Um ano após o escândalo dos atenuadores, a Penske até teve uma melhora em 2026, mas não chegou nem perto de disputar o título — mais uma vez, ficou nas mãos de Álex Palou e da Ganassi, que voltaram a doutrinar na Indy. Josef Newgarden, Scott McLaughlin e David Malukas — todos sem um contrato longo — também têm de lidar com outra pressão: Felipe Nasr já não esconde o desejo de ingressar na categoria e, além de ser o piloto reserva da equipe, tem o vínculo com a Porsche no IMSA Sportscar terminando no fim de 2027, o que abre portas para uma transferência em 2028, ano de estreia do IR-28.

Depois de uma temporada marcada por polêmicas, 2026 marcou a tentativa de recomeço do time de Roger Penske. Apesar de alguns rostos novos, como Malukas no lugar de Will Power, outros velhos conhecidos voltaram: o principal deles foi justamente Tim Cindric. O estadunidense foi demitido do cargo de presidente da Penske em meio ao escândalo dos atenuadores modificados ilegalmente, deflagrado durante a classificação das 500 Milhas de Indianápolis, mas foi recontratado como estrategista de McLaughlin.

Embora pareça surreal o retorno de Cindric à organização, não houve impacto dentro das pistas, já que o neozelandês fez um campeonato completamente discreto — acumulando erros em momentos decisivos, como nas voltas finais do GP de Washington —, embora tenha terminado o ano com uma vitória dominante em Laguna Seca.

O trio da Penske, na realidade, passou longe de brilhar e, durante quase toda a temporada, Newgarden era o único que conseguia converter vitórias — evidentemente, apenas nos ovais, especialidade do bicampeão. Só que a temporada 2026 ainda ganhou um tempero extra: o forte acidente na Indy 500 fez com que o #2 passasse a usar muletas e uma bota imobilizadora no pé esquerdo por alguns meses. Como o esforço nos circuitos mistos é maior, Josef viu a sombra de Nasr crescer cada vez mais.

Josef Newgarden sofreu com fortes dores, mas não cedeu o #2 a Felipe Nasr em 2026 (Foto: IndyCar)

O brasileiro já verbalizou diversas vezes que tem o desejo de correr na Indy. Sendo o piloto reserva oficial da Penske, chegou a acompanhar a equipe em algumas etapas deste ano, ficando de sobreaviso em Detroit e em Road America caso Newgarden não tivesse condições de correr. Em Elkhart Lake, Nasr passou a semana se preparando no simulador e chegou até a vestir o macacão com o mesmo patrocinador do bicampeão. Alguns dias depois, participou do teste da categoria em Mid-Ohio. Jonathan Diuguid, presidente da equipe, enfatizou que a sessão foi fundamental para a evolução da equipe em 2026.

Com um vasto currículo no automobilismo — incluindo uma passagem pela Fórmula 1, quatro vitórias nas 24 Horas de Daytona e três títulos do IMSA Sportscar —, o brasileiro não tem a menor necessidade de ingressar em uma equipe menor, como a Foyt, que tem uma parceria técnica com a Penske. Além disso, Nasr estará no último ano de contrato com a Porsche no endurance em 2027, o que abre uma possibilidade real de se transferir à Indy em 2028. O fato de ser a temporada de estreia do IR-28 também favorece Felipe, que poderá estrear na categoria em pé de igualdade com os demais pilotos. Por isso, a pressão sobre o trio será maior no ano que vem.

Ainda que estivesse pressionado por estar no último ano de contrato, Newgarden conseguiu capitalizar duas vitórias em 2026, embora tenha oscilado ao longo do campeonato, até mesmo nos ovais na reta final da temporada — os tempos em que brigava pelo título da categoria já parecem cada vez mais distantes.

McLaughlin passou uma pincelada no campeonato apagado que fez com o triunfo dominante em Laguna Seca. No restante do ano, conquistou outros três pódios, mas teve uma campanha bastante discreta, marcada pela ausência de resultados expressivos. Como serão seis longos meses de intertemporada, a vitória no GP de Monterey vai ficar na memória até março de 2027. Mas é bom abrir o olho no próximo ano.

Trio da Penske precisa mostrar mais desempenho em 2027 (Foto: IndyCar)

Estreante na Penske, Malukas começou bem a temporada e parecia questão de tempo até conquistar a primeira vitória na categoria — que não veio justamente na Indy 500 por míseros 0s023. O estadunidense é o mais jovem do trio e foi o mais consistente na temporada, mas, assim como os companheiros de equipe, também acumulou erros e sofreu com as dores no pulso esquerdo.

É aceitável cometer derrapagens aqui e ali no primeiro ano na Indy ou em um time pequeno. O problema é quando acontecem na maior organização da categoria. O piloto do #12 chegou à segunda colocação em quatro oportunidades neste ano. Ainda que mantenha a regularidade e tenha potencial, fica difícil defender uma permanência caso tenha um desempenho similar na temporada 2027. E a pressão só tende a aumentar.

A próxima etapa da Indy será apenas em 2027 — o GP de São Petersburgo abre a temporada do ano que vem entre os dias 5 e 7 de março.

Indy hoje: perguntas frequentes

Onde Scott Dixon vai correr na IndyCar em 2027?

Scott Dixon vai deixar a Chip Ganassi após a temporada 2026 e correr pela Arrow McLaren em 2027. O hexacampeão da IndyCar fará parte de uma equipe que também conta com Pato O’Ward, em uma das principais movimentações do mercado de pilotos para a próxima temporada.

Onde Dennis Hauger vai correr na IndyCar em 2027?

Dennis Hauger vai defender a AJ Foyt Racing em 2027. Eleito novato do ano da IndyCar em 2026, o norueguês deixou a Dale Coyne Racing e assinou um contrato de vários anos com a nova equipe.

Quando começa a temporada 2027 da IndyCar?

A IndyCar 2027 começa em 7 de março, em St. Petersburg. A categoria já confirmou as oito primeiras etapas do calendário, incluindo Phoenix, Arlington, Barber, Long Beach e a Indy 500 em 30 de maio. A segunda parte do calendário ainda será anunciada.