A Ferrari novamente foi o nome da sexta-feira (30) na Cidade do México, onde a Fórmula 1 está para a 19ª etapa da temporada 2026. Charles Leclerc mostrou performance desde o início, assim como acontecera uma semana atrás, em Austin, e se tornou a referência no segundo treino livre do dia, quando as ponteiras voltaram a ter os titulares em ação — ao todo, dez novatos participaram das primeiras atividades do dia no México. A verdade é que a escuderia foi capaz de driblar o impacto da altitude e exibiu um equilíbrio aerodinâmico dos mais competitivos. Mas a esquadra chefiada por Frédéric Vasseur ainda precisa responder a algumas perguntas que ficaram pelo caminho desde a classificação do GP dos EUA. Ainda assim, não dá para descolá-la da briga da pole neste sábado, que tende a ser também muito parelha entre McLaren, Red Bull e Mercedes.

Só que antes de traçar um possível cenário do grid, é essencial entender que a vantagem mais importante não está apenas nos tempos de volta no Hermanos Rodríguez. Em um circuito no qual a altitude elevada interfere diretamente no funcionamento das unidades de potência, na refrigeração e no equilíbrio aerodinâmico, encontrar uma janela consistente é fundamental. E foi esse o ponto central do trabalho ferrarista. A equipe de Maranello se concentrou em aproveitar ao máximo os efeitos da altura em relação ao nível do mar para igualar o desempenho das rivais. Aliado a isso, a SF-26 pareceu naturalmente veloz, muito bem adaptada às demandas únicas da pista mexicana.

“No geral, o ritmo esteve presente desde o começo”, disse o chefe da Ferrari. “Desde a primeira volta, o ritmo esteve presente no stint longo, em uma única volta, e isso significa que precisamos fazer ajustes finos.”

De fato, Leclerc liderou a primeira sessão em 1min18s128, com uma vantagem de 0s6 em cima de Kimi Antonelli, da Mercedes. Já no TL2, o monegasco foi além e virou 1min17s827, para comandar a folha de tempos. Desta vez, a diferença foi menor para o segundo colocado, Lando Norris, que ficou a 0s1. Mas aqui é interessante dizer que Charles precisou de mais de uma tentativa para alcançar o melhor tempo. Na primeira volta, o dono do carro #16 pegou um incômodo trânsito da Cadillac de Sergio Pérez. No giro seguinte, cometeu um erro ainda no início da tomada e, só depois, é que foi capaz de garantir o primeiro lugar. Quer dizer, mesmo em passagens atrapalhadas, a Ferrari foi capaz de manter temperatura e o alto comportamento dos pneus.

Além disso, o piloto de Mônaco também estabeleceu as melhores marcas na simulação de corrida. De acordo com a análise da F1, a escuderia possui o melhor ritmo de corrida entre as adversárias. A Mercedes apareceu em segundo, com um déficit de 0s25 em relação aos italianos.

“Ainda é muito cedo [para falar em favoritismo], pois o México é um desafio. É um desafio com a altitude, para o carro e para os pilotos encontrarem o limite, sendo provavelmente pior este ano pelo fato de não termos as asas grandes como tínhamos no passado. Em 2025, tínhamos a configuração de Mônaco aqui. É igual para todos e temos muito trabalho à noite para melhorar a situação, mas vamos ver amanhã. Por hoje, um bom começo”, completou Vasseur.

Ainda sobre a Ferrari, há dois aspectos que precisam de respostas. O primeiro é o abandono de Lewis Hamilton ainda na primeira parte do TL2, quando a equipe pediu que o heptacampeão encostasse o carro. Por conta disso, Hamilton não pôde ensaiar o desempenho em condição de corrida. Então, permanece uma incógnita. A segunda questão tem a ver com algo que aconteceu em Austin. A escuderia começou bem a sexta-feira, mas não foi capaz de converter a velocidade dos treinos em pole ou primeira fila, e isso foi decisivo para a performance do domingo. O sábado, portanto, nasce como uma chance de redenção.

“A cada fim de semana a concorrência se torna mais acirrada. No ano passado, 0s05 separou o 2º do 6º lugar, e você pode passar de herói a nada. Isso significa que vamos nos concentrar em nós mesmos, não pensar na classificação e tentar fazer o melhor com o que temos”, falou o chefe francês.

