A Federação Internacional de Automobilismo (FIA) se manifestou neste sábado (5) em resposta às acusações de Flavio Briatore de parcialidade no julgamento da Corte de Apelações que deu parecer favorável ao protesto de McLaren e Red Bull, retirando o pódio de Pierre Gasly no GP de Mônaco e devolvendo-o a Isack Hadjar. A entidade deu detalhes sobre o processo feito para a escolha dos juízes e disse que, durante a audiência, foi dada às partes envolvidas no julgamento oportunidade para serem feitas quaisquer objeções às escolhas, porém ninguém o fez.

Tudo começou quando Gasly cruzou a linha de chegada do GP de Mônaco em terceiro, porém tomou duas punições de 5s por ter excedido a velocidade nos boxes, caindo para sétimo. Hadjar, então, herdou o terceiro lugar e foi ao pódio, só que a Alpine usou a própria cronometragem oficial para provar que havia um erro na medição da velocidade nos boxes.

A FIA, então, aceitou o direito de revisão e devolveu Gasly ao terceiro lugar. Só que Red Bull e McLaren foram adiante e abriram outro processo, esse julgado na Corte de Apelações da FIA em agosto. E para a surpresa de todos, a entidade voltou atrás e retirou o pódio do piloto da Alpine, dando-o novamente ao #6 da Red Bull.

A decisão foi divulgada na sexta-feira (4), em Monza, e Flavio Briatore, chefe da Alpine, não economizou palavras durante a coletiva oficial com os chefes de equipe. Com Andrea Stella, o líder da McLaren, ao lado, disse que um dos juízes da FIA envolvidos no processo possuía “ligação muito forte” com o time de Woking.

“Os tribunais da FIA desejam esclarecer que a nomeação e a participação dos juízes nesse caso, assim como em qualquer outro, foram conduzidas em conformidade com os procedimentos judiciais aplicáveis ​​da FIA e com as práticas habituais inspiradas nos mais elevados padrões, como as diretrizes da IBA (Ordem Internacional dos Advogados, em tradução livre) sobre Conflitos de Interesse da Arbitragem Internacional”, diz a nota da FIA, em nome da Corte de Apelações (ICA, sigla em inglês).

Flavio Briatore acusou a FIA de parcialidade no julgamento que retirou o pódio de Gasly em Mônaco (Foto: Alpine)

“Todos os juízes são eleitos pelas Assembleias Gerais da FIA, alguns deles mediante proposta de um grupo de pelo menos cinco equipes de F1, em conformidade com os estatutos da FIA. Todos estão sujeitos aos requisitos de independência e confidencialidade contidos nas Regras Judiciais e Disciplinares da FIA, fazem declarações anuais de interesses ao oficial de compliance da FIA e assinam uma declaração específica de independência para cada caso, levando em consideração a questão em pauta e as partes envolvidas, documento este que é comunicado às partes”, acrescentou.

Em seguida, a entidade deixa claro que Alpine, McLaren e Red Bull — as envolvidas no processo — foram consultadas tanto sobre os procedimentos quanto a respeito da formação da corte. “Tanto no início quanto ao final da audiência, as partes foram convidadas a levantar qualquer questão relativa aos procedimentos ou à composição do tribunal. Nenhuma o fez. Nenhuma objeção foi apresentada durante a audiência quanto à maneira como o tribunal interrogou a testemunha ou conduziu os trabalhos.”

“O ICA ressalta a importância de constituir colegiados com juízes de diferentes origens culturais e geográficas. Isso ajuda a garantir que as deliberações e discussões reflitam uma diversidade de tradições jurídicas, perspectivas e abordagens, fortalecendo ainda mais a justiça, a independência e a credibilidade do processo, bem como o acesso a um julgamento justo”, seguiu.

“A decisão de um tribunal pode dar margem a diversas interpretações e comentários sobre o mérito jurídico; isso é legítimo e aceito por todos os juízes. O tribunal está convicto da solidez dos procedimentos e da integridade dos juízes. Os tribunais da FIA permanecem comprometidos com a independência e a imparcialidade de seus juízes e com a integridade do processo judicial”, encerrou a entidade.

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