Com o carro Gen4 anunciado, devidamente alardeado e continuamente testado pelas equipes com a estreia em mente, em dezembro deste ano, a concorrida e animada era Gen3 da Fórmula E chega ao fim na próxima etapa, em Londres. E o eP de Tóquio tratou de garantir que o encerramento do ciclo — e da temporada — seja marcado por uma decisão de campeonato de tirar o fôlego na ExCel Arena, que também se despede de vez após cinco anos.
O último fim de semana, que trouxe as duas primeiras corridas noturnas da Fórmula E no Japão, bagunçou o campeonato de forma difícil de imaginar antes do desembarque no país. E tudo começou com o então líder, Pascal Wehrlein, que viu o rendimento derreter, envolveu-se em batidas e saiu sem um ponto sequer em duas provas.
O fim de semana foi caótico para Wehrlein, que viveu o momento mais baixo ainda na corrida 1, que terminou após acidente com o desafeto António Félix da Costa. O português foi no muro e ainda conseguiu voltar, mas Pascal quebrou a dianteira e abandonou a corrida. Os dois se acusaram por rádio e se defenderam sobre o entrevero, que envolveu também Sébastien Buemi, mas o fato é que o custo foi alto para o alemão.
Isso obviamente abriu brechas aos rivais, e o equilíbrio gerou um cenário absurdo: o fim de semana começou com Wehrlein na liderança, teve Mitch Evans como ponteiro após o fim da corrida 1 e terminou com Jake Dennis comandando o campeonato — pela primeira vez desde o início, quando venceu a abertura em São Paulo — na ida para a última etapa.
O britânico teve um fim de semana incrível e, por detalhes, não saiu de Tóquio com duas vitórias e mais vantagem na liderança. Na corrida 1, liderou a esmagadora maioria da disputa e contornava a última volta em primeiro quando precisou tirar o pé para economizar energia brevemente e perdeu o triunfo para Dan Ticktum. O curioso é que, algumas voltas antes, o vencedor do dia avisara que não iria atacar.

A perda de velocidade de Dennis, porém, tornou o movimento inevitável, e a corrida 2 trouxe de novo o britânico na briga pela vitória nas últimas voltas, aproveitando um Modo Ataque tardio. Dessa vez, contudo, um acidente coletivo gerado por Edoardo Mortara e Joel Eriksson ativou a bandeira vermelha e encerrou as chances de triunfo. Ainda assim, foi segundo e terceiro, com pontos extras por pole e volta mais rápida.
Tudo isso elevou o britânico a 146 pontos e o levou de quinto para primeiro em duas corridas, agora dois tentos acima de Evans. Wehrlein deixou a ponta e é o terceiro, com 141, e a disputa vai a Londres com três competidores separados por apenas cinco tentos.
Como se não bastasse, Oliver Rowland também juntou os cacos e foi a 132, o que o coloca a 14 de Dennis na briga pelo bicampeonato consecutivo — feito registrado apenas por Jean-Éric Vergne, o único bi, aliás. Edoardo Mortara e Da Costa, com respectivamente 116 e 113, já ficaram mais para trás, mas as chances matemáticas existem.

Em uma nota bastante importante para o fim de semana, a Citroën fez uma das melhores apresentações da temporada na etapa seguinte à morte do chefe Cyril Blais. Palco de duas vitórias do dirigente, o eP de Tóquio recebeu Nick Cassidy no pódio duas vezes, em terceiro e segundo lugares. Em meio ao luto pela perda de uma das pessoas mais queridas do paddock, os resultados foram dedicados de forma emocionada ao engenheiro.
Com mais duas corridas previstas na despedida da ExCel Arena da Fórmula E, a disputa pelo título fará jus ao alto nível de competitividade que a era Gen3 firmou na categoria, com diferentes campeões e disputas absolutamente imprevisíveis.
Em categoria que já levou nove das dez equipes ao pódio este ano e todas no anterior, prever o campeão com antecedência é tão difícil quanto encontrar uma agulha no palheiro. E a briga quádrupla em Londres vai brindar os fãs da categoria com o que ela tem de melhor: emoção até o último segundo.
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