Os desdobramentos da guerra no Irã estouraram também na temporada 2026 da Fórmula 1. Com duas provas adiadas, mas com o cancelamento provável, há impacto direto naquilo que a F1 planejava para o ano. Mas perder datas não é novidade na história da categoria. Pelo contrário, há um longo histórico de cancelamentos com o qual o campeonato tende lidar.

O GRANDE PREMIUM lembra algumas temporadas afetadas por cancelamentos.

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Temporada 1955

O grande desastre de Le Mans, que resultou na morte de pelo menos 80 espectadores e um piloto em junho de 1955, criou uma onda de choque que reverberou mundo afora. Diversos países proibiram o automobilismo até que certas medidas de segurança para o público fossem tomadas. Com isso, o campeonato de 1955 se viu no prejuízo com as perdas dos GPs da França, Alemanha, Suíça e Espanha.

Temporada 1957

Assim como em 2026, uma guerra teve desdobramentos diretos no calendário da F1. Foi a Guerra de Suez, que consistiu na invasão do Egito por parte de Israel, França e Inglaterra, com objetivos como a reabertura do Canal de Suez e a derrubada do presidente egípcio, Gamal Abdel Nasser, que havia nacionalizado o canal e as petrolíferas no país um ano antes. Com o preço do combustível em disparada no mercado internacional, GPs de Bélgica e Países Baixos ofereceram valores de premiação abaixo do costume para equipes da F1, que rejeitaram, obrigando o calendário a mudar. O GP de Pescara, na Itália, num circuito muito maior que o costume na categoria. Stirling Moss venceu aquela que foi a única vez que a categoria passou pela cidade na costa do Mar Adriático.

A F1 1957 foi afetada pela guerra em Suez. Fangio terminou campeão (Foto: Maserati)

Temporada 1969

Na versão antiga da pista de Spa-Francorchamps, Jackie Stewart, piloto mais empenhado pela segurança dos carros e circuitos talvez em toda a história da Fórmula 1, bateu o pé. Tinha sofrido acidente assustador por lá alguns anos antes e, após averiguar se as modificações por segurança haviam sido contempladas, deparou-se com resposta negativa. As exigências foram refeitas e os promotores da prova, não gostaram. O resultado foi um boicote dos pilotos que acabou no cancelamento do GP da Bélgica.

Temporada 1985

Há uma diferença fundamental desta corrida para as outras na lista: o fato de que, no fim das contas, o GP da Bélgica — de novo! — de 1985 foi, sim, realizado, embora com meses de atraso. Mas entra na lista pelo fator bizarrice. Spa-Francorchamps apenas recuperava o posto de casa definitiva da F1 na Bélgica e estava pronta para receber a quinta etapa do campeonato. Os carros chegaram e, nos primeiras treinos, algo incrível aconteceu: o asfalto começou a se desfazer em buracos na passagem dos carros. O motivo é que a pista fora recapeada para ajudar na aderência sobretudo quando o traçado estivesse molhado. Apesar dos reparos realizados na noite da sexta-feira, nada melhorou. A corrida foi cancelada. Depois, com o acerto do solo, a F1 voltou atrás e cancelou o cancelamento, realizando a corrida com quase quatro meses de atraso.

Jackie Stewart foi campeão mundial e ainda liderou uma revolta dos pilotos em 1969 (Foto: Reprodução)

Temporada 2011

Os planos da Fórmula 1 indicavam a abertura da temporada no Bahrein, no fim de semana de 13 de março, logo após uma sessão de testes de pré-temporada, na semana interior. Mas protestos em massa contra o governo tomaram conta do país, no contexto da Primavera Árabe, e forçaram a mudança de planos. Os testes foram para Barcelona e a corrida até chegou a ser remarcada para o fim de outubro, mas foi cancelada de vez após a Associação de Equipes da F1 se opor.

Temporada 2020

A temporada mais afetada de todos os tempos. O Mundial estava em Melbourne para a primeira corrida da temporada quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) decretou o coronavírus como uma pandemia global. A corrida, marcada para 15 de março, foi cancelada. Assim como ela, também cairiam Vietnã, China, Países Baixos, Mônaco, Azerbaijão, Canadá, França, Singapura, Japão, Estados Unidos, Cidade do México e Brasil. O campeonato começou apenas em julho e foi adiante com 17 provas e duas provas na Áustria, Inglaterra e Bahrein, bem como eventos emergenciais na Alemanha, Portugal e Turquia, bem como uma segunda prova na Itália, o retorno a Ímola.

2020 foi o ano da temporada pandêmica da F1. Lewis Hamilton foi o campeão (Foto: Pirelli)

Temporada 2021

Ainda com a pandemia assombrando o mundo, o calendário era mera sugestão. No fim das contas, cinco das corridas planejadas foram canceladas: China, Canadá, Singapura, Japão e Austrália. Para ocupar os buracos, a categoria voltou a realizar uma segunda corrida na Áustria, rebatizada de GP da Estíria, e provas em Portugal e Turquia.

Temporada 2022

As restrições na China mais uma vez impediram a realização do evento. Mesmo com o restante do mundo se abrindo, a China estabeleceu parâmetros severos de deslocamento urbano dentro do país, impossibilitando grandes fluxos migratórios tanto internos quanto externos. Já na Europa, a invasão russa na Ucrânia fez com que a Fórmula 1 cancelasse o GP da Rússia, em Sóchi. Seria a última edição da corrida por ali, uma vez que, no ano seguinte, o plano era mudar a corrida para a cidade de São Petersburgo.

Sóchi recebeu a F1 por anos, mas a última edição do GP da Rússia foi em 2021. Depois disso, a guerra na Ucrânia começou (Foto: Mercedes)

Temporada 2023

O GP da China novamente foi confirmado apenas para ser cancelado meses depois. Entretanto, um segundo evento terminou por ser cancelado: o GP da Emília-Romanha, em Ímola, por conta das enchentes no norte da Itália. Parte das equipes já ocupava o autódromo quando veio a definição pela desistência para que as autoridades locais deslocassem toda atenção no socorro à população local, mas também pelo medo que novas cheias no rio Santerno causassem prejuízos.

Temporada 2026

As quedas, por enquanto momentâneas, dos GPs da Arábia Saudita e do Bahrein apresentam somente a ponta da geleira do problema que o conflito no Oriente Médio representa na Fórmula 1. Não apenas pelas duas corridas, cujo cancelamento está na condicional, mas o calendário ainda conta com corridas no Catar e nos Emirados Árabes. Sim, apenas no fim do ano, mas não há qualquer indício de que o conflito vai acabar por enquanto. Além disso, as ligações sanguíneas de Aston Martin e Arábia Saudita e McLaren e Bahrein deixam no ar que as consequências podem ir além.

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