O caótico GP do Azerbaijão proporcionou boas histórias, mas também jogou os holofotes sobre alguns pilotos específicos, como George Russell, Franco Colapinto, Andrea Kimi Antonelli, Gabriel Bortoleto e Lewis Hamilton. E como se não bastasse a natural pressão por respostas e resultados, há ainda o fato de que eles terão de ser mostrados em um circuito que não recebe a Fórmula 1 há nove anos: Sepang, na Malásia.
Primeiro, vamos ao contexto: Sepang foi a alternativa logística da F1 para realocar o GP do Bahrein no calendário diante da impossibilidade de realizar a prova em Sakhir. Desde fevereiro, o Oriente Médio vive sob tensão por causa dos ataques dos Estados Unidos ao Irã — que, em resposta, passou a bombardear base miliares norte-americanas nos países vizinhos, sendo o Bahrein um deles.
Há, portanto, muita expectativa e temor também com a chegada da F1 a uma pista praticamente nova, com um regulamento totalmente modificado e num momento decisivo do campeonato — no meio da maratona de seis GPs em sete fins de semana. Malásia, no caso, é o segundo deles, e isso significa que todo ponto conta e erros poderão ser punidos de forma ainda mais dolorosa.
1. Antonelli: liderança ainda confortável, mas margem diminuiu
Antonelli chega ao GP do Bahrein como líder do Mundial, mas em uma situação diferente da que tinha antes do Azerbaijão. O italiano entrou em Baku com 81 pontos de vantagem sobre Russell, mas um acidente na classificação o obrigou a largar em 16º. Pilotando “como a avó” para escapar de confusões na sempre traiçoeira Baku, terminou a corrida em quinto, enquanto o companheiro de Mercedes venceu. A diferença caiu para 66 pontos.
O resultado ainda deixa Antonelli em posição confortável no campeonato, mas a disputa interna ganhou cenário interessante. Russell foi dominante em Baku: liderou treinos, conquistou a pole e venceu de ponta a ponta — o primeiro Grand Chelem da carreira. Antonelli, por outro lado, precisou fazer uma corrida de recuperação depois de um erro na classificação.
Sepang, portanto, representa uma oportunidade de recolocar a campanha nos trilhos. Antonelli chega com oito vitórias na temporada contra três de Russell, mas viu o companheiro recuperar 15 pontos em apenas uma etapa.

2. Russell: vitória recoloca pressão sobre Antonelli
Se Antonelli precisa defender a vantagem, Russell tem uma tarefa diferente: transformar o bom momento em uma sequência capaz de recolocar definitivamente o campeonato em disputa. A vitória em Baku foi a terceira em 2026 e encerrou um período sem triunfos desde o GP da Áustria. O britânico saiu do Azerbaijão 66 pontos atrás do companheiro.
Russell afirmou depois da vitória que a meta é “vencer todas as corridas” restantes e classificou a fase atual como decisivo na temporada. O desafio agora é repetir em Sepang o nível apresentado em Baku.
A pista malaia tem características diferentes das do circuito de rua do Azerbaijão. São 5,543 km, 15 curvas, longas retas, fortes zonas de frenagem e uma combinação de curvas rápidas e lentas, além de calor, umidade e possibilidade de chuva.
A vitória em Baku mostrou que Russell ainda está vivo na disputa. Um segundo resultado forte em sequência aumentaria a relevância do confronto dentro da própria Mercedes.

3. Bortoleto: Audi precisa provar que pacote funciona
Bortoleto chega a Sepang depois de um dos fins de semana mais estranhos da Audi em 2026. A equipe levou ao Azerbaijão um pacote significativo de atualizações aerodinâmicas, mas Bortoleto e Nico Hülkenberg foram eliminados ainda no Q1.
O problema é que os dados não apontaram simplesmente para uma atualização que deixou o carro mais lento. Bortoleto afirmou depois da corrida que o novo pacote funcionou especialmente bem no segundo setor de Baku, enquanto a equipe continuou sofrendo com falta de velocidade nas retas. Hülkenberg também apontou para a deficiência de velocidade máxima como um dos principais obstáculos no Azerbaijão.
Gabriel terminou a corrida em 13º, mas recebeu uma punição de 10s por ultrapassar sob bandeira amarela e caiu para 15º, embora os comissários tenham reconhecido a falha na sinalização do safety-car no volante do piloto. Para Sepang, a expectativa da Audi é que a pista ofereça uma leitura mais favorável do pacote. A equipe considera que as características do circuito malaio devem combinar melhor com o carro.

