A Fórmula 1 viveu uma das mais peculiares sessões de classificação de 2026, neste sábado (27). Ainda que o resultado final não reflita com precisão a balbúrdia dos momentos derradeiros do Q3, é possível dizer que o GP da Áustria ganhou um grid inesperadamente divertido para essa fase da temporada, simplesmente porque abriu uma chance de múltiplos embates no apagar das luzes no Red Bull Ring neste domingo. Isso porque George Russell não parecia tão candidato à pole assim nos instantes finais, mas o incomum acidente com Max Verstappen acabou por mudar toda a história. O britânico arrebatou a posição de honra em um golpe de malícia, mas terá de um caminho nada óbvio pela frente, mesmo com Andrea Kimi Antonelli saindo da quarta posição.

Importante colocar aqui que a parte final da classificação revelou muito sobre a ordem de forças. A Mercedes ainda é favorita e tinha a possibilidade de fazer a primeira fila, uma vez que Antonelli imprimia um ritmo fortíssimo na volta final. A saída de Verstappen acabou por tirá-lo da disputa. Também dá para falar do tetracampeão da Red Bull, que exibiu enorme performance no Q3 e era um postulante sério à pole, tal como a Ferrari. No fim, Russell lidou melhor com a bandeira amarela após o incidente com Max e conquistou o direito de largar na frente, o que entrega a ele também a oportunidade de partir para uma vitória. O problema é que a escuderia italiana também se viu beneficiada neste sentido, ao garantir o segundo posto com Charles Leclerc e o terceiro com Lewis Hamilton, comprovando um salto de desempenho depois de uma sexta-feira discreta.

Portanto, a disputa parece totalmente aberta na Áustria. Enquanto a missão de George é largar bem e pular à frente, Leclerc e Hamilton têm tudo para retomar o caminho da Catalunha, empurrados por um motor revisado e mais potente. Ainda que o ritmo ferrarista não tenha impressionado nos treinos, é necessário dizer que os engenheiros mudaram completamente o carro desde a sexta-feira. Houve um trabalho intenso no simulador, e isso se refletiu na performance da equipe italiana, que deve, sim, incomodar as Flechas de Prata. Além disso, não é possível descartar Verstappen e a Red Bull. O neerlandês vinha em boa classificação e imprimiu um ritmo dos mais consistentes neste sábado, então será um elemento de atenção, partindo do quinto posto, logo atrás de Antonelli.

E esse cenário também é válido para a McLaren. Ainda que a performance em classificação tenha sido novamente acanhada, dá para esperar um desempenho mais forte em corrida, especialmente diante do que os papaias apresentaram na Espanha, há duas semanas. Lando Norris sai em sexto, à frente de Oscar Piastri. A esquadra de Andrea Stella tem como carta na manga o próprio calor, condição que gosta e sabe como tirar performance, e isso será fundamental neste domingo.

De fato, as altas temperaturas e a natureza do circuito austríaco vão levar novamente as equipes para uma guerra estratégica, com o adendo de que a sensação térmica será ainda mais potente do que foi na Catalunha. A previsão é de que os termômetros registrem marcas acima dos 35ºC, com a pista superando facilmente a casa dos 50ºC, em um solo bastante abrasivo.

O calor na Áustria vai exigir dos pneus (Foto: AFP)

Então, quem trabalhar melhor com o ritmo e o cuidado com os pneus vai prevalecer. Ainda, será uma corrida para, ao menos, duas paradas, levando em conta os pneus médios e duros — da gama mais macia da Pirelli. De acordo com a fornecedora, esses dois compostos “apresentaram degradação semelhante em longas distâncias e, portanto, podem ser considerados intercambiáveis, com uma ligeira vantagem de aderência para o pneu amarelo”.

“Começando a prova com os pneus médios C4, as equipes que ainda tiverem dois jogos de pneus duros disponíveis poderão completar a corrida usando ambos. Alternativamente, aquelas que tiverem guardado dois jogos de pneus médios podem optar por usar os pneus C3 no trecho intermediário e colocar um novo jogo de C4 no final”, disse o chefão da fabricante italiana, Dario Marrafuschi.

“Existe, no entanto, uma opção de três paradas, começando novamente com os pneus macios, que, se bem executada, pode se mostrar eficaz. Ao explorar a forte estratégia de undercut em Spielberg, alguns pilotos podem optar por antecipar seus rivais com uma primeira parada bem cedo e, em seguida, usar os três compostos disponíveis durante o restante da corrida”, completou.

A Ferrari venceu assim em Barcelona, e isso é uma lição que Mercedes, Red Bull e até a McLaren não devem ignorar neste domingo quente, que promete, diante de performances tão próximas, um embate múltiplo e imprevisível.

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Além da cobertura completa das atividades, o GRANDE PRÊMIO também estará in loco em Spielberg com o repórter Leonid Kliuev.

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