Foi apenas o começo do fim de semana do GP da Itália de Fórmula 1 na temporada 2026, mas esta sexta-feira (4) deixou algumas impressões que valem a atenção nos próximos dias. No templo da velocidade, a pista que tradicionalmente rende as maiores velocidades do calendário, a primeira passagem desta nova geração de carros foi, no mínimo, interessante.

GP DA ITÁLIA F1 2026: RUSSELL TIRA FERRARI DA PONTA E LIDERA TREINOS | Briefing

A começar pelo duelo na frente. É verdade que Mercedes e Ferrari lideraram um treino cada, mas o dia chegou ao fim com uma favorita evidente. O que não quer dizer que a outra não tenham motivos para ficar otimista, pelo contrário.

As atualizações distribuídas grid afora por várias das equipes também mudam a percepção de cada uma e do pelotão intermediário para a etapa. Classificação e corrida, claro, vão colorir as impressões rascunhadas, mas é um bom começo.

Diante disso, o GRANDE PRÊMIO lista cinco pontos da sexta-feira da Fórmula 1 na Itália.

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George Russell sai na frente (Foto: Mercedes)

Mercedes é favorita

É evidente, não é? O ritmo de classificação é superior, o ritmo de corrida também. O motor é mais potente onde potência mais é necessária e o gerenciamento de energia é bastante superior às rivais. A Ferrari se armou de mudanças para conseguir lutar e até se aproximou, mas é impressionante como a unidade de potência mercedista é capaz para dosar a energia. Perde-se muito pouco. A capacidade de atacar as curvas de alta também separa as Flechas Prateada até da McLaren, que usa o mesmo motor. A sexta-feira corroborou quem manda e, com Andrea Kimi Antonelli punido, George Russell tem tudo na mão para vencer.

Ferrari dá impressão de sucesso

Mas se a Mercedes é claramente a favorita, como a Ferrari pode ter aventado sucesso? Porque está próxima. Só isso já indica o caminho correto na segunda atualização de motor calcada nas concessões do ADUO. A sensação é de uma Ferrari mais potente e ajustada para uma pista como Monza, que tanto se esperou que fosse um calcanhar de Aquiles. Nunca a SF-26 foi tão eficiente em curvas de alta velocidade. Charles Leclerc terminou somente a 0s1 de Russell no TL2 e conseguiu se aproximar em ritmo de classificação. Para a corrida é outra história, com a McLaren ainda entre as duas. De qualquer maneira, a Ferrari tem sabido por que estradas precisa caminhar.

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Falta de velocidade está ali (Foto: Ferrari)

A lentidão foi remediada, mas está ali

Os ajustes feitos pela FIA nas regras instituídas neste ano — especialmente a quantidade de energia que pode ser estocada durante uma volta — aplacaram a situação da falta de velocidade dos novos carros, mas não sumiram com tudo. A volta de George Russell que liderou o TL1 foi de 1min22s559, com média de 334 km/h de velocidade. É um tempo 2s7 mais lento do que aquele de Lando Norris que serviu para pontear o TL2 de 2025. A situação, portanto, é menos desastrosa do que imaginavam no começo do ano, mas ainda tem pontos de estranhamento. O principal deles é o fato dos carros pararem de aumentar a velocidade no meio da reta dos boxes. Mas isso dificilmente será resolvido, quaisquer que sejam os ajustes, ainda neste regulamento. Resta se acostumar para os próximos anos.

Alpine ao ataque (verbal)

Essa não tem a ver necessariamente com os treinos ou com a corrida que vem por aí, ao menos diretamente. A oficialização da retirada do pódio de Pierre Gasly no GP de Mônaco, realizado em junho e que estava sob discussão até hoje, pegou nos nervos da equipe francesa. Flavio Briatore, ao lado de Andrea Stella na coletiva, disparou que o juiz do Tribunal de Apelação da FIA tinha “ligações com a McLaren”, o que fez o chefe da rival responder também com contundência. Depois, Gasly foi claro no que pensa. “Fomos roubados. As coisas não vão ficar assim”, falou. A pergunta é: vão ficar como?

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(Bearman gostou do carro modificado Foto: Haas)

Audi crê, Haas se anima e Alpine teme

São várias as equipes do meio de pelotão que levaram novidades à Itália e outras tantas que ainda tentam entender seu lugar ao. A Haas, que pouco mexeu no carro em 2026, recebeu o motor Ferrari atualizado com as concessões do ADUO2 — apenas um, entregue para Oliver Bearman — e ainda introduziu um pacote aerodinâmico todo novo. O jovem saiu nas nuvens. “A mudança é como ir da noite para o dia. Evoluímos muito”, afirmou.

Na Audi, que não tem mudanças de atualização, mas fez ajuste no câmbio para tentar adaptar às necessidades da pista. Novata na produção de motores, a Audi ainda sofre na potência final, o que transforma Monza no pior cenário possível. Mas tanto Gabriel Bortoleto quanto Nico Hülkenberg terminaram a sexta-feira falando quase a mesma coisa: não dá para jogar a toalha logo de saída e que continuam otimistas. Nas duas outras pistas mais velozes do calendário até agora, Silverstone e Spa, a Audi não foi tão mal assim e Gabriel até pontuou na etapa belga. A Alpine, por sua vez, mexeu na aleta da asa dianteira dentro do programa de desenvolvimento da asa, onde deseja aumentar a carga, bem como ajustou a asa traseira para reduzir o arrasto. Mesmo cercada de expectativa interna, nada muito grande aconteceu nos treinos. O ritmo de corrida até foi respeitável, mas ainda falta aderência e equilíbrio. O sábado vai dizer muito.