Depois de uma passagem que durou apenas dez corridas na Fórmula 1, Nyck de Vries está de volta à Fórmula E em 2024. Campeão da temporada 2020/21 pela Mercedes, o neerlandês se encontra em uma nova realidade com a Mahindra, que ocupa o fundo do grid com um trem de força pouco eficiente. Apesar das dificuldades esperadas para o campeonato deste ano, o piloto negou qualquer descontentamento com a situação e se disse em um “lugar melhor” mentalmente do que em 2023. De fato, a experiência na F1 deixou algumas lições para sua carreira.

“Precisamos aceitar que, no nosso mundo, nunca há uma garantia de 100% sobre algo. É parte do mundo do automobilismo”, disse De Vries ao portal inglês The Race. “Acho que ninguém, em nenhum emprego, tem esse luxo. Mesmo que pareça assim de fora, você não pode relaxar. E isso me mantém ‘na ponta dos cascos’. É parte do trabalho que fazemos”, apontou.

“Agora, tenho um caminho mais claro do que tinha nos últimos anos, porque a Fórmula 1 meio que estava lá e não estava ao mesmo tempo”, afirmou. “Ao mesmo tempo, sempre tive minha carreira em outros campeonatos. Então, foi um pouco angustiante, e estou indo em uma direção diferente novamente. Mas aprendi que é tudo uma jornada. Uma porta se fecha e outra se abre. A vida é assim”, destacou.

Em 2024, De Vries vai acumular as disputas de Fórmula E e WEC, no qual vai passar a defender o hipercarro #7 da Toyota, que ainda conta com Mike Conway e Kamui Kobayashi. Nyck garantiu que, depois de um período de extrema pressão na AlphaTauri, se sente mais realizado e em um ambiente mais acolhedor.

De Vries abriu seu retorno à Fórmula E com um 15º lugar no México (Foto: Fórmula E)

“Estou realmente gostando de onde estou, sinto que tenho dois ambientes muito bons [na Mahindra e na Toyota]”, afirmou. “Realmente me sinto apoiado e estou aproveitando o trabalho que estou fazendo nas duas equipes”, frisou.

Apesar da felicidade, entretanto, De Vries sabe — desde que assinou o contrato — que terá um ano bastante difícil com a Mahindra em 2024. Além de todas as dificuldades que cercam a equipe, o piloto não participou do primeiro ano dos carros Gen3 na Fórmula E, o que representa um déficit considerável de experiência com o monoposto que será usado também nesta temporada.

Nyck disse entender que, na maioria das vezes, o sucesso é medido apenas em resultados. No entanto, o piloto vê as coisas de forma diferente e acredita que a Mahindra pode aproveitar mais um ano difícil para crescer em outros aspectos.

De Vries vai correr na Fórmula E e no WEC em 2024 (Foto: Toyota Gazoo Racing)

“É engraçado, porque muitas vezes, o sucesso — especialmente em nosso mundo — é medido apenas pelos resultados”, analisou. “É claro, respeito isso. Mas isso não significa que, quando você não necessariamente está conseguindo esses resultados, seu ano ou sua temporada foram um desperdício”, ressaltou.

“Parece clichê, mas estamos aprendendo todos os dias”, garantiu. “Essa é a realidade, e acho que ainda mais em nossa situação. Estamos cientes de que nosso conjunto não vai mudar muito. Mas ainda há muito trabalho que podemos fazer internamente para extrair mais performance e nos tornar mais robustos e sólidos como equipe”, completou.

Em sua reestreia na Fórmula E, ficou claro que De Vries ainda deve em experiência com o carro em relação aos competidores. Para se ter uma ideia, apenas o novato Jehan Daruvala tem menos tempo de pista que o campeão de 2020/21. O período de preparação da pré-temporada, que serviria para Nyck se ajustar ao carro, ainda foi prejudicado por um incêndio que atingiu a garagem da Mahindra.

O piloto passou por um período bastante complicado na Fórmula 1 (Foto: Red Bull Content Pool)

E o azar não parou por aí: em um teste realizado pela equipe para tentar amenizar o tempo perdido, na Espanha, a chuva caiu forte e prejudicou os planos. Ainda assim, De Vries se vê o mais preparado possível, dadas as circunstâncias, e quer voltar logo a correr para se ajustar o mais rápido que puder.

“É natural se sentir despreparado em alguns aspectos, porque acho que isso vem com aquela mentalidade de perfeccionismo, onde você sempre sente que precisa ser melhor. Então, esse tipo de processo é infinito, mas sinto que estamos preparados. É claro que poderíamos estar dez vezes mais, mas para o que temos e pela situação em que estamos, fizemos o melhor com o que tínhamos”, disse.

“Em determinado momento, você só precisa começar a correr. É ali, quando você começa a competir, que você sabe como seu progresso está se desenvolvendo”, finalizou De Vries.

Agora, Nyck voltou a um ambiente em que se sente mais feliz (Foto: Mahindra)

Com Edoardo Mortara em 13º e De Vries em 15º, a Mahindra abriu a temporada da Fórmula E sem pontos na Cidade do México. Neste fim de semana, a equipe indiana vai buscar seus primeiros tentos de 2024 no eP de Diriyah, na Arábia Saudita. A Porsche é a atual líder do Mundial de Equipes, com 28 pontos.

O eP de Diriyah acontece entre os dias 25 e 27 de janeiro, na Arábia Saudita. O GRANDE PRÊMIO é EMISSORA OFICIAL da Fórmula E no Brasil e transmite todas as atividades AO VIVO E COM IMAGENS.

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