A McLaren conseguiu no GP da Hungria aquilo que se pode chamar de vitória legítima, pois independentemente das circunstâncias que compuseram o final de semana dos papaias e toda a atenção despendida às paradas de boxes, foram eles que apresentaram o melhor ritmo de classificação e de corrida no final das contas, tanto que brigaram com os dois carros em Budapeste. Só que a quebra de Oscar Piastri com pouco mais de dez voltas para o fim trouxe a equipe de volta para a difícil realidade de ser cliente em ano de mudança de regulamento.
Sim, a McLaren partiu para as férias deixando a impressão de que ainda vai aprontar mais alguma coisa até o desfecho da temporada, e isso é mérito do intenso trabalho dos engenheiros comandados pelo trio Neil Houdney, Peter Promodou e Mark Temple, além, claro, do projetista Rob Marshall. Especificamente para a etapa magiar, o MCL60 apareceu com a versão papaia da asa Macarena, que surgiu pela primeira vez com a Ferrari na pré-temporada e tem como grande diferencial o fato de rotacionar o flap superior, proporcionando uma abertura maior no acionamento da aerodinâmica ativa.
Mas essa não foi a única novidade. Um novo assoalho foi pensado para melhorar o condicionamento do fluxo de ar e a carga gerada em quaisquer condições, além de pequenas modificações nos conjuntos das rodas dianteira e traseira, também para otimizar o fluxo ao redor do pneus, melhorando a eficiência aerodinâmica. Claro que o circuito da Hungria acaba ajudando por ser uma pista muito técnica e de baixa velocidade, mas Andrea Stella foi certeiro ao atribuir a vitória de Norris às atualizações.
“Depois de vermos alguns dos carros e de trabalharmos mais na definição de conceitos a serem seguidos, entendemos que deveríamos rever algumas áreas. Então vocês verão que, com algumas das atualizações que estão por vir, mudamos o conceito em algumas áreas do carro e, a partir daí, conseguiremos aumentar o desempenho”, disse Stella depois da corrida na Inglaterra.
O que se viu na Hungria, na verdade, foi a continuação de uma evolução apresentada em Spa-Francorchamps, que possui características completamente distintas, de alta velocidade e com uma longa reta que exige muito mais da bateria dentro do atual regulamento. Foi por essa razão também que a McLaren escolheu o local para trocar o controle eletrônico do carro de Norris pela quarta vez, infração que gerou dez posições no grid de largada. Para completar, o safety-car virtual ainda favoreceu os rivais que partiram de pneus médios, enquanto Lando apostou em esticar o primeiro stint com os duros. Acabou cruzando a linha de chegada em sétimo, mas assinalou a volta mais rápida e ficou 0s3 atrás de Andrea Kimi Antonelli em ritmo puro de corrida.

“Perdi mais uns 5s ou 6s, algo assim, no pit-stop. Então, são 16s que simplesmente se somam ao meu tempo de corrida. Tornou minha vida incrivelmente difícil. E tem o fato de que larguei em 13º. Acho que não dava para dificultar a vida mais do que foi. Acredito que o ritmo era suficiente para um pódio, ou até para vencer”, disse um desolado Lando depois da etapa belga.
Até o ano passado, com o efeito-solo, a McLaren sustentava o posto de equipe com o carro mais versátil do grid, porém circuitos como os da Hungria eram definitivamente a pista certa para proporcionar 43 pontos, ou seja, uma dobradinha. E ela quase veio, não fosse pelo fantasma que ainda assombra as garagens de Woking: a confiabilidade.
Dessa vez, o que deixou Piastri na mão foi o câmbio, que quebrou quando ele vinha em segundo, a 14 voltas do fim. Tirando a batida de Oscar quando levava o carro em direção ao grid na Austrália que o impediu de sequer largar, foi o quinto problema de confiabilidade apresentado pelo MCL60 em corridas em 2026. Na China, a dor de cabeça foi generalizada, já que os dois carros não participaram da prova por causa de uma falha na bateria antes do apagar das luzes. Norris ainda quebrou o câmbio no Canadá; na etapa seguinte, em Mônaco, a bateria voltou a deixá-lo na mão.
Isso dá uma média de praticamente um abandono por problema de confiabilidade a cada duas corridas realizadas até aqui (11). Se contar as falhas em treinos e classificação, a lista aumenta. É muita, muita coisa para quem realmente conseguiu bater a Mercedes pela primeira vez em 2026 de igual para igual na pista.
Os alemães acabam sendo também uma questão no calvário da McLaren na primeira metade do ano, pois os problemas da bateria também deixaram Antonelli e George Russell por aí na temporada. A Mercedes, então, promoveu uma atualização de software para tentar sanar o problema. A McLaren passou a correr com a versão corrigida na Bélgica e não teve problemas especificamente nessa parte, mas Russell penou com o W17 tanto em Spa quanto no Hungaroring, portanto ninguém garante que Norris e Piastri estarão ilesos a isso até o final do ano.
O que é uma pena, pois seria interessante ver o que a McLaren realmente seria capaz de fazer nas próximas 11 (ou 12) corridas que restam. Norris, por exemplo, não perdeu a chance de usar o rótulo de campeão mundial ao dizer que sempre esteve mais rápido que Piastri na corrida (o que é verdade) e que “ninguém o segura” quando o carro está bom. Pois esse é o ponto, porque Antonelli só vai começar a “sentir a pressão”, como disse, quando alguém tiver um carro confiável para acossá-lo.
A Fórmula 1 está de férias. A categoria retoma as atividades da temporada 2026 de 21 a 23 de agosto, com o GP dos Países Baixos, em Zandvoort.
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