Mohammed Ben Sulayem, presidente da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), afirmou que a entidade não tem pressa para definir a situação dos GPs do Catar e de Abu Dhabi, mas uma demora na decisão pode impactar de forma extremamente negativa a temporada da Fórmula 2. Isso porque as duas últimas etapas da categoria serão realizadas nesses países, e uma demora para estabelecer as praças substitutas, caso necessário, pode acarretar grandes problemas e interferir na briga pelo título.

A guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã começou no início deste ano e, além de ter impactado a realização dos GPs da Arábia Saudita e do Bahrein, ainda coloca em dúvida a sequência dos eventos no Catar e em Abu Dhabi. Como forma de conter os danos, a F2 se mexeu no primeiro semestre e, para evitar a falta de corridas, escolheu Miami e Canadá como etapas subsequentes. Catar e Abu Dhabi, no entanto, ainda estão sendo discutidos.

Alexander Dunne ainda tem chances matemáticas de título (Foto: Getty Images)

Stefano Domenicali, CEO da Fórmula 1, disse que queria decidir a situação até meados de setembro e colocou Ímola, na Itália, e Portimão, em Portugal, como alternativas. Sulayem, no entanto, ainda não fala em plano B, pois acredita que é necessário monitorar ainda mais a situação e conversar com os promotores locais antes de tomar qualquer decisão.

Durante o fim de semana na Itália, Domenicali mudou o discurso, adotou uma postura semelhante à de Sulayem e afirmou que segue confiante na permanência das etapas no Catar e em Abu Dhabi, embora ainda esteja de olho nas notícias.

Mas a F2 tem muito a perder com toda essa indefinição. Com a conclusão do fim de semana na Itália, restam apenas Espanha, Azerbaijão, Catar e Abu Dhabi para que a disputa chegue ao fim. Por envolver uma logística complexa, uma demora na decisão sobre as duas últimas etapas pode inviabilizar a realização das corridas. Afinal, ainda que aconteçam em outros países, é preciso tempo para organizar eventos dessa magnitude.

E uma eventual redução do campeonato de 14 para 12 rodadas pode impactar de forma muito negativa a F2 não apenas em termos comerciais, mas também esportivos. Caso o campeonato ocorra normalmente, ainda restam 156 pontos em jogo. Matematicamente, isso coloca os 18 primeiros — Nikola Tsolov (177), Rafael Câmara (166), Gabriele Minì (147), Alex Dunne (118), Noel León (114), Kush Maini (88), Dino Beganovic (79), Joshua Dürksen (78), Laurens Van Hoepen (66), Tasanapol Inthraphuvasak (63), Martinius Stenshorne (62), Ritomo Miyata (44), John Bennett (38), Rafael Villagómez (38), Oliver Goethe (37), Sebastián Montoya (28), Colton Herta (26) e Roman Bilinski (24) — com chances de conquistar o título. Mas, caso duas rodadas sejam canceladas, a disputa ficaria restrita aos cinco primeiros, visto que apenas 78 pontos estariam disponíveis.

A situação ainda traz uma dúvida para os pilotos que brigam pela taça. Afinal, em um cenário como esse, qual é a melhor abordagem para o restante do campeonato?

Nikola Tsolov lidera a F2 2026 (Foto: F2)

Com a certeza de que as quatro etapas restantes serão realizadas, é compreensível que os pilotos adotem uma postura mais conservadora, pois sabem que possuem um longo caminho pela frente e, mais do que vencer, ser constante em todos os fins de semana pode ser determinante para fechar a campanha em uma boa posição.

Por outro lado, caso as duas últimas rodadas não sejam realizadas, Minì, Dunne e León, principalmente, possivelmente recorreriam a abordagens mais agressivas para tentarem sempre terminar nas primeiras posições. Afinal, o prazo para virar o jogo seria curto, e só ser consistente não seria suficiente.

Independentemente de qual será a decisão, talvez os menos prejudicados sejam Tsolov e Câmara, que têm uma situação um pouco mais confortável nas primeiras posições da tabela. Claro que, com mais corridas, existe mais tempo para Rafael descontar os 11 pontos de desvantagem em relação a Nikola — embora não seja muito difícil diminuir essa diferença em apenas um fim de semana. Por outro lado, com menos rodadas, a balança pende um pouco para o lado do búlgaro, e o campeonato poderia ser decidido nos detalhes.

Quando se olha para as dez etapas realizadas até agora, Câmara foi quem mais deixou pontos escaparem. Isso aconteceu tanto no Canadá quanto em Mônaco, quando cometeu erros e desperdiçou, no mínimo, dois segundos lugares que, juntos, renderiam 36 pontos. Isso seria mais do que suficiente para fazer o brasileiro chegar a 202 pontos após a Itália e assumir a liderança com 25 pontos de vantagem. Consequentemente, seria um cenário consideravelmente mais tranquilo caso a disputa seja de fato reduzida.

No aspecto financeiro, é ótimo tanto para a FIA quanto para a F1 que as corridas do Catar e de Abu Dhabi ocorram. No entanto, Sulayem precisa entender que o que está em jogo não é só a situação da categoria principal e, como presidente da entidade que rege o esporte, deveria estar muito mais preocupado com o que se passa na F2.

No momento, pouco importa se as rodadas finais serão na Europa ou no Oriente Médio. O que precisa estar em perspectiva é que tanto os pilotos quanto as equipes precisam saber quantas corridas ainda restam para se programarem da maneira devida para a disputa pelo campeonato.

A Fórmula 2 retoma as atividades da temporada 2026 entre 11 e 13 de setembro, com a etapa em Madri. O GRANDE PRÊMIO faz a cobertura completa da temporada.