Disputado pela Fórmula E no último fim de semana, o eP de Berlim trouxe um momento especial para o Brasil na categoria: três pilotos do país na pista simultaneamente, ao contrário do que acontece de forma regular — em que Lucas Di Grassi é o único titular. Dessa vez, porém, Felipe Drugovich e Sérgio Sette Câmara foram convocados para substituir Nyck de Vries e Norman Nato, que corriam no WEC, e formaram uma trinca verde e amarela na capital da Alemanha.

Cobrindo o eP de Berlim in loco, o GRANDE PRÊMIO pôde acompanhar as preparações dos brasileiros e tudo que cercou o fim de semana de cada um deles. E o saldo, no final das contas, é positivo. Drugovich estreou com pontos, Sette Câmara retornou ao grid já indo ao top-10. Di Grassi não pontuou, mas muito por conta da Lola Yamaha.

Estreante, Drugovich tinha certamente a missão mais ingrata. Pela primeira vez na vida, o campeão da F2 participou de uma sessão competitiva da Fórmula E, e com uma grande diferença: o carro Gen3 Evo não é o mesmo usado por Felipe nos testes de novatos anteriores. Assim, foi necessária toda uma adaptação, tanto no simulador quanto na pista.

Naturalmente, o clima chuvoso do fim de semana não ajudou e aumentou o grau de dificuldade, culminando em um sábado ruim para os três. No domingo, as coisas mudaram. Drugovich fez corrida madura e competente em termos de gestão de energia, algo vital em uma corrida de pelotão como a de Berlim. E isso foi fundamental para o resultado.

Felipe Drugovich conquistou pontos logo no fim de semana de estreia na Fórmula E (Foto: Fórmula E)

Em uma prova como essa, é necessário controlar rigidamente o nível de bateria no carro, além de despejar potência na hora certa para vencer. Para um novato, essa experiência é bastante ingrata, já que as corridas de Fórmula E são completamente diferentes de outras categorias. Aqui, é possível sair de último para vencer, como Nick Cassidy fez no ano passado.

Assim, tudo se decide no final, e não foi diferente em Berlim. Drugovich teve paciência para controlar o ritmo, manteve-se próximo dos concorrentes reais na pista e atacou no tempo certo para conquistar um sétimo lugar que beira o impressionante — e após largar em 19º. Para uma categoria de controles tão particulares, novatos têm o hábito de sofrer: Zane Maloney e David Beckmann, que seguem zerados após 14 corridas, que o digam.

A apresentação de Drugovich foi mais um cartão de visitas de um piloto muito rápido, mas especialmente inteligente. E é justamente por isso que o brasileiro parece se encaixar tão bem na Fórmula E: a exigência de um alto QI de corrida é óbvia, e o reserva da Aston Martin na F1 tem isso de sobra.

Sette Câmara, que atua como reserva da Nissan após perder a vaga no grid para Beckmann — que chegou à Cupra Kiro apoiado pela Porsche, fornecedora da equipe —, também sai de cabeça erguida. O sábado também foi difícil, é verdade, mas o domingo terminou com pontos em uma corrida que deveria ter levado o brasileiro ao pódio.

Sérgio Sette Câmara voltou ao grid cumprindo missão que Nato tem tido dificuldades (Foto: Fórmula E)

Ao longo de praticamente toda a corrida, Sette Câmara se manteve próximo e no mesmo ritmo de Jake Dennis e Cassidy. Os três optaram pela mesma tática: guardar mais energia que os líderes no início e despejar tudo nas ativações do Modo Ataque. Então, como Nick venceu, Jake chegou em segundo e Sérgio foi nono?

O brasileiro teve a estratégia inteiramente comprometida logo na primeira passagem pelo Modo Ataque. Prestes a usar a potência extra para começar a ganhar posições, Sérgio sofreu um golpe e tanto com a entrada do safety-car. O tempo dos 350 kW se esgotou, Sette Câmara nem pôde usar e precisou aproveitar apenas o segundo para subir no grid. Considerando a desvantagem e a largada em 21º, o piloto conquistou um belo resultado — e melhor do que Norman Nato vem fazendo.

Por fim, Di Grassi sofreu no sábado com a estratégia da Lola Yamaha. O time apostou em um acerto de pista seca, mesmo no molhado, acreditando que o traçado secaria. O resultado? Tanto Lucas quanto Maloney iniciaram a prova cerca de 4s mais lentos que os outros competidores. O ritmo até cresceu no fim, mas já era tarde para buscar o resultado.

No domingo, uma pancada fortíssima do brasileiro no muro causou a necessidade de trocar o chassi às pressas, o que até tirou Lucas da classificação. O acidente aconteceu ainda no TL3, que também teve pista molhada, em uma aquaplanagem absolutamente sem culpa do veterano. Ainda assim, nunca é positivo correr com um carro recém-montado e sem experimentação na pista.

Lucas Di Grassi viu um pequeno erro estratégico custar a posição no top-10 em Berlim (Foto: Fórmula E)

De qualquer forma, Di Grassi também fez boa corrida e se manteve no páreo do top-10 até a segunda ativação do Modo Ataque. O erro veio aí, com uma passagem cedo demais pelo traçado externo. A potência extra veio, acabou e o brasileiro começou a perder posições, culminando em um 12º lugar que não traduz exatamente o desempenho na pista.

No fim, o saldo dos brasileiros no eP de Berlim foi bastante positivo. As condições difíceis do sábado complicaram, seja pela falta de adaptação de Drugovich e Sette Câmara ou o erro de acerto de Di Grassi e Lola Yamaha. No domingo, porém, o ritmo esteve lá e a chance de os três pontuarem foi palpável. Felipe, por ser um absoluto novato, sai da Alemanha com a moral bastante em alta.

Agora, resta saber como será o futuro de dois deles. Di Grassi confirmou ao GRANDE PRÊMIO que segue na Fórmula E para a próxima temporada, enquanto Sette Câmara avisou que quer voltar. Drugovich demonstra um pouco mais de cautela, sempre tentando manter aberta a porta da F1, mas também deixou no ar que poderia aceitar um convite. Essas definições virão até meados de setembro.

Antes disso, a Fórmula E parte para a última etapa da temporada 2024/25. Entre os dias 25 e 27 de julho, a categoria volta para casa e disputa o eP de Londres, que deve ser o penúltimo na ExCel Arena. O GRANDE PRÊMIO transmite todas as atividades de pista AO VIVO e COM IMAGENS no YouTube e no Kwai.

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