O primeiro contato com o novo carro Gen4 da Fórmula E no circuito de Monza deixou Nico Müller empolgado. Após comandar o Porsche 975 RSE em uma sessão de testes no último fim de semana, o piloto suíço admitiu ter sido surpreendido positivamente pelo equipamento. Segundo o titular da marca alemã, a combinação da maior pressão aerodinâmica com a tração integral transformou o comportamento do bólido nas curvas de alta velocidade, garantindo níveis de fluidez e retomada que o deixaram “com ainda mais fome” para o início da temporada.
Após informações iniciais do site italiano Monza in Pista indicarem tempos na casa de 1min46s, o Formula E Notebook apurou que a performance no teste foi ainda mais impressionante. Rodando com pneus usados e um acerto ainda não totalmente otimizado, o carro registrou voltas na casa de 1min32s baixo ainda no primeiro dia de atividades, alcançando velocidades de reta na faixa dos 330 km/h.
O tempo já é melhor que o recorde oficial da Fórmula 2 na pista, que é de 1min32s717, estabelecido por Kush Maini em 2024. A expectativa nos bastidores é de que o Gen4 ainda possa baixar essa marca em 2s a 3s com o desenvolvimento adequado.
Além da presença dos titulares Pascal Wehrlein e Nico Müller, Pepe Martí também participou da atividade. O espanhol foi o responsável por guiar o modelo no domingo (18), com pista molhada. Recém-contratado pela Cupra Kiro, Jake Hughes também esteve nos boxes para conhecer o carro e os engenheiros, mas não chegou a pilotar.

A combinação da tração integral com os novos os pneus Typhoon, da Bridgestone, resultou no que uma fonte presente no teste descreveu como “níveis absurdos de aderência”.
A escolha de Monza teve um objetivo claro: avaliação aerodinâmica e de frenagem antes da pré-temporada. O time testou os dois novos kits aerodinâmicos, um de alto e outro de baixo arrasto. A atividade também serviu para a Porsche consolidar sua base de dados, uma vez que a esquadra não participará dos testes extras em Valência na semana anterior às atividades coletivas de Jarama, marcadas para o próximo mês.
Müller foi o único a falar sobre os testes e se impressionou com a performance do carro em Monza. O suíço destacou principalmente a aceleração e o nível de pressão aerodinâmica nas saídas das curvas.
“Fiquei surpreso de forma positiva com a sensação deste carro em uma pista bastante única como Monza. Obviamente, é de altíssima velocidade, com retas super longas e muita fluidez. A combinação mais impressionante e divertida foi a variante Ascari”, relatou.
“Primeiro a frenagem forte na entrada, mas depois a retomada imediata da aceleração. Com a tração nas quatro rodas e a alta potência, o carro balançava um pouco, mas ainda criava um downforce adequado, então a saída parecia realmente rápida. Realmente me deixou com ainda mais fome para a temporada“, seguiu.
“Passamos pelo nosso programa e aprendemos muito em circunstâncias extremas. Estamos bastante confiantes de que teremos dados muito válidos para iniciar a temporada, de modo que, independentemente dos desafios que nos sejam impostos, teremos um bom banco de dados para basear nossas decisões”, explicou Müller.
Apesar do otimismo com a volta lançada, o piloto da Porsche manteve a cautela em relação ao comportamento do Gen4 no pelotão. Até o momento, o teste com mais tráfego ocorreu em janeiro, em Monteblanco, reunindo apenas quatro carros, de Stellantis, Jaguar, Nissan e Porsche.
“Ainda é um pouco difícil fazer a leitura do comportamento do carro no ar sujo, atrás de outros carros. A dinâmica nas corridas será muito diferente devido às metas de energia, mas também por causa dos diferentes pacotes aerodinâmicos”, ponderou.
“O efeito do ar sujo atrás de um carro com configuração de baixo ou alto arrasto será bem diferente. Precisaremos entender isso o mais rápido possível em Jarama, quando tivermos todo o grid junto”, finalizou.
A temporada 2026/27 da Fórmula E está programada para começar entre os dias 18 e 19 de dezembro com a rodada dupla em Jedá, na Arábia Saudita.