A classificação desta sexta-feira (25), no Azerbaijão, mostrou aquilo que todo mundo já esperava: a Mercedes nadando de braçada na briga contra as rivais. E quem soube tirar proveito muito bem da situação foi George Russell, que cravou a pole-position com direito a uma vantagem de mais de 0s8 em relação a Charles Leclerc, que colocou a Ferrari no segundo posto.
Mas cadê Andrea Kimi Antonelli? O italiano cometeu um erro “desnecessário”, como ele mesmo avaliou, e terá de largar apenas do 16º lugar. Não que isso vá mudar alguma coisa na briga pelo título, mas a jornada do italiano rumo à parte de cima do pelotão pode ser um pouco mais turbulenta do que foi na Itália, até porque a pista de Baku sempre está disposta a permitir o caos.
Embora Carlos Sainz tenha sido punido, o desempenho da Williams com o novo chassi também chamou a atenção. Por outro lado, a Audi, que desembarcou por lá com 14 atualizações no carro, sofreu um forte baque ao ver Gabriel Bortoleto e Nico Hülkenberg eliminados logo no Q1.
Diante disso, o GRANDE PRÊMIO lista cinco pontos da sexta-feira da Fórmula 1 no Azerbaijão.
Alguém anotou a placa?
George Russell atropelou os adversários na classificação desta sexta-feira (25) em Baku. Totalmente confortável a bordo do W17 desde o início do fim de semana, o britânico manteve o mesmo nível apresentado durante os treinos livres e cravou a pole-position com uma vantagem de 0s837 para cima de Charles Leclerc — a maior da F1 desde Michael Schumacher no GP da Malásia de 1999. Um feito impressionante que eleva o #63 ao posto de grande favorito à vitória no Azerbaijão.
Um triunfo neste sábado não o recolocaria na briga pelo título da temporada 2026, que já está nas mãos de Andrea Kimi Antonelli, mas poderia ajudá-lo a recuperar um pouco da confiança perdida após tantas decepções. Até porque, mesmo com todo o potencial demonstrado pelas Flechas de Pratas este ano, é impressionante que Russell esteja prestes a conquistar apenas a terceira vitória em 15 corridas disputadas.
Por outro lado, o campeonato até aqui mostrou que é sempre difícil descartar Antonelli antes da hora, mas, ao largar de 16º, o italiano terá uma jornada muito mais difícil pela frente do que aquela vista no GP da Itália. De qualquer maneira, se não fosse o erro bobo cometido logo no Q1, o #12 caminharia tranquilo para o segundo lugar, minimizando os danos de um fim de semana em que o companheiro parece imbatível.

O sonho que virou pesadelo
Se Andrea Kimi Antonelli vacilou e ficou de fora da disputa pela pole-position contra George Russell, Max Verstappen parecia ser o nome certo para dificultar a vida do britânico da Mercedes — ou pelo menos não ser massacrado com 0s8 na tabela de tempos. Isso porque, apesar de reclamações aqui e ali durante os treinos, o tetracampeão realmente parecia pronto para dar o bote com o atualizado RB22.
Mas na hora que mais importava, o motor a combustão da Red Bull apresentou problemas e acabou completamente com as chances do neerlandês. Com a falta de potência nas retas, que o fez perder 0s5 em relação a Isack Hadjar, e os quiques do carro na parte dianteira, que prejudicaram a performance nas frenagens, a sexta-feira dos sonhos se tornou em pesadelo rapidamente.
Verstappen está certo ao dizer que a equipe taurina jogou fora a grande oportunidade de vitória na temporada 2026 da F1. Com o enorme déficit de desempenho que existe em comparação aos carros da Mercedes, pistas traiçoeiras como a de Baku poderiam ajudá-lo a aprontar alguma, ainda mais em um momento em que Antonelli estava fora da jogada. Partindo do oitavo lugar, definitivamente não há muito o que fazer.