Para Bortoleto, o GP será importante justamente para transformar os sinais positivos da corrida em resultado. Em Baku, a Audi terminou sem pontos, enquanto Williams e Haas conseguiram aproveitar a etapa para pontuar.
4. Colapinto: punição e necessidade de resposta imediata
Colapinto é quem chega mais pressionado à Malásia depois de causar o acidente na relargada que tirou não apenas Lando Norris, como o próprio companheiro de Alpine, Pierre Gasly, da corrida. O lance rendeu uma punição de 10s convertida na perda de cinco posições no grid do GP do Bahrein por ele ter abandonado a prova em Baku.
O próprio Colapinto assumiu a responsabilidade pelo acidente e afirmou que cometeu um erro ao frear com pneus e freios frios. A situação pesa ainda mais porque o acidente aconteceu justamente quando a Alpine tinha possibilidade de marcar pontos com os dois carros.
Para variar, o chefe da Alpine, Flavio Briatore, não gostou nada do que viu e foi bastante vocal nas declarações. Norris também soltou o verbo e chegou a pedir a suspensão de Franco, desencadeando nova onda de ódio nas redes e forçando a equipe francesa a emitir nota condenando os ataques. O britânico, depois, pediu desculpas pela fala.

5. Hamilton: Ferrari precisa encontrar resposta
Hamilton chega ao GP do Bahrein depois de outro fim de semana em que a Ferrari não conseguiu acompanhar Mercedes, Red Bull e McLaren. Ele terminou a etapa em Baku em sexto, enquanto Charles Leclerc foi quarto.
O principal problema, segundo o próprio Hamilton, esteve no funcionamento dos pneus, explicando que a Ferrari teve dificuldade durante todo o fim de semana para manter a borracha na janela ideal de operação. A equipe também identificou problemas relacionados ao gerenciamento de energia.
Hamilton, portanto, não chega à Malásia apenas em busca de uma resposta individual. O resultado também servirá para medir se a Ferrari consegue reagir em uma pista com características diferentes das de Baku. Lewis reconheceu que Sepang será um desafio diferente e afirmou que a equipe precisava reagrupar-se para voltar mais forte na etapa seguinte.

O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades do GP do Bahrein, em Sepang, AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificação e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV.
GP do Bahrein na Malásia de F1: veja os horários no Brasil, Cabo Verde, Portugal, Angola e Moçambique:
Horários no Brasil*
Sábado (3)
- TL3: 01:30
- Classificação: 05:00
Domingo (4)
- Corrida: 04:00
Horários em Cabo Verde
Sexta (2)
- TL2: 07:00
Sábado (3)
- TL3: 03:30
- Classificação: 07:00
Domingo (4)
- Corrida: 06:00
Horários em Portugal e Angola
Sexta (2)
- TL2: 09:00
Sábado (3)
- TL3: 05:30
- Classificação: 09:00
Domingo (4)
- Corrida: 08:00
Horários em Moçambique
Sexta (2)
- TL2: 10:00
Sábado (3)
- TL3: 06:30
- Classificação: 10:00
Domingo (4)
- Corrida: 09:00
*Horários de Brasília
F1 hoje: perguntas frequentes
Quando é a próxima corrida da F1?
A próxima corrida será o GP do Bahrein, no domingo, 4 de outubro de 2026, às 4h de Brasília. Apesar do nome, a etapa será disputada em Sepang, na Malásia. Veja os horários do fim de semana.
Onde assistir ao GP do Bahrein de F1 no Brasil?
Treinos, classificação e corrida terão transmissão pelo sportv3, Globoplay e F1 TV. A prova não será exibida na TV aberta. O GRANDE PRÊMIO fará cobertura em tempo real e segunda tela da classificação e da corrida. Confira as opções de transmissão.
Quem lidera o campeonato da F1 2026?
Kimi Antonelli lidera com 302 pontos. George Russell é o segundo, com 236, após vencer no Azerbaijão e reduzir a diferença para 66 pontos. Entenda a disputa na Mercedes.