Nem sempre a Fórmula 1 vai ser o alvo principal de um piloto na base do automobilismo. Os Estados Unidos se tornaram um caminho natural para João Vergara, nascido em São Paulo, que mira a Indy em um futuro próximo. Ao invés de atravessar o Atlântico rumo à Europa, o jovem voou para o norte da América para construir sua carreira nas pistas — esta é a trajetória que o GRANDE PREMIUM conta no retorno do Rumo à Glória.

O foco nos Estados Unidos se deu por um desejo familiar de viver no país, mas também para aproveitar a estrada construída pelo tio, Oswaldo Negri Jr., que fez bastante sucesso nas corridas de endurance norte-americanas. Juntou-se o útil ao agradável.

Negri competiu por muitos anos na American Le Mans Series e na Grand-Am, que mais tarde se fundiram para formar o IMSA SportsCar Championship. O piloto gravou seu nome na história ao vencer as 24 Horas de Daytona em 2012, quando dividiu o Riley-Ford da Michael Shank Racing com A.J. Allmendinger, Justin Wilson e John Pew.

Contando com o relacionamento e a moral que o tio construiu no automobilismo americano, entrar nas categorias de base da Indy tornou-se a opção ideal para os primeiros passos de Vergara.

“A gente já pensava em se mudar pra cá faz muito tempo e meu tio já morava aqui por conta da carreira dele”, disse Vergara ao GRANDE PREMIUM. “Chegando aqui, eu tinha o sonho da Indy, então entrei nos campeonatos da USF. Foi algo bem natural, ainda mais com o apoio do meu tio”, completou o piloto de 19 anos.

João Vergara (Foto: USF2000)

Em 2023, após um ano no kartismo norte-americano, o brasileiro, hoje baseado em Miami, acertou com a Exclusive Autosport para disputar a temporada 2024 da USF Juniors — o primeiro degrau do USF Pro Championship, caminho que tem atraído pilotos do mundo inteiro em busca do profissionalismo.

Um dos principais diferenciais dos campeonatos da USF (que englobam a USF Juniors, a USF2000 e a Pro 2000) é a premiação ao campeão: uma bolsa para garantir o orçamento da temporada seguinte na categoria acima. Christian Rasmussen, atual piloto da Carpenter na Indy, mudou-se da Europa para os EUA atraído por esse sistema e pelos custos mais acessíveis. Na visão de Vergara, esse incentivo também eleva o nível da competição.

“A premiação ao campeão é uma das maiores vantagens de correr aqui nos Estados Unidos, especificamente nos campeonatos da USF. É algo que você não vê em nenhum outro lugar do mundo”, comentou. “Isso faz o piloto trabalhar cada dia mais. A gente vê os companheiros e rivais trabalhando duro para conseguir esse prêmio, o que aumenta muito o nível de competição por aqui.”

Em sua estreia na USF Juniors em 2024, Vergara encerrou o campeonato na oitava colocação — logo à frente de Leonardo Escorpioni — em um grid talentoso que reunia nomes como Max Taylor, Liam McNeilly, Sebastian Wheldon e Jack Jeffers.

João Vergara (dir.) recebe troféu por pódio em St. Pete 2026 (Foto: USF2000)

Para 2025, o brasileiro optou por mudar para a VRD Racing, após análise feita ao lado da família e do tio, que atua como seu coach. A mudança surtiu efeito e Vergara brigou pelo título até as rodadas finais, terminando em terceiro lugar na tabela, atrás do campeão Escorpioni e do vice Liam Loiacano.

Chegou, então, a hora de subir mais um degrau. Vergara seguiu com a VRD em 2026, mas deu o passo para a USF2000. Logo na estreia, conquistou o segundo lugar na corrida 1 em St. Petersburg. Apesar do início promissor, o piloto enfrentou oscilações ao longo do ano, especialmente nas rodadas de Indianápolis e Markham.

Com uma rodada tripla restante para o encerramento da temporada, Vergara ocupa a sexta posição no campeonato, com 220 pontos — 118 atrás do líder Sebastian Garzón. O brasileiro reconhece as dificuldades, mas faz um balanço positivo de sua campanha de estreia na categoria.

“A temporada não foi muito boa, mas também não foi ruim. Comecei muito bem, com pódio em St. Pete, mas tivemos uma passagem difícil por Indianápolis. Infelizmente, em Markham também não foi como a gente queria. Fora isso, sempre estivemos no top-5, brigando por vitórias, com pódio em Mid-Ohio, segundo lugar no grid em Road America e lutando pela liderança”, resumiu. “Fico feliz por estar brigando por vitórias no meu primeiro ano contra caras que já estão na segunda temporada e têm mais experiência”, completou.

João Vergara (Foto: USF2000)

O futuro para 2027 permanece em aberto. Vergara revelou que ainda não há nada assinado para o próximo ano, mas que avalia propostas para permanecer na USF2000 ou avançar para a Pro 2000 — o último passo antes da Indy NXT.

“O meu sucesso nos últimos anos trouxe bastante interesse das equipes. Fico feliz em ver todo o meu trabalho sendo bem avaliado pelos chefes de time”, destacou. “Temos ofertas e estamos em negociação, mas nada definido. Tenho propostas das duas categorias e ainda não decidimos qual caminho tomar. Se Deus quiser, daqui a um tempinho vou poder anunciar as novidades para 2027”, encerrou.

A USF2000 encerra a temporada com uma rodada tripla em Road America, agendada entre os dias 24 e 26 de setembro, na cidade de Elkhart Lake.