Se ao longo dos anos nesta vida mais recentes como parte do calendário da Fórmula 1 Zandvoort se mostrou uma pista estreita e travada demais para render boas corridas com os carros atuais, o bota-fora do GP dos Países Baixos foi de alto nível. Uma boa corrida, cheia de alternativas e com disputa pela vitória, que desembocou em mais um desempenho de campeão mundial de Lando Norris.
O piloto da McLaren comandou o pelotão pela segunda corrida seguida, mesmo que tenha havido um recesso entre as etapas de Hungria e Países Baixos. Ambas com a pole-position conquistadas e uma força renovada da McLaren desde as primeiras grandes atualizações. Brigar por título é irreal dado as distâncias, mas será uma pedra no sapato da Mercedes daqui para frente é possibilidade real.
Atrás, desacertos entre as duas outras equipes e ordens tanto obedecidas quanto desacatadas. Na Mercedes, apesar de Andrea Kimi Antonelli ter ido bem melhor e superado Norris na relargada, acabou atrás de George Russell por força das circunstâncias. Russell até tentou, mas foi forçado a sair do caminho e os dois terminaram no pódio. Na Ferrari, caos muito pior: Charles Leclerc desobedeceu, ainda que por uma volta, a ordem de ir aos boxes para sair do caminho de Lewis Hamilton. Resultado: os dois insatisfeitos na bandeira quadriculada.
Gabriel Bortoleto voltou a sofrer com as largadas da Audi e ainda rodou no fim da primeira volta, logo na entrada da reta. Deu uma sorte enorme de não bater em muro algum ou ser abalroado no meio do caminho — o companheiro Nico Hülkenberg precisou de mágica para evitar. Max Verstappen não deu a mesma sorte e no adeus à torcida, arrebentou o carro no muro após o primeiro minuto de corrida.
A Fórmula 1 volta de 4 a 6 de setembro em Monza, palco do GP da Itália, 13ª etapa da temporada 2026. As notas do Ranking GP são distribuídas por Gabriel Carvalho, João Pedro Nascimento, Luana Marino e Pedro Henrique Marum.

1º) Lando Norris – 9.5 – Mais uma etapa impecável de um Norris rápido, eficiente e agressivo como poucas vezes se viu, ao menos tudo isso em conjunto, mesmo na temporada do título. Guiou como um verdadeiro campeão mundial.
2º) Andrea Kimi Antonelli – 8.0 – Fez o que deu para tentar a vitória, que foi ultrapassar Norris na relargada, chance que surgiu pela batida de Verstappen. Mas a McLaren era mais rápida, não tinha jeito. Ainda que a sequência não seja brilhante, mantém a liderança do mesmo tamanho.
3º) George Russell – 6.5 – O começo foi ótimo, com pole e vitória na sprint. Infelizmente para ele, vale bem menos. A ida ao pódio no domingo foi com mais sorte das circunstâncias e do enrosco da dupla da Ferrari que qualquer outra coisa. E, assim, continua 59 pontos atrás do companheiro de equipe.
4º) Lewis Hamilton – 6.0 – Apesar de ter se entendido bem com o carro e mostrado um dos melhores ritmos da pista, o que se destaca é o arranca-rabo com Leclerc. Quem acertou ou errou? Alguém errou? O que importa é que, mesmo com tudo de bom que fez, o resultado foi polêmica e perda de um pódio.

5º) Charles Leclerc – 5.0 – Por mais que tenha tido lá sua razão pelo protesto pela decisão da Ferrari, o chilique passou do ponto. Charles tem de colocar a cabeça no lugar e parar de brigar com a equipe de duas em duas corridas e ser mais consistente na temporada.
6º) Oscar Piastri – 5.0 – Extremamente abaixo de Norris, que dominou o fim de semana, enquanto saiu reclamando da falta de força da McLaren. O desempenho foi dos piores possíveis.
7º) Liam Lawson – 7.5 – Um ano e meio após vestir o uniforme da equipe principal da Red Bull e perdido o emprego em duas corridas, sentou no cockpit novamente, na emergência e sem preparo. Foi bem, marcando os pontos que faltaram em 2025 e suprindo, ao menos um pouco, o acidente de Verstappen e a ausência de Isack Hadjar.
8º) Nico Hülkenberg – 8.0 – O movimento mais impressionante da corrida foi Hülkenberg escapando em cima do lance e quase dentro de uma nuvem de fumaça do carro de Bortoleto, impedindo um acidente que poderia ser de proporções assustadoras. Ainda voltou aos pontos pela segunda prova seguida e com o melhor resultado na temporada.

