Andrea Stella explicou o motivo de a McLaren ter se recusado a parar Lando Norris nos boxes antes de Oscar Piastri no GP da Hungria do último domingo (26), contrariando um pedido feito pelo próprio britânico. De acordo com o chefe da equipe, o australiano ganhou o direito de se manter à frente na disputa e, por isso, seria injusto favorecer o atual campeão mundial de Fórmula 1 em Budapeste.
Depois de largar da terceira posição, o dono do #81 roubou o segundo lugar de Charles Leclerc logo no apagar das luzes e depois, na curva 2, tirou proveito de um erro do companheiro de time para assumir a liderança da prova. Embora seja verdade que o #4 fosse “melhor em todos os aspectos” a partir de então, como ele mesmo destacou, a escuderia inglesa seguiu um princípio que foi pauta de muito debate na temporada passada: as regras papaias.
Foi por isso que, em entrevista ao portal neerlandês RacingNews365, Stella explicou que Piastri acabou escolhido para a troca de pneus antes de Norris durante a segunda janela de pit-stops. Uma vez que a Ferrari havia parado Lewis Hamilton momentos antes, os laranjas precisavam evitar o undercut por parte do heptacampeão, então a decisão foi por fazer isso com o australiano, que liderava a corrida até então.
“Você pensa em garantir que pode conquistar a vitória em uma corrida como essa e avalia qual é a melhor forma de marcar o máximo de pontos possível para a equipe. Mas também existe a preocupação de agir de forma consistente com a maneira como corremos”, começou. “Até o momento em que Oscar foi aos boxes, ele havia assumido a liderança de forma justa na curva 2, então merecia a oportunidade de tentar vencer a corrida”, seguiu.
“Em outras pistas, provavelmente Lando teria conseguido ultrapassá-lo, mas nesse caso isso era difícil. É preciso ter uma vantagem de ritmo muito grande para conseguir fazer isso aqui. Por isso, ficamos satisfeitos em dar a Oscar a oportunidade de lutar pela vitória e, ao mesmo tempo, garantir que estávamos preservando a nossa filosofia de corrida. Foi essa a abordagem que adotamos. Obviamente, essas decisões são sempre muito delicadas. Há muitas opções que podem ser consideradas”, destacou.
O grande questionamento de Piastri, no entanto, foi em relação à decisão da McLaren de parar Norris exatamente na volta em que o australiano foi atrapalhado por Carlos Sainz. Com a patacoada do piloto da Williams, aquele se tornou o momento ideal para o britânico efetuar a substituição dos pneus e ainda voltar à frente do colega de time, que então perdeu a chance de se manter na liderança.

“Mas, do ponto de vista dos princípios de corrida, foi uma prova muito bem executada. E preciso agradecer a Oscar e Lando, porque isso não seria possível sem dois pilotos que aceitam e apoiam a nossa forma de competir”, continuou Stella, que então falou sobre a necessidade de ter parado mais cedo do que o planejado inicialmente, visto vez que os pneus duros estavam dentro da janela de funcionamento prevista pela própria Pirelli.
“Se você analisar a corrida, verá que, quando Hamilton vai aos boxes, ele fica em posição de fazer o undercut sobre as duas McLaren. Precisávamos reagir, porque essa era a maneira correta de colocar o carro em condições de vencer a corrida. Precisávamos ter uma McLaren na liderança e à frente de Hamilton. Portanto, teria de ser Oscar ou Lando. Como Oscar estava na frente, entendemos que ele era o carro certo para parar naquele momento”, pontuou.
“Depois disso, Lando passou a seguir uma estratégia diferente. Não foi uma mudança de plano pensando especificamente em Oscar e Lando. Foi uma adaptação necessária para impedir que a Ferrari assumisse a liderança da corrida”, completou Stella.
No fim das contas, Piastri acabou sofrendo com problemas no câmbio e teve de abandonar na volta 56, abrindo caminho para Max Verstappen e Andrea Kimi Antonelli completarem o pódio atrás de Norris.
A Fórmula 1 está de férias. A categoria retoma as atividades da temporada 2026 de 21 a 23 de agosto, com o GP dos Países Baixos, em Zandvoort.
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