A era Gen3 trouxe à Porsche seu melhor momento na Fórmula E desde que ingressou na categoria, na temporada 2019/20. Antes sofrendo para ser consistente e chegar ao topo, a marca alemã já pode se orgulhar de ter conquistado tanto o Mundial de Pilotos quanto o de Equipes nos últimos dois anos. Ainda assim, nem tudo correu tranquilo na temporada passada, e o foco para 2025/26 será na retomada do topo após a derrota de Pascal Wehrlein para Oliver Rowland. E, conforme esperado em Weissach, com um ambiente interno mais tranquilo. 

Na última campanha, Wehrlein entrou como campeão vigente, já que levou o título em 2023/24. No entanto, o alemão não era a única estrela na garagem, que também contava com outro campeão da Fórmula E: António Félix da Costa. 

Com dois craques de estilos completamente diferentes e personalidades fortes no mesmo time, a desavença sempre foi um perigo — e a bomba explodiu de fato na temporada passada. Da Costa começou a se sentir preterido no projeto depois do título de Wehrlein e deixou isso bastante claro em conversas com a imprensa. 

No desfile dos pilotos no eP de São Paulo, primeira corrida da temporada, uma interação não revelada foi o estopim e fez o relacionamento entre os dois ruir de vez. Ou seja, desde o primeiro desafio do campeonato, os dois já excluíram um ao outro e criaram um racha na garagem.

Pascal Wehrlein venceu no eP de Miami (Foto: Fórmula E)

A Porsche interviu e conseguiu segurar o rojão até o fim da campanha passada, o suficiente até para garantir a conquista do Mundial de Equipes. Ainda assim, a temporada não foi marcada por domínio ou muito brilho, já que a marca alemã venceu somente uma vez — com Wehrlein, em Miami. A chave para o sucesso foi a consistência. 

Enquanto a Nissan sofreu com Norman Nato, apesar dos grandes resultados do campeão Oliver Rowland, a Jaguar teve um começo de ano fraquíssimo e levou até os últimos estágios da temporada para se recuperar. Com isso, as pontuações frequentes da Porsche com os dois carros foram o suficiente para cravar o título silenciosamente, sem muito alarde. Inclusive, as brigas entre Wehrlein e Da Costa chamaram muito mais a atenção, tanto que o português optou por deixar a equipe ao fim da campanha.

Em busca de calma e um ambiente mais saudável para todos, Da Costa partiu em direção à Jaguar, que perdeu Nick Cassidy para a Citroën. O português vai se encontrar com o amigo Mitch Evans, com quem mantém relação próxima fora das pistas, na esperança de ter mais paz para trabalhar. Assim, uma vaga se abriu na Porsche — e a escolha natural se concretizou.

Em outubro, Nico Müller foi anunciado como o novo companheiro de equipe de Wehrlein. O suíço de 33 anos já era piloto oficial de fábrica da Porsche desde 2024, o que tornou o movimento bastante previsível. Na temporada passada, correu pela Andretti em uma jogada pensada na transferência para o time principal. O problema é que os resultados ficaram muito aquém do esperado. 

Nico Müller se juntou à Porsche para esta temporada (Foto: Porsche)

Müller teve como melhor resultado no campeonato passado o quarto lugar em Miami e Jacarta; no Mundial de Pilotos, foi somente o 15º, com 48 pontos. Para efeito de comparação, Jake Dennis somou 93 do outro lado da garagem. O próprio suíço reconheceu o ano abaixo quando agradeceu à Porsche pela oportunidade. 

“Estou extremamente orgulhoso deste passo e agradeço à Porsche pela confiança. Minha última temporada não foi fácil, mas foi muito instrutiva. E isso me motiva ainda mais a retribuir a confiança do time na pista”, afirmou Müller à época. 

Portanto, a grande dúvida que cerca a Porsche entrando em 2025/26 é se a equipe conseguirá manter os resultados vistos nas últimas temporadas. Desde a introdução do Gen3, a marca tem vivido dias de glórias e é sempre uma forte candidata a títulos, mas a perda de Da Costa em prol de um ambiente mais saudável pode pesar nessa consistência que foi chave no campeonato passado. 

Como diz um dos maiores clichês da história do esporte: chegar no topo é difícil, mas permanecer lá é ainda mais desafiador. E é exatamente essa a missão da Porsche em 2025/26. 

Wehrlein já aprovou o novo companheiro de equipe e, inclusive, disse que Müller teve um ótimo desempenho nos primeiros testes, mostrando muita “consistência e ritmo”. Obviamente, o alemão também exaltou a personalidade do suíço, mas isso é meramente um reflexo de que agora está claro quem manda na equipe.

Pascal Wehrlein se livrou de Da Costa. Mas terá Müller? (Foto: Rodrigo Berton/Grande Prêmio)

Wehrlein já tinha os melhores resultados recentes em comparação com Da Costa, mas agora conseguiu se livrar do rival e ocupar o trono da Porsche sozinho. Müller chega para tentar acompanhar o alemão, mas sem incomodar. Resta saber qual vai ser o preço pago pela equipe pela guerra civil da temporada passada e a chegada de um piloto contestável com base em performances recentes.

A Fórmula E agora volta à ação para dar início ao campeonato, que ocorre no Brasil. O eP de São Paulo está programado para acontecer no dia 6 de dezembro, no Sambódromo do Anhembi, com cobertura completa e IN LOCO do GRANDE PRÊMIO.

▶️ Inscreva-se nos dois canais do GRANDE PRÊMIO no YouTube: GP | GP2

GUIA DA FÓRMULA E 2025/26
+ Adeus ao Gen3 Evo promove brigas por presente e futuro na Fórmula E
+ Equipes e pilotos da Fórmula E 2025/26
+ Rowland segue forte, mas depende de Nissan menos oscilante pelo bi
+ Pit Boost é aprovado com ressalvas e encara prova final na Fórmula E
+ Quem chega favorito, em alta, neutro ou em baixa na Fórmula E
+ Jaguar vira página de ano estranho e retoma favoritismo na Fórmula E
+ Mahindra cumpre missão na Fórmula E e indica mudança de patamar