Pato O’Ward terá em 2027 uma temporada crucial para a carreira, pois entra no último ano de contrato com a McLaren. Apesar de sempre ter sido o piloto principal da equipe, alguns fatores podem fazer com que o patamar — ou mesmo o emprego — do mexicano mude para 2028.
O’Ward está na McLaren desde 2020 e se tornou o principal piloto da equipe de imediato, mesmo sem ainda ter feito algo de destaque na categoria. Na época, acumulava apenas oito largadas e a dolorosa eliminação nas 500 Milhas de Indianápolis de 2019, quando ficou fora do grid junto de Fernando Alonso.
Mas a aposta naquele talento dispensado pela Red Bull se mostrou acertada logo de cara. O’Ward alcançou seis colocações entre os cinco primeiros e dez aparições no top-10 durante as 14 etapas de 2020, quando a McLaren ainda mantinha parceria com a Schmidt Peterson.
Ainda que a primeira vitória não tivesse chegado naquele ano, O’Ward dava sinais de que seria um futuro campeão — sentimento que se tornou mais evidente no início de 2021, quando abriu a temporada com pole no Alabama e venceu pela primeira vez na categoria no GP do Texas 2. O problema é que não foi apenas o mexicano quem desabrochou para a Indy naquele ano, mas também um tal de Álex Palou, que estreava na Ganassi.
Ainda em 2021, não faltavam apostas de que O’Ward se tornaria o grande nome da Indy por múltiplos anos, graças aos bons resultados nas categorias de base. Isso fazia muita gente ficar reticente com o sucesso de Palou, que enfrentava os altos e baixos decorrentes das agruras financeiras para se manter correndo.

Mas os anos seguintes mostraram que apostou seguro quem confiou que Palou seria o homem a fazer história na Indy, ofuscando o talento de O’Ward. Em 2021, o espanhol levou o título em disputa franca com o mexicano, que manteve o campeonato em aberto até a última etapa.
Depois disso, apesar de bons resultados, O’Ward nunca mais foi um protagonista absoluto pelo título. Em 2022, com Palou preocupado fora da pista com o imbróglio contratual ao assinar com a McLaren mesmo tendo contrato com a Ganassi, a disputa ficou concentrada na Penske, entre Will Power e Josef Newgarden, com o troféu ficando para o australiano.
O’Ward perdeu uma oportunidade de ouro. Parecia olhar mais o extrapista, visto que a McLaren tentava Palou e fechava com Colton Herta para ser piloto de desenvolvimento na F1. O mexicano precisava responder na pista, o que não aconteceu ao fechar o ano apenas em sétimo.
Com Palou novamente focado no desempenho e determinado a ficar na Ganassi — mesmo encarando uma briga jurídica com a McLaren —, o espanhol deu poucas chances aos adversários. De 2023 em diante, apenas em 2024 a disputa pelo título foi até a última etapa, quando Will Power enfrentou o espanhol pelo campeonato.

O domínio de Palou ofuscou a ótima temporada que O’Ward fez em 2025. O mexicano venceu duas vezes, foi ao pódio em outras quatro, encerrou no top-5 em dez oportunidades e cravou três poles — números que lhe renderiam o título em muitos outros campeonatos —, mas viu o espanhol vencer impressionantes oito corridas.
Em 2026, porém, O’Ward não deu o salto que se esperavae ficou aquém do que mostrou no ano anterior. Até vencer em Mid-Ohio, a primeira do ano, sobravam reclamações e faltava desempenho. O próprio piloto admitiu, antes de vencer as duas corridas na rodada dupla de Milwaukee, que não sabia como ainda figurava no top-5 do campeonato.
Ainda assim, a McLaren segue acreditando no talento de O’Ward para frear o domínio de Palou e constrói a equipe ao seu redor. Dispensou Lundgaard, que adotou postura controversa nos bastidores, e trouxe Scott Dixon — hexacampeão da Indy — para ser o trunfo no acerto dos carros, além de Felix Rosenqvist, com quem o mexicano nutre excelente relação.
O’Ward pode não ser o único astro, mas tudo vai girar ao seu redor em 2027. Mais do que o título, a McLaren joga suas cartas para finalmente vencer as 500 Milhas de Indianápolis, sem abrir mão do campeonato. O mexicano pode até não superar Palou, mas precisará incomodar o espanhol se quiser manter o emprego e o status no time. O movimento do time é como se dobrasse a aposta no #5, o que também aumenta a responsabilidade.

Por outro lado, o próprio O’Ward já declarou que o próximo contrato será o mais importante da sua carreira — e também olha para o gramado do vizinho e dá sinais de que pode mudar de equipe no futuro. Mas qualquer valorização do seu passe dependerá de um grande desempenho na pista — especialmente em uma Indy cada vez mais cautelosa financeiramente diante dos custos para adquirir o chassi IR-28 a partir de 2028.
Chegou a hora da verdade. Em 2027, Pato O’Ward terá ao seu dispor tudo o que precisa para vencer. Se responder na pista, garante o maior contrato de sua vida — seja na McLaren ou fora dela. Se falhar, deixará de ser a grande promessa da equipe e vai carimbar a pecha de coadjuvante na era de ouro de Palou.
A próxima etapa da Indy será apenas em 2027 — o GP de São Petersburgo abre a temporada do ano que vem entre os dias 5 e 7 de março.