Lewis Hamilton TL2 GP da Cidade do México (Foto: Reprodução / F1TV)

A visão de Vasseur se confirma diante do fato de que a McLaren surgiu forte nesta sexta-feira, ao menos com Norris, que surpreendeu na volta rápida, deixando a impressão de que o time papaia possui condições de entrar na briga pela pole. Mas há uma ressalva: Oscar Piastri. O australiano não conseguiu acompanhar o ritmo de colega de garagem. O piloto #81 terminou 0s642 atrás do líder, resultado que coloca dúvidas sobre o acerto do segundo carro, especialmente em um circuito que exige equilíbrio nas curvas lentas e nas mudanças de direção. Outro problema para a esquadra inglesa é que o desempenho de corrida não foi dos melhores. Por ora, a McLaren tem o quarto carro neste quesito, 0s29 atrás da escuderia.

“Com base no que vimos hoje, o nível de competitividade está extremamente acirrado, com as quatro principais equipes separadas por margens muito pequenas e o restante do grid mais próximo do que o habitual. O gerenciamento das temperaturas da unidade de potência e dos freios será crucial para o restante do fim de semana, sobretudo em condições de corrida ao andar no tráfego”, explicou Randy Singh, diretor-sênior de corridas da McLaren.

A Mercedes também terminou a sexta-feira em posição bastante confortável, bem diferença da semana passada, quando enfrentou dificuldades com o acerto do W17 nas curvas de média e baixa velocidade. A proximidade entre George Russell e Kimi Antonelli indica que a equipe encontrou uma configuração competitiva nos dois carros. O inglês terminou o TL2 a 0s106 de Leclerc, na terceira posição, logo à frente do italiano. A diferença entre eles ficou em 0s1 apenas. O desempenho da Mercedes nas simulações de corrida também merece atenção. Os primeiros indicativos apontaram um ritmo competitivo e bem próximo ao da Ferrari.

“Um dia sólido para nós — não espetacular, mas sólido”, disse o vice-diretor da equipe alemã, Bradley Lord. “Nosso objetivo é sempre estar lá na frente, lutando pela pole, pela primeira fila. Parece que temos potencial para isso, e agora precisamos tomar as medidas certas para garantir que possamos concretizar esse potencial amanhã.”

Verstappen e Lawson se estranham durante TL2: ambos serão punidos (Vídeo: Reprodução/F1)

Desta vez, a Red Bull surgiu como a última entre as equipes ponteiras em ritmo de classificação. É bem verdade que houve um salto de qualidade entre os treinos livres, em que o time precisou mexer na configuração e também investigar questões relacionadas à confiabilidade. Max Verstappen foi o quinto na tabela, a 0s3 do líder da sessão 2, enquanto Isack Hadjar apareceu em sexto, 0s1 mais lento que o neerlandês. O problema maior foi um incidente entre o tetracampeão e Liam Lawson, que acabaram se tocando ao dividirem duas curvas em meio ao TL2. O toque danificou ambos os carros e ainda rendeu uma punição para os dois, que perdem uma posição no grid.

Diretor-técnico dos taurinos, Pierre Waché reconheceu que o desempenho do carro de Verstappen foi “claramente afetado” pelos danos. Ainda assim, a esquadra dos energéticos apresentou uma performance de corrida dos mais interessantes, muito próximo de Ferrari e Mercedes. “Ainda não estão satisfeitos com o equilíbrio, apesar de estarmos mais ou menos lá em termos de ritmo, mas estamos confiantes em melhorar a configuração do carro”, disse o francês.

Diante de todo esse cenário, é possível falar em um equilíbrio técnico entre o top-4, mas será fundamental entender quem vai lidar melhor com as singularidades do circuito mexicano, como a mudança de comportamento dos pneus em uma pista de pouca aderência e degradação, além da eficiência das unidades de potência. A longa reta principal também vai exigir desempenho neste sentido e será essencial conciliar com os efeitos da altitude. A grande questão será descobrir quem será capaz de transformar a performance da volta rápida em consistência ao longo de um stint. É nesse aspecto que a disputa pela vitória pode ganhar contornos diferentes daqueles apresentados pelos tempos desta sexta-feira.

O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades do GP da Cidade do México, 19ª etapa da temporada 2026 da Fórmula 1, AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificação e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV.

Horários do GP da Cidade do México da F1 2026

O GP da Cidade do México acontece de 30 de outubro a 1º de novembro, no Autódromo Hermanos Rodríguez, com treinos livres, classificação e corrida.

DiaSessãoBrasilPortugalAngolaCabo VerdeMoçambique
Sábado, 31/10TL314h3017h3018h3016h3019h30
Sábado, 31/10Classificação18h21h22h20h23h
Domingo, 1º/11Corrida17h20h21h19h22h

Horário de Brasília para o Brasil e de Portugal continental e Madeira para Portugal.