A Williams se permitiu alçar voos mais altos em 2025 e realizou uma temporada digna do projeto que tem sido cuidadosamente liderado por James Vowles nos últimos anos. Embora o quinto lugar no Mundial de Construtores fosse o máximo a ser alcançado na classificação, a equipe deixou a impressão de que poderia ter ido ainda mais longe se não fossem as oscilações de Alexander Albon e Carlos Sainz em diferentes momentos do ano.
Desde a primeira etapa do campeonato, na Austrália, já estava bastante nítido que a escuderia inglesa sobraria na disputa contra as rivais da chamada ‘Fórmula 1 B’. E foi o que de fato aconteceu. Ao longo do extenso calendário de 24 finais de semana de corrida, o time de Grove só saiu zerado em seis oportunidades — o que mostra que, apesar dos altos e baixos da dupla, os azuis, de maneira geral, experimentaram certo grau de estabilidade.
É curioso, porém, perceber que os pilotos parecem não ter trabalhado em sintonia em nenhum momento. Albon apresentou um ritmo forte na primeira metade do ano e carregou a Williams nas costas até o GP da Itália, 16ª etapa do certame. Foi só depois disso, do GP do Azerbaijão em diante, que Sainz se encontrou, parou de tropeçar nas próprias pernas e emplacou uma sequência para lá de invejável — incluindo dois pódios: em Baku e no Catar.
Esperava-se que o espanhol fosse encontrar certa dificuldade para se adaptar à nova casa depois de passar anos na Ferrari, mas demorou mais do que deveria. E a trajetória começou de maneira um tanto trágica. Ainda que tenha chegado ao Q3 em Melbourne e garantido um décimo lugar no grid, virou vítima da chuva que caiu no domingo e rodou sozinho, colocando um ponto final no primeiro capítulo da história com a equipe logo na segunda volta.

Em contrapartida, Alex sobreviveu ao caos para cruzar a linha de chegada em um ótimo quinto lugar, mostrando que realmente existia algo especial no FW47. Tanto é verdade que a Williams voltou a pontuar na semana seguinte, na China, desta vez com os dois carros. Vale lembrar, no entanto, que Carlos tirou proveito de nada menos que três desclassificações — Lewis Hamilton, Charles Leclerc e Pierre Gasly — para ser promovido ao décimo posto em Xangai.
A classificação ruim no Japão custou caro. Em uma pista de difícil ultrapassagem, os dez primeiros colocados no grid receberam a bandeira quadriculada praticamente nas mesmas posições — com o tailandês se mantendo na nona colocação do início ao fim. A prova no circuito de Suzuka, inclusive, marcou a estreia das atualizações por parte da escuderia de Grove, que executou mudanças importantes na asa dianteira.
O fim de semana do GP do Bahrein foi o primeiro em que ambos os pilotos foram embora de mãos vazias. Sainz continuava enfrentando o calvário, já que foi o único a abandonar em Sakhir e ainda levou 10s de punição por ter atingido Andrea Kimi Antonelli. Albon, por sua vez, até avançou três posições ao longo das 57 voltas, mas teve mesmo de se contentar com o amargo 12º lugar.
Mesmo com o dono do #55 apanhando para se entender com o FW47, a Williams curiosamente emplacou a melhor sequência da temporada nas corridas seguintes. Isso porque foi o primeiro e único momento em que a equipe pontuou quatro vezes consecutivas — e, neste caso, com os dois competidores. Entre os GPs da Arábia Saudita e o de Mônaco, os azuis somaram 37 pontos, o que fez uma enorme diferença na briga contra Racing Bulls e Aston Martin, principalmente, pelo quinto lugar no Mundial de Construtores.

Também é verdade que o período de fartura foi rapidamente acompanhado por um de grande seca. Assim como a maior parte das rivais, os comandados de Vowles precisaram fazer mudanças na asa dianteira para se adequarem à diretiva técnica da Federação Internacional de Automobilismo (FIA) em relação à flexibilidade da peça — um tema muito debatido nos primeiros meses. Coincidência ou não, apenas 5 tentos foram coletados no intervalo entre o GP da Espanha e o GP da Inglaterra.
Os ventos voltaram a soprar favoravelmente somente na Bélgica, quando novas melhorias apareceram no carro: as bordas e a parte frontal do assoalho foram revisadas, assim como as entradas dos sidepods e a tampa do motor. Por fim, 11 pontos conquistados naquele fim de semana de sprint, mais do que qualquer um dos concorrentes diretos da ‘F1 B’.
Depois de passar em branco no GP da Hungria, a Williams voltou a pontuar nos Países Baixos e na Itália com Albon. E foi a partir daí que a temporada realmente virou de cabeça para baixo. Enquanto o tailandês somou apenas 3 tentos nas oito corridas restantes, em Austin, Sainz finalmente começou a entregar aquilo que era esperado dele desde os primeiros momentos.
Mas o atraso valeu muito a pena. O espanhol incorporou o espírito dos tempos de Ferrari e terminou no top-10 em cinco oportunidades, incluindo dois terceiros lugares: no Azerbaijão, atrás apenas de Max Verstappen e George Russell, e no Catar, novamente atrás do neerlandês e de Oscar Piastri. Em um pelotão intermediário cada vez mais próximo, o madrilenho fez a diferença para o lado dos ingleses de Grove.

Desta forma, a equipe concluiu o calendário com 137 pontos no total e uma tranquila quinta posição no campeonato — mais de 40 pontos de margem para a Racing Bulls, sexta colocada. Um resultado muito diferente do que foi alcançado em 2024, quando os azuis somaram míseros 17 tentos e amargaram o nono lugar, à frente apenas da Sauber.
Com McLaren, Mercedes, Red Bull e Ferrari em outro nível de performance, a Williams atingiu o grande objetivo do ano. Agora, de olho no novo regulamento de 2026, que traz mudanças robustas tanto na parte da unidade de potência quanto do chassi, será necessário manter o mesmo ritmo de trabalho para ser capaz de escalar montanhas cada vez mais altas nesse caminho de volta aos tempos de glória na categoria.
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