Caio Collet teve uma temporada de altos e baixos no ano de estreia na Indy. O 24º lugar no campeonato, com 203 pontos, não condiz com o desempenho apresentado em pista. Porém, cometeu diversos erros ao longo das 18 corridas, assim como a Foyt: problemas nos pit-stops, desclassificação na definição do grid das 500 Milhas de Indianápolis e a falta de um planejamento melhor na troca dos motores estão entre os principais problemas. Como só a velocidade não basta — e o dinheiro pesa muito —, a principal possibilidade de permanecer na categoria parece ser na Juncos Hollinger. A Indy confirma que o brasileiro terminou 2026 com apenas um top-10, justamente o principal contraste com os bons momentos de desempenho ao longo do ano.
Collet fechou com a Foyt para a temporada 2026 após dois anos com a HMD na Indy NXT — foi terceiro colocado em 2024 e vice de Dennis Hauger no ano passado. O time comandado por Larry Foyt tinha como grande trunfo a parceria com a Penske para ao menos voltar a sonhar alto na categoria. Além disso, a boa campanha de David Malukas com o #4 em 2025 aumentava o entusiasmo. A contratação foi anunciada pela própria IndyCar como o passo seguinte da carreira do brasileiro, que terminou a Indy NXT de 2025 na segunda posição.
Apesar de resultados modestos nas duas primeiras corridas do ano, foi em Arlington que Collet teve a primeira boa atuação na Indy. Com um ritmo forte no circuito que estreou no calendário, Caio chegou perto do top-10, mas viu duas bandeiras amarelas nas últimas voltas o fazerem terminar em 12º. Em Long Beach, outra vez estava na briga por um lugar entre os dez primeiros, mas a Foyt se atrapalhou no pit-stop e o derrubou para o fundo do grid.
Indiscutivelmente, as melhores atuações do brasileiro em 2026 foram nos ovais. Mostrou bom desempenho já nos treinos livres e conquistou o décimo lugar no grid das 500 Milhas de Indianápolis. No entanto, o baque veio logo em seguida: a vistoria técnica encontrou uma peça não homologada no sistema de armazenamento de energia e desclassificou o #4. Com isso, o paulista teve de largar apenas do 32º lugar. A lista oficial de inscritos da Indy 500 confirma Collet no #4 da A.J. Foyt com motor Chevrolet.

A estratégia precisou ser alterada e Collet teve de partir para o tudo ou nada. E tudo indicava que daria certo: chegou a liderar por nove voltas e brigou de igual para igual com ninguém menos que Álex Palou. Nas voltas finais, ocupava a décima posição por conta de uma tática alternativa, mas forçou demais e bateu forte. Apesar do brilho apresentado, Caio desperdiçou uma grande chance de conquistar um resultado positivo, justamente na corrida mais importante do calendário.
Em St. Louis, novamente largou no fundo do grid, mas teve um ritmo impressionante desde as primeiras voltas e não tomou conhecimento do pelotão, avançando rapidamente e liderando outra vez. Foi possível até sonhar com um pódio em uma das paralisações por chuva. Após a corrida ser retomada, quando já tinha um top-5 muito bem encaminhado, outro baque surgiu. O motor estourou e acabou com a corrida do #4.
O tempo passou e Collet ainda voltou a andar bem em outras oportunidades, mas faltou o principal: concretizar um bom resultado o quanto antes. Era óbvio que o paddock iria notar as fortes atuações — não por acaso, em um determinado momento da temporada, Caio chegou a ganhar força na Meyer Shank, que tem outro brasileiro como um dos sócios: Helio Castroneves. As conversas, no entanto, não progrediram. A ausência de boas colocações e, principalmente, o fato de não ter um orçamento robusto como os outros postulantes foram apontados como fatores importantes para a negociação não avançar. O próprio Collet confirmou posteriormente que as conversas com a Meyer Shank não evoluíram, embora tenha dito que ainda havia outras oportunidades para 2027.
Após uma sequência de oportunidades desperdiçadas — tanto por conta própria quanto por erros da equipe — o primeiro e único top-10 da temporada foi no GP de Washington, já na reta final do campeonato. Logo no fim de semana seguinte, veio o estopim da relação que já não era das melhores: Collet teve um desempenho muito abaixo no único treino livre, ficando somente em 24º lugar. A Foyt, então, planejou a troca de motor apenas depois da corrida 1.

No entanto, o time explicou ao GRANDE PRÊMIO que desistiu da ideia após a transferência das voltas finais da primeira etapa do fim de semana para a noite do domingo. O efeito borboleta veio logo em seguida: a mudança veio antes do GP de Monterey, que culminou na perda de seis posições no grid devido à punição. O brasileiro teve de partir apenas de 18º e, em uma pista de difícil ultrapassagem como Laguna Seca, a missão de se recuperar beirava o impossível. Como sofreu com o desgaste dos pneus macios no stint final, fechou a temporada 2026 com um discreto 20º lugar.
Novamente, a 24ª colocação não condiz com o desempenho puro apresentado em pista. Entretanto, os diversos erros e a falta de resultados expressivos custaram caro. Além disso, a falta de poder financeiro também fechou algumas portas, como o #66 da Meyer Shank.
Como a permanência na Foyt é bastante improvável, a esperança de se manter na Indy agora se concentra na Juncos Hollinger, que deve formar uma aliança técnica com a McLaren. A possibilidade foi apontada pelo GRANDE PRÊMIO como uma das alternativas para Collet em 2027. A equipe também aparece entre as organizações que ainda tinham vagas indefinidas para a próxima temporada.
Além disso, a relação entre Brad Hollinger e Ricardo Juncos segue estremecida e o estadunidense deve assumir por completo a operação do time, o que anteciparia o início da parceria. Porém, ainda não há nada confirmado de nenhuma das partes e, no momento, o futuro de Collet segue em aberto.
A situação é particularmente delicada porque Collet mostrou ter velocidade para permanecer na Indy. O problema é transformar essa velocidade em resultados — e fazer isso em uma categoria na qual desempenho, orçamento e estrutura pesam juntos na definição dos lugares para a temporada seguinte. O próprio piloto já afirmou que não trabalha com um plano B e que seu objetivo é continuar na Indy em 2027.
FAQ
Caio Collet vai continuar na Indy em 2027?
Ainda não há definição. A permanência na Foyt é considerada improvável, enquanto a Juncos Hollinger aparece como uma das possibilidades para o brasileiro. O grid de 2027 ainda tinha vagas em aberto, mas nenhuma equipe confirmou Collet para a próxima temporada.
Por que Caio Collet terminou apenas em 24º na Indy em 2026?
O brasileiro terminou com 203 pontos e apenas um top-10 em 18 corridas. O resultado foi influenciado por uma combinação de erros próprios, problemas e decisões da Foyt, abandonos e oportunidades perdidas, apesar de Collet ter demonstrado velocidade em diferentes momentos da temporada.
Qual equipe pode contratar Caio Collet para a Indy 2027?
A Juncos Hollinger é uma das principais possibilidades atualmente. A equipe pode formar uma aliança técnica com a McLaren, cenário que foi apontado pelo GRANDE PRÊMIO como uma oportunidade para Collet. Ainda não existe, porém, confirmação de contrato.