A Ferrari atravessa um momento de forte tensão interna em meio à pressão por resultados na temporada 2026 da Fórmula 1. A situação se agrava diante da distância para a Mercedes e da perda de desempenho em relação à McLaren nas últimas corridas. Neste cenário, Frédéric Vasseur voltou ao centro das críticas pela condução da equipe, sendo até apelidado jocosamente de “Napoleão”, enquanto Lewis Hamilton é apontado como uma figura isolada em Maranello.

Os bastidores foram revelados pelo jornalista italiano Giorgio Terruzzi no podcast Terruzzi Racconta. Segundo o relato, a relação entre Vasseur e Benedetto Vigna, CEO da Ferrari, atualmente é inexistente. O francês também teria recebido o apelido de “Napoleão” por causa de uma postura descrita como a de um “chefe absoluto”, considerada “um pouco incômoda e arrogante”.

A pressão sobre Vasseur ocorre em uma temporada na qual a Ferrari não conseguiu transformar os bons sinais de desempenho da SF-26 em uma ameaça consistente à Mercedes. Os italianos conquistaram vitórias com Hamilton em Barcelona e Charles Leclerc em Silverstone, mas não conseguiu sustentar o ritmo da principal rival ao longo do campeonato. A Scuderia ocupa a segunda posição do Mundial de Construtores, mas está 145 pontos atrás das Flechas de Prata. Entre os pilotos, Andrea Kimi Antonelli abriu 101 pontos sobre Hamilton após a vitória no GP da Espanha.

Além de não consegui fazer frente aos alemães, a Ferrari já vê a McLaren se aproximar na tabela. O time papaia cresceu na parte intermediária do campeonato e venceu duas provas recentemente, com Lando Norris. A boa forma diminuiu a diferença entre as duas equipes para apenas 52 tentos.

O motor também representa uma preocupação. Mesmo depois de duas atualizações no ADUO, a unidade de potência italiana chegou a perder 0s6 para a Mercedes nas retas. Os resultados abaixo das expectativas em Monza e Madri aumentaram a pressão sobre Vasseur justamente em um momento no qual a equipe também precisa direcionar recursos para o projeto de 2027.

Entretanto, a Ferrari não tem atualmente um plano B ou um candidato definido para substituí-lo. O francês renovou o contrato no ano passado e assinou um vínculo de longo prazo, o que dificulta uma eventual mudança imediata no comando da estrutura.

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Ferrari não consegue acompanhar Mercedes e já vê aproximação de McLaren (Foto: Reprodução/F1)

Antonello Coletta, chefe do programa no Mundial de Endurance (WEC), já foi mencionado como possível sucessor. Porém, comandar uma operação de endurance é bastante diferente de dirigir uma equipe de F1, e Coletta não demonstra interesse em assumir a função.

Christian Horner também já foi ligado à Ferrari no ano passado. John Elkann, presidente da marca italiana, sempre demonstrou grande apreço pelo trabalho do ex-chefe da Red Bull, mas uma eventual parceria entre os dois não seria viável no momento.

Hamilton é outro ponto de discussão. O inglês é citado por pessoas que avaliam que o heptacampeão parece formar uma “república à parte” dentro da Ferrari, expressão usada para descrever uma suposta distância em relação ao restante da estrutura da equipe.

Nos últimos dias, o Corriere della Sera publicou uma reportagem revelando ruídos na relação entre Vasseur e Hamilton, que teria pedido a substituição de integrantes de sua equipe técnica de pista — informação negada publicamente pelo piloto. Anteriormente, o britânico já havia feito críticas públicas à forma que a Ferrari lida com as disputas entre ele e Leclerc, além de ter jogado toda a responsabilidade no incidente do GP da Itália sobre o monegasco.

A Fórmula 1 faz uma pausa neste fim de semana e volta entre os dias 24 e 26 de setembro, com o GP do Azerbaijão, 15ª etapa da temporada.