O fracasso retumbante na jornada de Colton Herta na Fórmula 2 em busca dos pontos necessários para a superlicença deixou o sonho da Fórmula 1 ainda mais distante. Sendo piloto de testes e realizando alguns treinos livres pela Cadillac, o estadunidense já admitiu que não tem interesse de seguir na categoria e voltou a movimentar o mercado de pilotos da Indy, apesar de haver pouquíssimas vagas disponíveis — e apenas uma em equipe de ponta.
As portas da Andretti — que faz parte do TWG Motorsports, grupo que também comanda a Cadillac na F1 — continuaram abertas para Herta, apesar da ida à Fórmula 2. Inclusive, o californiano iria disputar as 500 Milhas de Indianápolis em um quarto carro do time chefiado por Ron Ruzewski. Porém, como as etapas da F2 do Bahrein e da Arábia Saudita foram canceladas devido aos conflitos no Oriente Médio, a categoria teve de correr no Canadá, em um fim de semana que coincidia justamente com a Indy 500.
A Andretti não levou o carro adicional para Indianápolis, mas a possível participação de Herta levantou questionamentos: se estava tão preocupado em competir na F2, por que disputar as 500 Milhas de Indianápolis?
Ainda que a temporada 2026 da Fórmula 2 não tenha uma etapa final decidida, o desempenho do estadunidense beira o patético. Ocupa somente a 19ª colocação, com 26 pontos marcados, e teve como melhor resultado o sétimo lugar, obtido nas corridas principais da Austrália, Canadá e Bélgica. O filho de Bryan Herta tem 36 (34 provenientes da Indy e 2 dos TLs) dos 40 pontos necessários para a permissão de correr na F1. Com isso, precisaria de mais quatro participações nas atividades da Cadillac ou uma recuperação histórica na F2, pois apenas os oito melhores pontuam para a superlicença.

A ideia da equipe não era ruim, já que, além de prepará-lo para a F1 com a participação em treinos livres, a presença na categoria de acesso o faria ganhar quilometragem em vários circuitos em que a principal categoria do automobilismo corre. Só que Herta também precisava terminar o campeonato no top-8, o que, a menos que conte com um milagre, não será possível.
O sonho da F1 ficará ainda mais difícil a partir de 2027, já que não contará com os pontos na superlicença conquistados no vice-campeonato da Indy em 2024. Por isso, a continuidade na F2 é uma incógnita. Nos Estados Unidos, o cenário não é muito animador no momento. Vale destacar que o norte-americano recebe US$ 8 milhões (R$ 41 milhões), enquanto a única vaga em equipe grande não definida oficialmente está na Ganassi que, costumeiramente, não tem hábito de pagar tanto a um piloto — até mesmo para Álex Palou, que tem vencimentos na casa de US$ 5 milhões (R$ 25 milhões).
A Andretti, por sua vez, já tem o trio completo para o ano que vem: Will Power, Marcus Ericsson e Kyle Kirkwood permanecem no time. Este último, por ironia do destino, já tem a pontuação necessária para a superlicença, embora seja justo ressaltar que a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) passou a distribuir mais pontos após a saída de Herta. Ainda assim, a impressão que dá é que talvez o TWG tenha movido montanhas para preparar o terreno para o piloto errado.
Ainda há vagas em aberto para a Indy 2027 na Dale Coyne, Juncos Hollinger e Foyt, mas fica difícil crer que Herta — detentor de um salário astronômico — retornaria ao grid em uma equipe de menor expressão. Por outro lado, pode não haver opções melhores para correr no ano que vem, especialmente se for confirmada a saída da F2.
A próxima etapa da Indy será apenas em 2027 — o GP de São Petersburgo abre a temporada do ano que vem entre os dias 5 e 7 de março.