Enzo Fittipaldi fez uma temporada muito boa na Indy NXT 2026. Claramente não teve o melhor equipamento da categoria, mas usou a experiência e otimizou uma série de resultados para lutar pelo título até o final. No entanto, viu Nikita Johnson triunfar na decisão em Laguna Seca e, com isso, sofreu um duro golpe na busca por uma vaga na Indy no ano que vem.

Fittipaldi chegou à HMD em 2026 na mesma estrutura utilizada por Caio Collet no ano anterior. Com um orçamento enxuto e um currículo muito mais vistoso que o de boa parte dos concorrentes, o piloto do carro #67 encontrou uma categoria que não era mais dominada pela Andretti — embora a equipe continuasse muito forte —, mas sim por estruturas em franca evolução, como a Foyt (que mantém parceria técnica com a HMD) e a Cape (associada à Carpenter).

Ao longo do campeonato, Fittipaldi cometeu apenas um erro: na classificação do GP de St. Pete, na abertura do torneio, quando bateu e precisou largar no fim do grid do apertado circuito de rua. Após esse episódio, evitou novos acidentes, postura que é sua marca registrada.

A partir daí, Fittipaldi maximizou praticamente todos os resultados diante de uma HMD claudicante, principalmente na garagem do carro #67. Ainda assim, o brasileiro conquistou uma memorável vitória na corrida 1 no misto de Indianápolis. Largou em décimo e manteve um ritmo forte desde o início, mas foi sob chuva que se destacou de vez, impondo um ritmo impressionante e aplicando grandes ultrapassagens.

A segunda vitória de Fittipaldi também gerou bastante repercussão. Ele foi atingido em um acidente múltiplo na largada em Detroit, o que danificou sua asa dianteira. Mesmo assim, assumiu a liderança e usou toda a sua experiência nas ruas estreitas da cidade para sustentar a ponta até a linha de chegada.

Enzo Fittipaldi (Foto: IndyCar)

O brasileiro teve ainda um fim de semana impecável em Mid-Ohio, onde a HMD finalmente entregou o melhor acerto do grid. Fittipaldi aproveitou a oportunidade para cravar as duas pole positions, liderar todas as 65 voltas e vencer ambas as corridas, tornando-se o piloto com o maior número de triunfos e assumindo a liderança do campeonato.

No entanto, dali em diante, restou a Fittipaldi adotar uma postura de minimização de danos. O carro perdeu competitividade nos circuitos mistos — onde ele teve seus momentos mais brilhantes — e nos ovais, que se consolidaram como o calcanhar de Aquiles do conjunto.

Esse desempenho abaixo da média em ovais pesa na Indy, categoria que tem as 500 Milhas de Indianápolis como seu ápice. As equipes avaliam esse fator, mas também levam em conta o fato de Fittipaldi ser um piloto que raramente traz prejuízo por acidentes. Trata-se de um ponto bastante valorizado em um paddock cada vez menos tolerante com quem destrói carros — tendência que deve se intensificar no atual período de transição até a estreia do novo chassi IR-28, em 2028.

Contudo, apenas o talento e a regularidade não bastam. Mais do que a pilotagem, as equipes da Indy estão de olho no aspecto financeiro. Para adquirir três chassis e as peças sobressalentes necessárias para atender um piloto na categoria, estima-se um gasto de US$ 4 milhões (R$ 20,4 milhões na cotação atual) — quantia que representa uma fatia expressiva do orçamento anual.

Sem o prêmio concedido ao campeão, Fittipaldi enfrenta um desafio ainda maior para garantir um lugar no grid da Indy. Os cerca de US$ 1 milhão (R$ 5,1 milhões) podem fazer muita falta neste momento, no qual pilotos com maior aporte financeiro — como Johnson, que conta com forte patrocínio e a premiação do título da Indy NXT — duelam diretamente pelas últimas vagas para 2027.