9º) Fernando Alonso – 9.0 – Pontos para Alonso! Enquanto tanto se debate sobre a permanência ou não do veterano, o rendimento em Zandvoort carregou a qualidade que sempre mostrou. A Aston Martin, pela primeira vez no ano, marcou pontos em condições normais de temperatura e pressão — em Mônaco, a sorte jogou ao lado.
10º) Pierre Gasly – 7.0 – Após duas provas zerado, Gasly voltou à zona de pontuação tanto na sprint quanto na corrida principal. A Alpine tem lá seus problemas e precisa melhorar, mas ao menos em Zandvoort reagiu bem.
11º) Yuki Tsunoda – 7.0 – De volta ao grid de maneira emergencial e sem nenhuma preparação nos novos carros da F1, sobretudo o da Racing Bulls, Tsunoda terminou na frente do companheiro de equipe, o titular Lindblad, e na beira dos pontos. Não dava para pedir mais.
12º) Arvid Lindblad – 5.5 – É uma derrota óbvia ter terminado a corrida atrás de Tsunoda, dono de nenhuma experiência com o carro de 2026 da Racing Bulls, ainda que tenha lamentado a a confusão causada pelo acidente de Verstappen. Segundo Lindblad, acertou um dos pneus, inclusive. Depois, passou Gasly sob bandeira amarela e terminou punido.

13º) Gabriel Bortoleto – 4.5 – Um problema no carro antes da largada. Foi isso que o piloto brasileiro contou ter acontecido antes mesmo da perda de posições na partida e da rodada na primeira volta. No fim das contas, Bortoleto deu até sorte de completar a corrida.
14º) Franco Colapinto – 4.5 – Assim como Lindblad, terminou reclamando pela punição que recebeu por desrespeitar bandeiras amarelas após acidente de Verstappen. De fato, um drive-through duro que o tirou a possibilidade de lutar por pontos.
15º) Sergio Pérez – 5.0 – As atualizações fizeram a Cadillac partir para a frente da Williams e mostrar, ao menos em trechos da prova, a capacidade de acelerar o passo. Dentro do que é possível fazer no balão de ensaio de 2026, uma boa corria de Pérez.
16º) Carlos Sainz – 2.0 – Uma corrida que já tinha ares de deprimente para a Williams se tornou uma comédia pastelão quando, na briga pela possante 16ª posição, Sainz deu um fecho inexplicável e tirou o companheiro de equipe da prova.

17º) Alexander Albon – 3.5 – Melancólica a corrida da Williams na semana da renovação com seus dois pilotos. O presente de Sainz a Albon pela parceria pelos próximos dois anos foi uma pancada.
18º) Valtteri Bottas – 4.0 – Se a Cadillac melhorou um pouco o desempenho, a confiabilidade continua uma questão. A corrida de Bottas terminou com problemas hidráulicos, sempre terminais.
19º) Esteban Ocon – 4.0 – A Haas ia a caminho de lugar nenhum e nem assim conseguiu chegar ao destino. Problemas de confiabilidade. No caso de Ocon, a suspeita é que tenha sido na unidade de força.
20º) Lance Stroll – 3.5 – Assim como Piastri, reclamou do carro enquanto o companheiro de equipe brilhou. No caso de Stroll, porém, não fez grande diferença, porque o carro ficou danificado na confusão da primeira volta.

21º) Oliver Bearman – 3.0 – Sofria no fim de semana e ainda precisou abandonar porque o motor apagou duas vezes. A Haas tem muito trabalho a fazer.
22º) Max Verstappen – 4.0 – Um oásis de trecho seco da pista em meio a um monte de pedaço molhado fez com que o tetracampeão mundial achasse que podia despejar potência. E não podia. Perdeu o carro e foi parar no muro na despedida da torcida neerlandesa.
GP dos Países Baixos – 7.0 – Depois de anos de eventos sem inspiração, a despedida de Zandvoort valeu o tempo. Mostrou ainda que o campeonato tem muito a oferecer mesmo que não seja a briga pelo título. Norris voa na F1 2026 desde as atualizações da McLaren, mas a força de Hamilton também foi inegável.
Melhor GP – GP do Canadá – 8.5
Pior GP – GP de Mônaco – 3.0
Média: 6.4
MÉDIA DA TEMPORADA:
1º) Andrea Kimi Antonelli – 8.2
2º) Lando Norris – 7.3
3º) Lewis Hamilton – 7.2
4º) Max Verstappen – 7.1
5º) Liam Lawson – 7.0
6º) Pierre Gasly – 7.0
7º) Arvid Lindblad – 6.7
8º) Isack Hadjar – 6.5
9º) George Russell – 6.4
10º) Charles Leclerc – 6.3
11º) Gabriel Bortoleto – 6.2
12º) Franco Colapinto – 6.1
13º) Nico Hülkenberg – 6.0
14º) Fernando Alonso – 5.9
15º) Oscar Piastri – 5.6
16º) Oliver Bearman – 5.6
17º) Carlos Sainz – 5.3
18º) Esteban Ocon – 5.1
19º) Alexander Albon – 4.9
20º) Sergio Pérez – 4.7
21º) Lance Stroll – 4.3
22º) Valtteri Bottas – 4.2
RESERVAS
Yuki Tsunoda – 7.0 (em uma participação)