bamba balançar ainda mais
Dan Ticktum e Pepe Martí não conseguiram somar um ponto sequer para a Cupra Kiro no fim de semana, mas a pressão chega bem mais forte para o britânico neste momento. Sem contrato para a próxima temporada, Ticktum voltou a dizer que não se sente bem tratado pela equipe e se envolveu em uma confusão para lá de estapafúrdia no sábado. Em resumo, disse em uma entrevista que o diretor de prova “se cagou” ao ativar o safety-car na parte final e levou três posições de punição do grid do dia seguinte como resultado.
A sequência de entreveros acontece em meio ao rendimento positivo do novato Martí, que brigaria por pódio na corrida 1 não fosse justamente o inexplicável safety-car, mas a falta de alinhamento parece pesar bem mais que os 30 pontos de diferença no campeonato. A Cupra Kiro parece querer um comportamento diferente, enquanto o piloto não acha que é bem tratado — dois lados justos da moeda. No entanto, já há quem fale no paddock que a busca por um substituto começou, e Ticktum talvez tenha de encontrar uma nova casa rapidamente.

Evans precisa estancar prejuízo e resetar
Não foi nenhum drama, é verdade, mas principalmente porque poderia ter sido muito pior. Líder do campeonato na abertura da rodada, Mitch Evans saiu com quatro pontos somados, nem participou da segunda corrida e viu Wehrlein tomar a ponta do Mundial. Ao menos, claro, os dias irregulares dos demais concorrentes evitaram um prejuízo maior e seguraram o neozelandês em segundo, ainda com uma gordura saudável de 18 pontos para Rowland.
Mas o fato é que Evans precisa de um levante. Sem pontos em Sanya, o piloto tem quatro nas últimas três corridas e viu o cenário apertar com quatro provas para o fim do campeonato. A briga com Wehrlein segue totalmente em aberto, claro, e promete pegar fogo em Tóquio e Londres; mas o fato é que, já no Japão, Mitch precisa dar uma resposta para não correr o risco de se ver na condição de azarão na ExCel Arena.
A Fórmula E retorna entre os dias 24 e 25 de julho, com a realização da rodada dupla do eP de Tóquio. Emissora oficial no Brasil, o GRANDE PRÊMIO transmite todas as atividades de pista AO VIVO e COM IMAGENS no YouTube e na GPTV.
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