Diretor-administrativo da Alpine, Steve Nielsen afirmou que, embora não seja impossível, é muito improvável que a Fórmula 1 veja alguma equipe surpreender nos mesmos moldes do que a Brawn GP fez na temporada 2009. De acordo com o dirigente, ainda que o novo regulamento de 2026 crie um cenário favorável para a situação se repetir, todos no grid “já conhecem o truque”.

Há cerca de 17 anos, a categoria também enfrentou mudanças importantes nas regras, com o objetivo de reduzir custos, aumentar o número de ultrapassagens e diminuir a dependência aerodinâmica. Por isso, a asa dianteira se tornou mais e longa e mais simples, enquanto a asa traseira ficou mais alta e estreita, além da introdução opcional do KERS e do difusor fortemente limitado — dois fatores, inclusive, que tiveram grande importância no campeonato daquele ano.

Com o objetivo de sair na frente das rivais, a Honda — que posteriormente se tornou a Brawn — abriu mão da temporada 2008 e passou a concentrar todos os esforços no desenvolvimento do novo carro. Desta forma, Jenson Button venceu seis das sete primeiras corridas em 2009 e, apesar de ter sido alcançado por equipes como Red Bull e McLaren, conquistou tanto o Mundial de Pilotos quanto o de Construtores com a escuderia liderada por Ross Brawn.

Vale lembrar que a F1 novamente passa a competir sob um novo regulamento em 2026, o que promete alterar a ordem de forças do grid. Além de mudanças robustas na aerodinâmica dos carros, as unidades de potência terão a parte elétrica ampliada, passando a representar até 50% da força total — frente aos 20% das antigas — e combustível 100% sustentável.

Diretor da Alpine minimizou possibilidade de F1 ter ‘nova Brawn GP’ em 2026 (Foto: Fórmula 1)

Por isso, em entrevista ao site PlanetF1, Nielsen, diretor da Alpine, que vai competir com motores Mercedes a partir deste ano, foi questionado sobre a possibilidade de algum time novamente surpreender. O dirigente, no entanto, explicou que a situação agora é diferente, já que todas as equipes adotam um cronograma muito similar na hora de desenvolver os novos modelos, começando muito antes do fim do campeonato.

“Acho que, quando a Brawn fez isso em 2009, era algo relativamente… não desconhecido, mas incomum de se ver. A Brawn (ainda como Honda) aguentou o impacto por um ano inteiro e depois colocou na pista um carro que estava um ano à frente da maioria. Naquela época, as pessoas começavam a virar a chave no fim do verão, então eles realmente tinham cerca de seis meses de vantagem”, lembrou.

“Aquilo era claramente o caminho a seguir naquele momento. Hoje, todos já conhecemos o truque”, apontou. “Ficou escancarado para todo mundo: embora nós tenhamos mudado [o foco] muito cedo, outros também fizeram algo parecido — provavelmente depois de nós, mas, ainda assim, cedo. Não acho que alguém tenha desenvolvido o carro até o fim, a menos que esteja brigando pelo campeonato”, pontuou Nielsen.

“Então, é possível? Suponho que sim, mas o truque para chegar lá já é bem conhecido”, concluiu.

Para diretor da Alpine, todos já conhecem os truques utilizados pela Brawn em 2009 (Foto: AFP)

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