Nos últimos meses, a Indy não escondeu o desejo de realizar uma corrida fora da América do Norte, algo que não acontece desde 2013 com a etapa de São Paulo. Algumas opções surgiram no radar, como Brasil, Colômbia, Espanha, e até Japão e Austrália. A comitiva da categoria chegou a visitar o autódromo de Goiânia em abril, mas foi o circuito de Barcelona que despontou como favorito para receber uma prova. Apesar de alguns fatores o colocarem em desvantagem em relação à pista catalã, o traçado goiano ainda pode sediar uma corrida no futuro.
Além do fator Álex Palou — pentacampeão e principal protagonista da categoria nos últimos anos —, um dos principais motivos que convenceu a Indy a enxergar Barcelona com bons olhos foi a infraestrutura, já que entre os maiores empecilhos de ter uma corrida fora da América do Norte sempre foi os altos custos logísticos de transporte de carros e equipamentos para fora do continente americano, além da necessidade de planejar uma instalação dedicada.
Foi exatamente neste cenário que a estrutura fixa e a vasta experiência de Barcelona na organização de eventos mundiais jogaram a favor dos espanhóis, desbancando alternativas focadas em traçados de rua. Inclusive, a Fox — que adquiriu, em 2025, 33% da Penske Entertainment, empresa dona da Indy e do Indianápolis Motor Speedway — sequer vai precisar levar o equipamento de transmissão, o que resulta em uma economia de milhões de dólares. Por outro lado, os custos para deslocar toda a operação da categoria à Espanha são altos.
Antes de se aproximar de Barcelona, a Indy flertou com uma corrida em Goiânia. Mark Miles, CEO da Penske Entertainment, já realizou três visitas ao Autódromo Internacional Ayrton Senna — a primeira delas em abril — para verificar as condições da pista e se reunir com autoridades locais. Houve certo otimismo em fechar um acordo para realizar a etapa já em 2027, mas as negociações esfriaram.

Em um momento decisivo para a definição do calendário da temporada 2027, Daniel Vilela, governador de Goiás, concentrou os esforços na campanha pela reeleição, vencida ainda no primeiro turno, e as conversas ficaram estagnadas. Atualmente, não há sequer um promotor para a prova, o que reduz as chances de Goiânia receber uma etapa no ano que vem. Em contrapartida, representantes do circuito de Barcelona estiveram em Laguna Seca — palco da última etapa do campeonato deste ano — para tratar de uma possível corrida.
O asfalto, que se tornou um dos principais problemas do Autódromo Internacional Ayrton Senna durante o GP do Brasil de MotoGP, em março, também entrou na pauta das conversas com a Indy. A categoria apresentou sugestões para melhorar as condições do piso e torná-lo mais adequado para receber a etapa. Segundo apuração do GRANDE PRÊMIO, as recomendações foram acatadas. Ainda assim, as chances de a pista brasileira sediar uma etapa da principal competição de monopostos estadunidense em 2027 são pequenas, enquanto um acordo para 2028 parece mais viável.
Oficialmente, a Indy retorna apenas em 2027, entre os dias 5 e 7 de março, com o GP de St. Pete, que abre a temporada do próximo ano da categoria.