A Fórmula 1 voltou das férias do verão europeu com muito para contar. E a principal notícia é que o campeonato parece ainda mais equilibrado do que ao final da primeira fase. A sessão que definiu o grid da corrida sprint, nesta sexta-feira (21), ratificou a sensação de que a Mercedes terá trabalho, mesmo garantindo a pole da prova curta do sábado. É que os três primeiros colocados, representando três equipes diferentes, ficaram separados por apenas 0s055. Ainda que George Russell saia da posição de honra, é impossível ignorar o fato de que McLaren e Ferrari também poderiam ter conquistado a primeira fila, e isso já é mais do que suficiente para esse reinício de temporada.
Russell na pole também tem enorme peso para a disputa do título. Agora com uma carga de pressão menor — especialmente diante da renovação de contrato de Max Verstappen com a Red Bull, o que reduz consideravelmente os rumores sobre o futuro na esquadra alemã —, o inglês foi capaz de tirar proveito de uma melhor preparação de volta rápida nos instantes finais da classificação, para assegurar a ponta do grid. Sem dúvida, é uma importante forma de recomeçar o campeonato, enquanto o líder da F1 2026 e companheiro de equipe, Andrea Kimi Antonelli, enfrentou problemas desde o primeiro treino livre e, em nenhum momento, se mostrou em condições de brigar pela pole. Tanto que sai da quinta posição.
“A volta foi realmente muito boa. Tudo se encaixou muito bem. Essas classificações para a sprint são sempre difíceis, porque temos apenas uma tentativa com o pneu macio. A pista sempre evolui, e o nível de aderência também”, reconheceu George. “A McLaren parece rápida, a Ferrari também, mas fico feliz por ter conseguido fazer dar certo quando realmente importava. É apenas a classificação sprint. Os pontos importantes são no domingo, então vou tentar levar esse embalo para amanhã”, completou.
De fato, é necessário que Russell consiga se manter à frente, principalmente diante de um dia tumultuado de Antonelli. O italiano sofreu com a pista neerlandesa, escapou do traçado algumas vezes e acabou danificando o assoalho do W17 — embora o time tenha conseguido ajustar a parte inferior do carro, o desempenho não foi mais o mesmo. “Houve um grande dano, fiquei com alguns buracos no assoalho. Quando cheguei, eles disseram inicialmente que era uma perda de 25 pontos de downforce. Tentaram reparar o máximo possível, mas o dano definitivamente continuava lá. Tive muita dificuldade em curvas de baixa velocidade”, contou Kimi.
“Vamos tentar fazer a melhor corrida que conseguirmos. O pelotão da frente está muito acirrado, então não será fácil ultrapassar, mas tentaremos dar nosso melhor mesmo com os danos. Depois, a partir da classificação, ajustaremos o carro e tentaremos de novo”, emendou.
Antonelli tem razão em tudo que disse. Será uma corrida difícil de recuperação, não só pela natureza do circuito, mas especialmente em função dos adversários. A McLaren é a ameaça mais forte, porque tem um pacote técnico mais robusto em Zandvoort. A equipe laranja levou atualizações importantes, concentrando esforços na parte traseira do MCL40, com mudanças na asa e na tampa do motor visando aumentar a carga aerodinâmica. A equipe de Andrea Stella ainda modificou a entrada de ar do freio traseiro para melhorar o fluxo de ar. Não à toa, domina os trechos de média e baixa velocidade. Lando Norris ficou a 0s041 da pole e é um candidato forte à vitória e à pole também para a corrida de domingo.

“Na transição para os pneus macios, não consegui aproveitar a aderência maior. Talvez pudesse ter forçado um pouco mais, mas, no geral, o carro tem tido um bom desempenho e parece manter a performance sólida que vimos em Budapeste”, disse Norris, fazendo referência à Hungria, onde venceu antes da pausa. “Há muitos pontos positivos e espero que continue assim pelo resto do fim de semana. Há coisas em que posso trabalhar, coisas que talvez possamos extrair do carro para a classificação de amanhã. Mas começamos o fim de semana fortes, então estou feliz”, seguiu, salientando que vai atacar Russell já no começo, dada a dificuldade do traçado para ultrapassar.
Interessante, também, notar que a McLaren foi capaz de colocar Oscar Piastri em quarto, 0s099 da posição de honra do grid. O australiano, aliás, apresentou um ritmo bem mais consistente, também semelhante ao que mostrou na etapa húngara antes de abandonar. Com a dupla andando tão perto, é outro problema que a Mercedes terá de lidar.
Ainda neste cenário, é importante colocar a Ferrari. A equipe italiana também enxerga em Zandvoort uma chance de voltar a vencer, tirando proveito de trechos específicos da pista, uma vez que não há uma dependência da unidade de potência. O time de Frédéric Vasseur investiu em melhorias, sobretudo aerodinâmicas — do assoalho ao difusor, além da beam wing. O objetivo é usar o máximo de downforce e ganhar da concorrência no equilíbrio. De fato, foi interessante ver como a SF-26 se comportou bem nas curvas longas do circuito neerlandês. Portanto, não foi uma surpresa notar Charles Leclerc em terceiro, apenas a 0s055 de Russell. O monegasco acertou a classificação e ofuscou Lewis Hamilton, que sai somente sem sétimo, depois de reclamar da mudança no acerto do carro após o TL1.
“Estou satisfeito com a minha volta, foi um bom esforço para a equipe e estamos na disputa para o início do Sprint de amanhã. Vamos ver como será o ritmo de corrida, já que as condições complicadas desta manhã limitaram um pouco a nossa capacidade de entender a posição real de cada um. Até agora, é um começo positivo para o fim de semana”, afirmou Leclerc.

Por fim, também não dá para descartar Verstappen. Com o futuro definido, o neerlandês não viu a melhor sexta-feira em casa. O tetracampeão entende que a Red Bull ainda está um passo atrás das concorrentes, mas que nada está perdido. É verdade, o fim de semana é longo ainda e a equipe austríaca tem mostrado em 2026 uma capacidade de transformação impressionante.
“Demos um passo em frente em comparação com o treino livre. Claro que ainda estamos um pouco atrás dos carros à nossa frente na classificação. Será uma questão de entender o que está causando essa diferença e em quais áreas ainda podemos melhorar o equilíbrio do carro, para que possamos ter um pouco mais de aderência no sábado. Então, sim, um pouco de equilíbrio, um pouco de aderência, para nos aproximarmos um pouco mais dos outros.”
Portanto, diante das atualizações das principais equipes e do quanto ainda há para evoluir, a F1 volta mais equilibrada que nunca em 2026. E a sprint deve começar a escrever o que esperar dos Países Baixos.
O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades do GP dos Países Baixos, 12ª etapa da temporada 2026, AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificações e corridas em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV. Além da cobertura completa, o GRANDE PRÊMIO está in loco com o repórter Leonid Kliuev.
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