De novo, Ferrari?
É impressionante como a falha de comunicação realmente parece ser um problema sem solução na Ferrari. Após casos recentes, como na Bélgica, a confusão com as estratégias nos Países Baixos e o drama entre os pilotos na Itália, a equipe de Maranello parece não ter aprendido nada. Desta vez, porém, nem se tratou de mal-entendido entre os pilotos, mas, sim, os próprios italianos não compreendendo muito bem o que estavam fazendo na classificação.
É importante deixar claro que o segundo lugar de Charles Leclerc é muito mais do que a Ferrari poderia sonhar. Os italianos estiveram com dificuldades para extrair performance da SF-26 desde o início das atividades em Baku e contaram com problemas e erros de Red Bull e McLaren para ver o monegasco na primeira fila — o que não tira o mérito do #16. Então qual é a grande questão?
Acontece que em uma pista onde a velocidade de reta é tão importante e, por isso, já se esperava que a escuderia se colocasse em apuros, o vácuo no longo trecho do setor 3 é crucial. Era com isso, então, que os pilotos contavam. Só que Lewis Hamilton viu a equipe mudar de estratégia de última hora e deixá-lo sem ninguém à frente no Q3, nem mesmo um rival para tirar vantagem.
De novo, a crítica nem é ao resultado em si, mas à maneira como a Ferrari costuma não saber muito bem o que fazer ou como se comunicar com os pilotos.

A mágica do Mounjaro na Williams
A gigante acordou?! Calma, não é para tanto. Mas é verdade que o novo chassi levado até o Azerbaijão ajudou Williams a chegar pela primeira vez ao Q3 na temporada 2026 da F1. Interessante que isso tenha acontecido na mesma pista em que Carlos Sainz conquistou o primeiro pódio com a equipe em 2025, deixando todos na fábrica de Grove bastante iludidos com o que eles aprontariam no ano seguinte.
Mas de onde saiu o desempenho em Baku? O principal fator foi a perda de peso, com o FW48 agora abaixo do limite de 768 kg estabelecido pelo regulamento da categoria, o que faz com que a dupla de pilotos tenha de competir com lastros. Além disso, mudanças no assoalho, na suspensão traseira e nos dutos de freio ajudaram a impulsionar o carro azul.
Isso não quer dizer, porém, que a Williams será uma candidata ao Q3 e aos pontos em todos os finais de semana. Mas mesmo assim, para um time que sofreu com atrasos no projeto e que está em nono no Mundial de Construtores, atrás até mesmo da estreante Audi, isso pode ser visto como uma boa notícia.

Melhor voltar pro carro velho
Que coisa tenebrosa. A Audi, que desembarcou em Baku com nada menos que 14 atualizações no carro, viu os dois pilotos serem eliminados no Q1 pela primeira vez na curta história da equipe na F1. É verdade que tanto Gabriel Bortoleto quanto Nico Hülkenberg foram atrapalhados por bandeiras amarelas nas últimas tentativas de volta rápida, mas isso não justifica a performance ruim do R26.
Mas também não podemos chegar aqui e crucificar o time por causa de uma classificação. A temporada de estreia da marca das quatro argolas tem sido para lá de positiva, com resultados melhores do que muita gente esperava antes do início do ano. Com tantas mudanças logo em uma pista traiçoeira como a do Azerbaijão, é preciso esperar as próximas etapas para ver se as coisas voltam ao normal.
De olho na corrida deste sábado, a Audi apresentou ritmo de corrida melhor do que algumas das principais rivais, como Racing Bulls, Haas, Williams, Cadillac e Aston Martin. Embora seja ousado pensar em pontos, um pouco de caos pode ajudar Bortoleto e Hülkenberg a avançarem pelo pelotão.

O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades do GP do Azerbaijão AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificação e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV. Além da cobertura completa, o GRANDE PRÊMIO está in loco com o repórter Leonid Kliuev.
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