Com uma grande mudança no regulamento da Fórmula 1 no próximo ano, o foco da maior parte das equipes do grid já está no carro de 2026, como a Aston Martin, que abandonou o desenvolvimento do projeto atual e se concentra no novo modelo, que terá Adrian Newey como projetista. Andy Cowell, chefe do time britânico, detalhou o progresso e disse que está tentando estabelecer metas rigorosas para impulsionar o empenho.

Além de modificações no âmbito das unidades de potência, com a parte elétrica passando a representar até 50% da força total — frente aos 20% atuais — e combustível 100% sustentável, a aerodinâmica dos carros também enfrentará uma verdadeira revolução com o novo regulamento, incluindo o fim do DRS, o retorno da aerodinâmica ativa e a redução significativa do efeito-solo.

Ainda, a partir de 2026, a Aston Martin deixará de ser cliente de motores da Mercedes e passará a ser a única equipe do grid a ter os motores Honda, que encerra a parceria com a Red Bull ao fim da temporada atual. A fabricante japonesa venceu dois Mundiais de Construtores ao lado dos taurinos – 2022 e 2023.

O cenário único de equipes priorizando esforços em projetos que só serão vistos no início do próximo ano torna difícil avaliar o desempenho de cada uma no momento. Mas Cowell deixou claro que não quer que isso signifique que a Aston Martin possa simplesmente entrar na era do novo regulamento sem se esforçar.

Andy Cowell diz que Aston Martin adotou “metas rigorosas” para desenvolvimento do carro de 2026 (Foto: Reprodução/Motor.es)

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“Devemos ver cada fim de semana de corrida como se fosse o resultado de um teste, mas a tese está sendo escrita agora mesmo na fábrica”, disse o chefe da equipe esmeraldina em entrevista ao portal The Race. “A verdadeira corrida pelo desenvolvimento de inovações para o GP da Austrália de 2026 está acontecendo em todas as fábricas de F1 neste momento”, seguiu.

“Portanto, da mesma forma que centenas de engenheiros estão perseguindo todos os planos de desenvolvimento de sistemas, quanto mais pudermos fazer agora, melhores serão os resultados dos exames que vamos obter em Melbourne, e depois na China, no Japão e assim por diante”, apontou.

“Estamos tentando estabelecer metas rigorosas. Estamos tentando impulsionar o progresso de forma determinada. E isso inspira as pessoas a ver que a corrida está acontecendo agora, e cada pequena melhoria que fizermos agora terá retorno no ano que vem”, ressaltou.

Cowell ainda afirmou que deseja que a equipe esteja motivada como se tivesse passado por um fim de semana desastroso. “Se há um GP decepcionante, todas as organizações de engenharia, a partir da tarde de domingo, entram em um modo diferente, em que todos pensam ‘precisamos realmente fazer isso’”, destacou.

Andy Cowell quer equipe motivada e entusiasmada trabalhando no carro de 2026 (Foto: Aston Martin)

“Então, como podemos estabelecer esse nível de entusiasmo e determinação agora? Tenho certeza de que todas as equipes de F1 estão tentando fazer isso, mas queremos estabelecer isso de forma que possamos operar assim 49 semanas por ano — porque há três semanas em que paramos. Queremos esse nível de ambição, entusiasmo, inquietação e determinação, e um caráter que nos leve a explorar diferentes caminhos e sermos pioneiros”, enfatizou.

“Isso pode significar que, durante três semanas, você segue um caminho de desenvolvimento e, no final, percebe: ‘Bem, na verdade, esse não é um trajeto para explorar’. Então, você volta, mas aprendeu que aquela não era a direção a seguir, e isso muitas vezes lhe ensina por onde deve ir”, explicou.

“Portanto, é pioneirismo. Vamos fazer isso, mas com um nível de intensidade em que queremos escalar o Everest sem oxigênio, só que mais rápido do que qualquer outra pessoa já fez”, encerrou o chefe da Aston Martin.

A Fórmula 1 volta às pistas apenas após o recesso de verão, entre os dias 29 e 31 de agosto, para o GP dos Países Baixos, em Zandvoort.